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A VINGANÇA DOS FILMES B- PARTE 3

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Foto do Cartaz: Priscila Poletti e Diego Bertoldi
Arte final: Marcelo Lim

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02/12/2013 · 1:30

A VINGANÇA DOS FILMES B-PARTE 3

A VINGANÇA DOS FILMES B- PARTE 3

“A vingança nunca é plena…mas pode ser divertida”

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 De 13 a 15 de dezembro a Sala P.F.Gastal (3° andar da Usina do Gasômetro) sedia a terceira edição da mostra A Vingança dos Filmes B. Concebida em 2011 para servir de vitrine para produções que flertam com o cinema de gênero, a mostra chega ao seu terceiro ano consecutivo se consolidando como um território destinado a divulgação e ao resgate de filmes independentes, produções de baixo orçamento e outros delírios fílmicos, buscando incentivar o público a dialogar com obras que dificilmente encontram espaço nas telas dos cinemas comerciais. Filmes repletos de horror, ação, anarquia, humor e demência, ocupando um mesmo espaço sem restrições quanto ao seu orçamento ou suporte de realização.

O filme de abertura desta edição será o documentário Desagradável, produção que retrata a conturbada trajetória da mítica banda carioca Gangrena Gasosa e sua explosiva mistura de macumba, irreverência e heavy metal. A banda criou o conceito de saravá metal lançando  álbuns agressivos e iconoclastas como Welcome to Terreiro (1993) e Smells Like Tenda Spirita (2000). O diretor paulista Fernando Rick estará presente na mostra para realizar um debate após a sessão.

Fernando Rick tem se destacado entre os realizadores independentes paulistas, sendo também responsável pelo documentário “Guidable: A Verdadeira História do Ratos de Porão”, pelo premiado curta “Ivan”, e pelo violento e polêmico “Coleção de Humanos Mortos”.

Três longa-metragens presentes na mostra ajudam a fortalecer e ampliar as possibilidade de se realizar cinema de horror no Brasil, “Mar Negro”, de Rodrigo Aragão, “Nervo Craniano Zero”, de Paulo Biscaia e “Zombio 2- Chimarrão Zombies”, de Petter Baiestorf.

A Sessão Shot or Die apresenta três produções realizadas com pouco, ou nenhum dinheiro, tendo como incentivo apenas a paixão pelo cinema. Obras com orçamento limitado e criatividade de sobra.

A sessão Malditos Curtas reúne obras de diversos estados brasileiros, constituindo um mosaico representativo da atual produção de cinema de gênero no país. Jovens realizadores investindo em filmes de ação, horror, suspense e ficção científica, injetando sangue novo nas veias do cinema brasileiro.

E por fim, a Sessão Sala Especial é dedicada ao grupo de anárquicos comediantes capixabas da TV QUASE. Unidos por Gabriel Labanca (falecido prococemente aos 30 anos, em 2012) a trupe formada pelos dementes Daniel Furlan, Juliano Enrico, Raul Chequer e Klaus Berg, iniciou a mais de 10 anos o projeto de humor multimidia QUASE. O projeto que começou como uma revista em quadrinhos migrou para o youtube, e agora começa a semear seu humor nonsense e sua insolência também na tv aberta. A sessão exibirá além do curta Loja de Inconveniências: A Maldição do Caipora, diversos sketches e a homenagem Labanca Eterno.  E para melhor compreender o que é a QUASE, uma definição do próprio grupo: “Ilogia, delírios, blasfêmia, alucinações, inadequação afetiva, piru, negligência social, devaneio permanente, incoerência, travestismo, cocô, agressividade, mau humor e quadrinhos”.

Sejam bem vindos à Vingança dos Filmes B- Parte 3

(Cristian Verardi- organizador)

APOIO: The Raven / Dirty Old Man / Secretária Municipal de Cultura de Porto Alegre / SalaP.F.Gastal
GRADE DE PROGRAMAÇÃO

 Longas:

Desagradável (2013 / 120 minutos), de Fernando Rick / A banda Gangrena Gasosa tornou-se um mito do underground carioca com a sua inusitada mistura de heavy metal com elementos de umbanda. O documentário aborda a anarquica trajetória da banda em seus 20 anos de existência. Uma história repleta de confusões, estranhas maldições e muito “saravá metal”. (Após a sessão debate com o diretor Fernando Rick)

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Mar Negro (2013 / 100 minutos), de Rodrigo Aragão. Com: Walderrama dos Santos, Mayra Alarcon, Cristian Verardi  / Após se depararem com uma estranha criatura marítima, dois incautos pescadores levam sem saber a morte e a destruição para uma pequena vila à beira mar. Zumbis, demônios, e criaturas mutantes orquestram um dantesco banho de sangue e vísceras. Alucinante desfecho da trilogia iniciada por Rodrigo Aragão em 2008 com “Mangue Negro” (2008), e seguida por “A Noite do Chupacabras” (2011).  Selecionado para festivais como: SITGES Film Festival (Esp) / Morbido (Mex) / Montevideo Fantastico (Ury) / Festival do Rio 2013 (Bra) / Rojo Sangre (Arg)

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Zombio 2- Chimarrão Zombies (2013 / 83 minutos), de Petter Baiestorf. Com: Airton Bratz, Coffin Souza, Gisele Ferran, Gircius Gewdner / Uma pequena comunidade interiorana sofre uma estranha epidemia após consumirem a erva-mate Cronenberg. Um grupo tenta sobreviver em meio ao caos provocado pela invasão de mortos-vivos e outros seres raivosos. Irreverente mistura de horror, humor e sexploitation nesta sequência direta de Zombio (1999), do cultuado diretor independente Petter Baiestorf. (Censura 18 anos). Selecionado para festivais como: SITGES Film Festival (ESp) /  Montevideo Fantastico (Ury)

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Nervo Craniano Zero (2012 / 88 minutos), de Paulo Biscaia. Com: Guenia Lemos, Uyara Torrente, Leandro Daniel Colombo / Uma escritora ambiciosa e um neurocirurgião obcecado utilizam uma ingênua garota como cobaia em um experimento perigoso. Um chip é instalado em seu cérebro afetando o “nervo craniano zero”, o resultado da experiência foge ao controle, gerando consequências nefastas. Prêmio de melhor direção no New Orleans Horror Film Festival 2012 (EUA) / Melhores efeitos de FX no Thriller Chiller Festival 2012 (EUA)

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Curtas:

Distúrbios, Palavrões e Batidas de Carro (2013 / 38 minutos), de Cláudio Guidugli / Jovem apaixonado por prostituta planeja uma ação para assassinar o próprio pai, mas assaltantes desastrados, um psicopata estuprador e um homem com um acesso de fúria após um acidente de carro, transformam o crime perfeito num desastre sanguinolento. Ação, humor negro e drama familiar numa produção independente filmada na pequena cidade de Roca Sales (RS) com orçamento zero, utilizando apenas uma câmera cybershot e muita criatividade.
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You Bitch Die
(2009 / 3 minutos), de Lucas Sá / Traição, vingança e morte. Ela traiu o homem errado, e agora vai pagar com o próprio sangue!

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Filmes São Seus Amigos (2 minutos), de Gurcius Gewdner: Com Raissa Vitral: O diretor independente Gurcius Gewdner faz um procunciamento importante: Filmes são seus amigos!
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A História de Lia (2010 / 13 minutos), de Rubens Mello / Lia é uma adolescente que vive num lar doentio e violento. Para fugir de sua cruel realidade ela se envolve com um grupo de jovens marginais. Porém, uma tragédia é desencadeada quando ela é possuída por sua amiga invisível.

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Rise Weirdo Army (2012 / 4 minutos), de Francis K / Monstros gigantes, kung fu e rock’n’roll, no melhor estilo Damn Laser Vampires.

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Catalogárgula (2013 / 5 minutos), de Lucas Neris / Hélio é um homem peculiar que tira fotos de tudo à sua volta, dando uma conotação própria e estranha aos objetos que o cercam.

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Belphegor (2013 / 6 minutos), de Ricardo Ghiorzi / Nem mesmo a santidade está a salvo diante da presença do mal.

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Tate Parade (2012 / 10 minutos), de Marja Calafange / Sharon Tate volta do além para vingar sua morte e salvar o seu bebê. Uma vingança com sabor de melância.

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O Membro Decaído (2012 / 18 minutos), de Lucas Sá / Um homem vaga a esmo. O destino lhe reserva um caminho de sangue.

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Encosto (2013 / 7 minutos), de Joel Caetano / Um ritual de magia negra não ocorre com o esperado. Qual o preço a pagar pelos seus desejos?

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O Matador de Bagé (2013 / 15 minutos), de Felipe Iesbick / Assis. Matador Profissional. Quinze anos consecutivos o número um de Porto Alegre. Até a chegada de Assunção. (Prêmio de melhor curta da Mostra Gaúcha do Festival de Gramado)

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Estrela Radiante (2013 / 25 minutos), de Fabiana Servilha / Após encontrar um estranho objeto caído dos céus, um homem tem a sua vida modificada quando começa a sofrer estranhas mutações.

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 Paulo e Ana Luiza em Porto Alegre (1998 / 15 minutos ), de Rogério Brasil Ferrari / Um casal portoalegrense com um gosto peculiar pelos prazeres da carne.  Sexo, gastronomia e assassinato num clássico do cinema gore gaúcho.

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Sessão Sala Especial: TV Quase: Loja de Inconveniências: A Maldição do Caipora (2013), de Juliano Enrico /   Jairo só queria entrar em qualquer loja para comprar cigarros. Mas esta não é qualquer loja. E Seu Argemiro é qualquer coisa, menos qualquer vendedor. Aqui ele tenta convencer Jairo a fumar menos, além de alertá-lo para a perigosa criatura que espreita nas profundezas da floresta. (curta seguido de sketches da trupe de comediantes da TV Quase e homenagem póstuma ao humorista Gabriel Labanca). Total: 60 minutos.

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 GRADE DE HORÁRIOS

 13 de Dezembro

20h- Encosto (7’) + Desagradável (120’). Total: 127 minutos (Após a sessão debate com o diretor Fernando Rick)

 14 de Dezembro

15h- Sessão Maldita Matinê I- Filmes São Seus Amigos (2’) + Zombio 2- Chimarrão Zombies (88’). Total: 90 minutos

 17h- Sessão Shot or Die: You Bitch Die (3’ + História de Lia (13’) + Distúrbios, Palavrões e Batidas de Carro (38’). Total: 54 minutos

 20h- Sessão Malditos Curtas: Rise, Weirdo Army (4’) + Catalogárgula (5’) + Belphegor (6’) + Tate Parade (10’) + O Membro Decaído (18’) + O Matador de Bagé (15’) + Estrela Radiante (25’) + Paulo e Ana Luiza em Porto Alegre (15’). Total: 98 minutos. (Após a sessão debate com os realizadores)

 15 de Dezembro

15h- Sessão Sala Especial: TV Quase: Loja de Inconveniências: A Maldição do Caipora + sketches + Homenagem a Gabriel Labanca) (60’)

17h- Sessão Maldita Matinê II – Nervo Craniano Zero (88’)

 19h- Mar Negro (100’)

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Arquivado em Ação, Cinema brasileiro, Cinema Nacional Porra!, Comédia, comedy, Curta, Divulgação, Documentário, Erótico, Experimental, exploitation, Fantasia, Fantástico, giallo, gore, Horror, Humor, humor negro, Policial, pornochanchada, Sci-fi, Surrealismo, Suspense, Thriller

PREPAREM-SE PARA A VINGANÇA DOS FILMES B-PARTE 2!

Street Trash (1987), de Jim Muro

“A vingança é uma espécie de justiça selvagem”. (Francis Bacon)

De 23 a 25 de novembro a Sala P.F.Gastal (3° andar da Usina do Gasômetro) recebe a segunda edição da mostra “A Vingança dos Filmes B”!

O termo “Filme B” surge durante os anos 1920 para classificar produções baratas de pequenos estúdios (westerns, suspenses, seriados de aventura), que serviam de complemento em sessões duplas para os filmes Classe A, ou seja, aqueles realizados pelos grandes estúdios com orçamentos milionários e grandes estrelas. Os “Filmes B” eram feitos a toque de corda, em poucos dias, com astros de terceira e orçamento irrisório. Existia uma área em Hollywood conhecida como Powerty Row (cinturão da pobreza), por reunir diversas produtoras independentes que forneciam filmes de baixo orçamento que eram comprados e distribuídos pelos grandes estúdios. Esse sistema funcionou até o final dos anos 1950, quando acaba a chamada “Era de Ouro de Hollywood”. Apesar da deturpação de seu contexto original, e das modificações na simbiose entre os grandes estúdios e os produtores independentes, o termo Filme B sobreviveu adquirindo conotações diferentes, mas ainda é uma boa definição para filmes de gênero realizados fora do sistema dos estúdios, com orçamento limitado, atores desconhecidos e temática fora dos padrões. Porém, hoje a tela dos cinemas é uma realidade distante para a maioria destas produções que lutam por um espaço público de exibição.

A mostra A Vingança dos Filmes B foi concebida para servir de vitrine para produções independentes que flertem com o cinema de gênero, funcionando como um espaço democrático onde coexistam os mais variados tipos de

A vingança é plena em “Amarga Hospedagem”, de Cláudio Guidugli.

expressão cinematográfica, do horror à comédia, passando pelos filmes sci-fi e pelo cinema de ação, sem se importar com o orçamento investido (sejam produções rebuscadas ou de orçamento zero), ou com o suporte de realização. Produções em película, digital e VHS ocupando pacificamente o mesmo espaço. Um evento destinado ao resgate e a divulgação de filmes independentes, bizarros, engraçados ou assustadores, incentivando o público a dialogar com obras que dificilmente encontram espaço nas telas dos cinemas.

Chegou a hora dos independentes retomarem o seu espaço nas telas, mas não como meros coadjuvantes, e sim como atração principal! Está na hora da Vingança dos Filmes B-Parte 2!

PROGRAMAÇÃO

A VINGANÇA DOS FILMES B – PARTE 2

(ENTRADA FRANCA / CLASSIFICAÇÃO: 16 ANOS)

 Sexta-Feira, 23 de Novembro.

19h30- Horror.Doc (72’), de Renata Heinz

(OBS: Após a sessão debate com Renata Heinz)

Sábado, 24 de novembro

15h- 20 Anos de Canibal Produções: Baiestorf: Filmes de Sangreira e Mulher Pelada (20’),Christian Caselli + Boi Bom (12’)  + Blerghhh (50’) (Após a sessão debate com Petter Baiestorf)

17h30- Sessão Trash’O’Rama: Cachorro do Mato (15’), de Maurício Ribeiro + Amarga Hospedagem (60’), de Claúdio Guidugli

(OBS: Após a sessão debate com o realizador Cláudio Guidugli)

19h30- Sessão de Curtas I: O Solitário Ataque de Vorgon (6’), de Caio D’Andrea + Rango (6’), de Rodrigo Portela + Morte e Morte de Johnny Zombie (14’), de Gabriel Carneiro + Sangue e Goma (11’), de Renata Heinz + Vontade (10’), de Fabiana Servilha + Nove e Meia (20’), de Filipe Ferreira + Rigor Mortis (20’), de Fernando Mantelli e Marcello Lima.

(OBS: Após a sessão debate com os realizadores)

(total: 87 minutos)

Domingo, 25 de Novembro

15h- A Noite do Chupacabras (95’), de Rodrigo Aragão

17h- Maldita Matiné: Testículos (15’), de Christian Caselli + Street Trash, de Jim Muro (90’)

19h30- Sessão de Curtas II: Raquetadas Para a Glória (7’), de TV Quase + X-Paranóia (14’), de Cristian Cardoso e Felipe Moreira  + DR (10’),de Joel Caetano e Felipe Guerra + Confinópolis – A Terra dos Sem Chave (16’), de Raphael Araújo +  O Curinga (14’), de Irmãos Christofoli + Coleção de Humanos Mortos (20’), de Fernando Rick + Rackets in London- The Olympic Dream (7’), de TV Quase

(Total: 89 minutos)

(OBS: Após a sessão debate com os realizadores)

LONGAS:

Horror.DOC, de Renata Heinz (RS, 2012, 72 minutos). Com Rodrigo Aragão, Paulo Biscaia, Carlos Primati / Horror.DOC se propõe a decifrar o passado e o futuro do cinema de horror no Brasil, através de entrevistas com diretores, críticos e pesquisadores do gênero. Um pungente panorama do horror no cinema brasileiro com depoimentos de diretores como Rodrigo Aragão (Mangue Negro, A Noite do Chupacabras), Paulo Biscaia (Morgue Story, Nervo Craniano Zero), e especialistas no gênero, como Laura Canepa e Carlos Primati.

Horror.DOC, de Renata Heinz

A Noite do Chupacabras, de Rodrigo Aragão (ES, 2011, 95 minutos). Com Joel Caetano, Petter Baiestorf, Walderrama dos Santos / Cegas pelo ódio, duas famílias rivais entram em confronto sem perceber que um mal maior se esconde na escuridão da floresta, se alimentando de medo e sangue. Uma violenta trama de horror e vingança que fez jorrar sangue novo no cinema independente brasileiro. Ao mesclar mitos regionais e gore oitentista, o diretor capixaba Rodrigo Aragão apontou novas possibilidades para a sedimentação do cinema fantástico no Brasil.

A Noite do Chupacabras, de Rodrigo Aragão

Amarga Hospedagem, de Claúdio Guidugli (RS, 2011, 60 minutos). Com Roberto de Paula, Franciele Cacimiro  / Ao praticarem mountain bike numa região rural do interior do RS, grupo de ciclistas é capturado por um psicopata sádico. Os incautos ciclistas precisam lutar para não serem transformados em lingüiça, mas nem todos são inocentes como aparentam. Um sangrento e divertido thriller de ação e horror produzido na pequena cidade de Roca Sales, no Vale do Taquari. Amarga Hospedagem foi inteiramente gravado com uma cyber-shot, com elenco composto por atores amadores, orçamento zero e muita criatividade, transformando uma produção tecnicamente precária num divertido exercício de cinema de gênero.

Amarga Hospedagem, de Cláudio Guidugli

Street Trash, de Jim Muro (EUA, 1987, 91 minutos) / Clássico gore oitentista sobre um grupo de mendigos que começam a derreter após beberem whisky contaminado. Um festival de insanidade e escatologia, repleto de fluídos corporais e personagens bizarros. Único longa-metragem de Jim Muro, que se tornaria nos anos seguintes um dos mais requisitados especialistas em steadycam de Hollywood, trabalhando em filmes como True Lies e X-Men.

Street Trash, de Jim Muro

CURTAS:

Baiestorf: Filmes de Sangreira e Mulher Pelada, de Christian Caselli (RJ, 2004, 20 minutos) / Documentário sobre a trajetória de Petter Baiestorf, realizador catarinense precursor das produções independentes em vídeo no Brasil, que através da produtora Canibal Produções se tornou uma nas figuras mais polêmicas e emblemáticas do cinema underground brasileiro.

 Boi Bom, de Petter Baiestorf (SC, 1998, 12 minutos). Com Jorge Timm / Os preparativos para um churrasco incluem bem mais do que apenas comprar um espeto. Homem revela um método pouco ortodoxo para preparar a carne de seu churrasco. Vídeo polêmico pela intensidade visceral de suas imagens. Não recomendado para pessoas sensíveis e vegetarianos em geral. (Filmado em VHS)

Blerghhh, de Peter Baiestorf (SC, 1996, 50 minutos). Com Cesar Souza, David Camargo, Denise V, Jorge Timm / Grupo de guerrilheiros formado por dementes e pervertidos seqüestra filho junkie de um milionário. A situação se complica quando nem tudo o que deveria morrer permanece morto. Alucinada sátira sócio-política escatológica envolvendo violência e humor negro. Uma provocativa e anárquica trama típica da Canibal Produções. (Filmado em VHS)

 Coleção de Humanos Mortos, de Fernando Rick (SP, 2005, 20 minutos). Com Ulisses Granados, Tiara Curi, Marinna Anlop / Assassino desequilibrado em conflito com suas múltiplas personalidades comete atos de extrema brutalidade enquanto coleta vítimas para sua coleção de humanos mortos. Efeitos de maquiagem de Kapel Furman, um dos grandes especialistas em FX do cinema brasileiro.

Coleção de Humanos Mortos, de Fernando Rick

Confinópolis – A Terra dos Sem Chave, de Raphael Araújo (ES, 2012, 16 minutos). Com Daniel Boone, Fonzo Squizzo, Leonrado Prata / Num mundo distópico as pessoas vivem fechadas em sua própria alienação e sob o violento controle do estado. Porém, alguém sabe que em algum lugar existe uma chave para a libertação.

Confinópolis, de Raphael Araújo

Cachorro do Mato, de Maurício Ribeiro (ES, 2002, 15 minutos) / Um grupo de jovens tem seu fim de semana no campo transformado em um pesadelo sangrento quando se deparam com um abominável e faminto… cachorro do mato! Sangue e risadas nesta hilária produção amadora realizada no Espírito Santo.

O Curinga, de Irmãos Christofoli (RS, 2009, 17 minutos). Com Rafael Tombini, Nilson Asp, Ariane Donato / Um apartamento vazio, um homem, um baralho de cartas, e algumas pragas bíblicas. Baseado no conto Eu Não Matei o Mundo.

Dr, de Joel Caetano e Felipe Guerra (SP, 2012, minutos’). Com Oldina do Monte, Mariana Zani / Confrontado pela esposa infeliz no relacionamento e pela sogra possessiva, um homem descobre que discutir a relação nem sempre é a melhor saída para o casal. DR é o insano resultado da união de Joel Caetano e Felipe Guerra, dois dos mais notórios realizadores da atual cena independente de horror brasileira.

DR, de Joel Caetano e Felipe Guerra

Morte e Morte de Johnny Zombie, de Gabriel Carneiro (SP, 2011, 14 minutos). Com Joel Caetano, Charlene Chagas, Ana Luíza Garcia / Contaminado por uma substância tóxica, Johnny, o funcionário de uma fábrica começa a sofrer uma bizarra transformação. A repentina chegada dos amigos para uma festa em sua casa desencadeia uma fome incontrolável gerando uma inusitada e sangrenta situação.

Nove e Meia, de Filipe Ferreira (RS, 2012, 20 minutos). Com Rafael Tombini, Leonardo Machado, Herlon Holtz / Após perder a filha, atropelada por um estranho, homem se torna obcecado pelo desejo de vingança. Dramático thriller baseado no conto Nove Horas e Trinta Minutos de Rubem Fonseca.

Nove e Meia, de Filipe Ferreira

Rigor Mortis, de Fernando Mantelli e Marcello Lima (RS, 2012, 20 minutos). Com Daniel Bacchieri, Renata de Lélis, Morgana Kretzman, Patrícia Soso / Eros e Tanatos, vida e putrefação. Desejo e morte se fundem quando um casal se vê envolvido numa trama bizarra onde o marido é contaminado por uma estranha infecção.

 Raquetadas Para a Glória, de TV Quase (ES, 2011, 7 minutos). Com Daniel Furlan, Juliano Enrico, Gabriel Labanca, Keka, Raul Cheque / Para vingar a morte do amigo, Ricky Larusso procura o lendário mestre bêbado para ensinar-lhe as técnicas mortais de um jogo brutal, o frescobol! Uma produção da TV Quase, um dos mais anárquicos grupos de humor do Brasil, que produz material exclusivamente para a Internet.

Rango, de Rodrigo Portela (RS, 2007, 6 minutos). Com Cláudio Benevenga, Chico De Los Santos, Dhirley Cunha, Leonardo Barison/ Quatro homens em conflito por um punhado de carreteiro numa hilariante homenagem ao western spaghetti.

Rackets in London- The Olympic Dream, de TV Quase (ES, 2012, 7 minutos). Com Daniel Furlan, Juliano Enrico, Gabriel Labanca, Keka, Raul Cheque / Após vingar a morte de seu melhor amigo Ricky Larusso vai para a Inglaterra lutar para que transformem o frescobol em um esporte olímpico. Porém, um novo vilão tentará atrapalhar os seus planos. A trupe da TV Quase invade Londres nesta ainda mais absurda seqüência de Raquetadas Para a Glória.

O Solitário Ataque de Vorgon, de Caio D’Andrea (SP, 2011, 6 minutos). Com Boris Ramalho, Luiz Otávio Santi / Não há nada mais perigoso do que um monstro com o coração partido.

O Solitário Ataque de Vorgon, de Caio D’Andrea

Sangue e Goma, de Renata Heinz (RS, 2011, 14 minutos). Com Rafaela Cassol, Leonardo Machado, Beto Mônaco / Ella não consegue fugir de seu destino e esbarra na afirmação constante de que as coisas podem não ser o que aparentam.

Sangue e Goma, de Renata Heinz

Testículos, de Chistian Caselli (RJ, 2001, 15 minutos). Com Clara Linhart, Lois Lancaster, Rodrigo dos Santos / Um convite para almoçar na casa de um antigo amigo toma rumos surreais quando um exótico prato é servido.  Com a participação de Lois Lancaster, vocalista da lendária e insólita banda carioca Zumbi do Mato.

X-Paranóia, de Cristian Cardoso e Felipe Moreira (RS, 2012, 14 minutos). Com César Scortegagna, Cristian Cardoso, Tiana Moon / Diversas teorias conspiratórias transformam o simples ato de comer um X numa lanchonete em uma aventura complexa, fazendo com que um homem comece a questionar sua própria sanidade.

Vontade, de Fabiana Servilha (SP, 2011, 10 minutos). Com Alexandre Rabello, Douglas Domingues, Marina Ballarin / Após um exaustivo dia de trabalho, Luís acorda no meio da madrugada. Desesperado, sai às ruas em uma busca misteriosa. Conforme o tempo passa, fica cada vez mais difícil conseguir o que procura. A vontade é cruel e inexorável, e precisa ser saciada a qualquer custo.

Vontade, de Fabiana Servilha

UMA PRODUÇÃO CINEMA EX MACHINA & TOQUE DE MUERTO

APOIO:

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A VINGANÇA DOS FILMES B-PARTE 2!

(A arte do cartaz e a vinheta da mostra foram uma grata contribuição do grande amigo Marcelo Lim)

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08/11/2012 · 1:38

MOSTRA HERZOG DOCUMENTARISTA.

Através de uma parceria entre o Goethe-Institut Porto Alegre e o CineBancários, a Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro (3º andar) recebe entre os dias 6 e 18 de setembro a mostra Sou o que São Meus Filmes, que reúne parte significativa da produção documental realizada pelo cineasta alemão Werner Herzog. Dividida entre as duas salas, a programação tem entrada franca. No dia 8 de setembro, o cinema da Usina realiza a pré-estreia do premiado filme brasileiro Além da Estrada, de Charly Braun, que a partir de sexta-feira, dia 9 de setembro, divide horários com a mostra dedicada a Herzog.

 Herzog Documentarista

 Figura central do Novo Cinema Alemão, Werner Herzog é conhecido sobretudo pela sua filmografia ficcional, marcada por títulos inquietantes como O Enigma de Kaspar HauserAguirre, a Cólera dos Deuses, Nosferatu o Fantasma da Noite ou Fitzcarraldo, com seus personagens rebeldes, solitários e incompreendidos. Paralelamente, no entanto, o diretor alemão desenvolveu uma sólida carreira como documentarista. É este “outro Herzog” que o público local poderá conhecer na presente mostra, na qual serão exibidos 23 títulos, divididos em cinco temáticas: Sobre Werner HerzogCriação e Apocalipse, O Início e o Fim da Linguagem, Guerreiro e Perpetrador e Decolagem e Queda.Os documentários foram produzidos entre 1965 e 2005 e incluem desdeHércules, seu trabalho de estreia de 1965, passando por Balada de um Pequeno Soldadode 1984, até os mais recentes, como Além do Azul Selvagem, de 2005, O Diamante Branco, de 2004. Todos os filmes têm legendas em português.

PROGRAMAÇÃO

 Sobre Werner Herzog

Sou o que São Meus Filmes – Parte 1

Direção: Christian Weisenborn, Erwin Keusch, colorido, 93 min., 1976-78.

Um retrato de Werner Herzog em sua fase inicial, que procura, sobretudo, sondar o homem por trás do artista. Ele se nutre da proximidade do entrevistador, proximidade esta produz instrutivos momentos de perplexidade.

Sou o que são Meus Filmes – Parte 2 – 30 Anos Depois

Direção: Christian Weisenborn, colorido, 97 min., 2009/10. Legendas em inglês

Christian Weisenborn já havia feito um documentário sobre Herzog em 1976/78. Desta vez, ele visita Werner Herzogem Los Angeles, entrevistando-o minuciosamente sobre seus documentários. Uma entrevista com várias cenas de filmes.

Werner Herzog – Retrato de um Diretor

Direção: Werner Herzog, colorido, 30 min., 1986.

Um breve autorretrato de Werner Herzog, em que se mesclam relatos, fragmentos de filmes e pequenas cenas documentais, entre as quais uma visita do diretor à lendária historiadora do cinema e sua grande amiga, Lotte Eisner, em Paris.

Até o Fim – E Além

Direção: Peter Buchka, 60 min., colorido, 1988.

Um retrato de Werner Herzog elaborado a partir de declarações do diretor e de cenas de seus filmes.

Criação e Apocalipse

Fata Morgana

Direção: Werner Herzog, colorido, 79 min, 1970.

Uma viagem pela África, poética e surreal, como um sonho, fragmentária, por ser destituída de qualquer história, ainda assim amparada em uma coerência interna. Herzog confronta os mitos da criação com imagens da destruição.

Hércules

Direção: Werner Herzog 10 min, p/b, 1962 – 1965

O trabalho de estreia de Herzog busca já a imperceptível transgressão do mero documentário e evoca um tema central de suas obras: o ridículo da revolta titânica.

La Soufrière

Direção: Werner Herzog, colorido, 31 min., 1976.

Verão de 1976: há uma ameaça de uma erupção devastadora do vulcão “La Soufrière” na ilha de Guadalupe, Antilhas Francesas. A ilha é evacuada. Werner Herzog e sua equipe de filmagem ficam para filmar a catástrofe – e aguardam a erupção em vão.

Lições da Escuridão

Direção: Werner Herzog, colorido, 55 min., 1992.

Pouco antes da segunda Guerra do Golfo, tropas iraquianas incendiaram campos de petróleo e terminais durante sua retirada do Kuait. Herzog e seu cinegrafista tentam registrar o inconcebível, o apocalipse, através de suas imagens.

Pastores do sol

Direção: Werner Herzog, colorido, 50 min, 1989.

Tendo como ponto de partida uma festa, que se realiza anualmente, Herzog retrata a tribo nômade dos wodaabe, no sul do Saara. Em momento algum, ele suprime o desconhecido e o irritante em suas observações, enfatizando, assim, a identidade inconfundível da antiga tribo do povo dos fulbes.

O Início e o Fim da Linguagem

Últimas Palavras

Direção: Werner Herzog, p/b, 13 min., 1967.

O cenário é o nordeste da ilha de Creta: a polícia usa de violência para levar um homem da ilha de Spinalonga para a ilha principal. Esse homem, um tocador de lira, se recusa a fazer qualquer declaração sobre suas experiências. As pessoas fazem suas próprias suposições.

O País do Silêncio e da Escuridão

Direção: Werner Herzog, colorido, 85 min., 1971.

Aparentemente este é um documentário sobre surdos-cegos: alguns encontraram refúgio num asilo; outros estão abandonados sem esperança alguma. Num plano mais profundo, o espectador descobre um ensaio fílmico e sensorial sobre a comunicação, que também constitui o momento do devir humano.

How Much Wood Would a Woodchuck Chuck

Direção: Werner Herzog, colorido, 45 min, 1976.

Observações sobre o Campeonato Mundial dos Leiloeiros de Gado, realizado em 1975,em Fort Collins, no Colorado. Herzog observa a ladainha dos leiloeiros, que o leigo mal entende. Para o diretor, a linguagem deles, cujo som lembra o de um berimbau, tem “algo de assustador e fascinante” e poderia “ser a última poesia lírica imaginável”.

A Pregação de Huie

Direção: Werner Herzog, colorido, 42 min., 1980.

Bem no centro do Brooklyn, em uma área decadente, o bispo Huie L. Roger prega no “Greater Bible Way Temple“, e encanta os fiéis com sua paixão. Werner Herzog fascina os fieis com sua impetuosidade. Werner Herzog observa o que ocorre de forma bem tranquila e concentrada, abstendo-se de comentar.

Fé e Moeda

Direção: Werner Herzog, 44 min, colorido, 1980

Há anos, quase que diariamente, o pregador televisivo Dr. Gene Scott se põe diante da câmera pronunciando suas ideias acerca do cristianismo; elas têm como objetivo angariar doações em dinheiro.

Guerreiro e Perpetrador

Medidas Contra Fanáticos

Direção: Werner Herzog, colorido, 12 min., 1969.

Algo estranho acontece na pista de corrida de trotes (em Munique-Daglfing). Tipos quase indefiníveis surgem diante da câmera e afirmam que estariam ali exercendo seu dever de proteger os cavalos dos fanáticos. Porém, não é possível identificar uma ameaça em nenhum lugar.

A Defesa sem Precedentes do Forte Deutschkreutz

Direção: Werner Herzog, p/b, 15 min., 1966.

Quatro jovens invadem uma fortaleza antiga e abandonada e encontram armas, capacetes de aço e uniformes deixados para trás. No início, eles ainda se apropriam dos objetos de forma jocosa, mas a brincadeira ameaça virar algo mais sério. Eles se exercitam, atiram e esperam pelo inimigo, porque “têm que mostrar serviço!“

Ecos de um Império Sombrio

Direção: Werner Herzog, colorido, 87 min., 1990.

Uma busca por pistas de Jean-Bédel Bokassa (1921–1996), o ditatorial presidente e posterior imperador da África Central. O ponto de partida é a investigação do jornalista norte-americano Michael Goldsmith, que no passado por pouco escapara da morte em uma prisão de Bokassa.

O Pequeno Dieter Precisa Voar

Direção: Werner Herzog, colorido, 80 min., 1997.

Com 18 anos de idade, Dieter Dengler tinha deixado a sua cidade natal na Floresta Negra. Ele fora aos EUA para ser piloto. Após desvios pela Força Aérea, chegou à Marinha americana, ficou estacionado como piloto de caça em um porta-aviões, foi convocado para o Vietnã, abatido sobre o Laos e feito prisioneiro. Após uma fuga aventuresca, chegou à Tailândia, e de volta à sua unidade. Werner Herzog observa o homem em sua casa perto de São Francisco (EUA), vai com ele visitar a velha pátria na Floresta Negra e acompanha-o ao extremo Oriente, onde pede que Dieter Dengler reencene as estações de sua fuga. Um adendo póstumo relata o enterro de Dieter Dengler no cemitério dos soldados de Arlington em 2001.

Balada de um Pequeno Soldado

Direção: Werner Herzog, colorido, 45 min., 1984.

Fevereiro de 1984: Em um pedaço de terra distante e de difícil acesso na costa do Atlântico, os índios miskitos lutam contra o exército sandinista. Werner Herzog e o jornalista fotográfico Denis Reichle observam principalmente os soldados-criança nas fileiras dos miskitos.

 Decolagem e Queda

Gasherbrum

Direção: Werner Herzog, colorido, 45 min., 1984.

Em junho de 1984, os dois renomados alpinistas Reinhold Messner e Hans Kammerlander fazem uma expedição incomum. Eles querem conquistar em uma única escalada dois picos de mais de 8000m na Serra de Karakorum, que são o Gasherbrum 1 e o Gasherbrum 2, e isso sem equipamento de oxigênio, sem grande bagagem e sem retorno intermediário ao acampamento de base. Herzog acompanha a expedição até o acampamento de base nas geleiras eternas.

O Grande Êxtase do Entalhador Steiner

Direção: Werner Herzog, colorido, 47 min., 1973/74
Um retrato incomum do ex-campeão mundial de salto de esqui, Walter Steiner. No centro do filme está a competição de Steiner na Semana Internacional de Salto de Esqui na grande rampa de Planica

(Eslovênia) em março de 1974.

O Diamante Branco

Direção: Werner Herzog, colorido, 88 min., 2004
Werner Herzog acompanha o engenheiro aeronáutico Graham Dorrington (Universidade de Londres) à Guiana. Dorrington havia construído um pequeno dirigível com o objetivo de explorar a flora e a fauna das copas das árvores. Ele testa o dirigível próximo às cataratas de Kaieteur. Para o diretor não se trata de uma exploração na busca de conhecimentos biológicos, mas da observação de pessoas em situações extremas.

Além do Azul Selvagem

Direção: Werner Herzog, colorido, 81 min, 2005.

Um extraterrestre relata sua fuga de um planeta congelado em uma galáxia longínqua; discorre sobre as tentativas de se estabelecer na Terra e por fim revela seu conhecimento secreto, conseguido também pela CIA, acerca de uma viagem em direção oposta. Na busca por um novo habitat, cinco astronautas viajam pelo universo e exploram o planeta abandonado, “além do azul selvagem“. Quando retornam após 820 anos, a Terra está inabitada.

 

GRADE DE HORÁRIOS

Semana de 6 a 11 de setembro de 2011

 Terça-feira (6 de setembro)

14:00 – Seminário Fundação Social Itaú (até as 18h)

Mostra Werner Herzog (entrada franca)

19:00 – O Pequeno Dieter (80 minutos)  + Balada de um Pequeno Soldado (45 minutos)

Quarta-feira (7 de setembro)

Mostra Werner Herzog (entrada franca)

15:00 – Além do Azul Selvagem (81 minutos)

17:00 – Sou o que São Meus Filmes – Parte 1  (93 minutos)

19:00 – Sou o que São Meus Filmes – Parte 2 (97 minutos)

Quinta-feira (8 de setembro)

Mostra Werner Herzog (entrada franca)

15:00 – O Diamante Branco (88 minutos)

17:00 – Gasherbaum  (45 minutos) + O Grande Êxtase do Entalhador Steiner (47 minutos)

20:00 – Pré-estreia Além da Estrada (entrada franca)

Sexta-feira (9 de setembro)

Mostra Werner Herzog (entrada franca)

15:00 – Gasherbaum  (45 minutos) + O Grande Êxtase do Entalhador Steiner (47 minutos)

17:00 – Além da Estrada

19:00 – Além da Estrada

Sábado (10 de setembro)

Mostra Werner Herzog (entrada franca)

15:00 – O Diamante Branco (88 minutos)

17:00 – Além da Estrada

19:00 – Além da Estrada

Domingo (11 de setembro)

Mostra Werner Herzog (entrada franca)

15:00 – Gasherbaum  (45 minutos) + O Grande Êxtase do Entalhador Steiner (47 minutos)

17:00 – Além da Estrada

19:00 – Além da Estrada

 

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SERRAS DA DESORDEM

Serras da Desordem representou o retorno de Andrea Tonacci à tela grande após um hiato de 30 anos, período no qual ocasionalmente se dedicou a televisão, e que em nada apaziguou a verve anárquica do diretor dos cultuados Bang Bang e Blablablá. O título Serras da Desordem não apenas indica a região onde a trama se desenvolve, como também serve de analogia as opções estéticas e narrativas tomadas por Tonacci para recriar a história de Carapiru, índio que após o massacre de sua família se tornou um andarilho solitário, empreendendo uma fuga que o manteve isolado de seu povo e da civilização por 10 anos, até ser encontrado em 1987, distante mais de 2 mil quilômetros do local da chacina.

Andrea Tonacci não faz concessões comerciais na recriação deste épico intimista, e desordem é uma palavra chave para acompanhar a trajetória de um homem em estado de completa alienação, isolado de sua cultura, confrontado com uma civilização que não compreende. A montagem, por vezes caótica, da veterana Cristina Amaral é uma artimanha essencial para instigar o espectador, se negando a fornecer respostas fáceis, pois para acompanhar Carapiru também é preciso perder-se.

Para recontar a história Tonacci utiliza um curioso processo, misto de documentário e reconstrução ficcional, utilizando como atores as pessoas que vivenciaram os fatos, inclusive o próprio Carapiru. O velho índio retorna ao local do massacre, visita o vilarejo que o acolheu antes de ser entregue aos cuidados da Funai, e refaz sua trajetória de dor e redenção, que culminou com um deus ex machina tão improvável que só poderia acabar na tela do cinema. Carapiru é encontrado pelo filho que julgava morto, e é reconduzido ao seu povo.

A câmera ubíqua de Tonacci acompanha Carapiru, realçando seu olhar repleto de tristeza, estranheza e ingenuidade diante de uma realidade tão diferente da sua. Serras da Desordem, mais do que uma análise do destrutivo processo de aculturação a que foram submetidos

Tonacci e eu Sala PF Gastal junho de 2007

os povos indígenas, é a história de uma vida devastada, a trajetória de um indivíduo sobrevivendo em meio ao caos silencioso da solidão e da exclusão cultural. O diretor Andrea Tonacci, oriundo do provocativo cinema marginal dos anos 60, não facilita para o espectador, e a história de Carapiru é narrada de forma fragmentada, desordenada, mas não tão caótica quanto o processo de civilização imposto à cultura indígena.

É compreensível o interesse de Tonacci pela figura peculiar de Carapiru, afinal ambos de certa forma estiveram isolados, mesmo que em limbos distintos, por um longo período, involuntariamente impedidos de exercitar uma vital necessidade de expressão. Carapiru retornou para seu povo e Tonacci às telas de cinema, e seu retorno, após uma inexplicável ausência de 30 anos que não lhe domou o gênio anárquico, foi laureado com o Kikito de Ouro no Festival de Gramado em 2006.

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UM HOMEM DOMINADO POR SUAS OBSESSÕES

O cineasta alemão Werner Herzog, seja na ficção ou no documentário, sempre utilizou sua câmera como uma arma para dissecar os conflitos internos de suas personagens. A ganância e o progressivo enlouquecimento de Klaus Kinski em Aguirre, A Cólera dos Deuses, ou o processo que vai da total alienação do mundo ao

Werner Herzog

desabrochar da consciência pelo qual passa Bruno S, em O Enigma de Kaspar Hauser, são exemplos de seu cinema intimista e anárquico, que reflete tanto a construção  como a diluição do indivíduo.

Em O Homem Urso, Herzog volta suas lentes de documentarista para a trágica história do ambientalista amador Timothy Treadwell, que passou treze verões consecutivos em companhia de ursos pardos no Alasca, até ser, junto com sua companheira Amie Huguenard, pateticamente devorado por um deles. É compreensível o interesse de Herzog pela desastrada empreitada de Treadwell, que sintetizou em vida os paradoxos ficcionais do cineasta alemão.

Quando decidiu dedicar sua vida à proteção dos ursos pardos, Timothy Treadwell acabou abdicando de uma parcela de sua humanidade. Vitima de sua misantropia, ele idealizou em seu refugio no Alasca um mundo perfeito, ao qual considerava menos selvagem e cruel do que o dos humanos. Porém, ao envolver-se de forma tão passional com sua causa, Treadwell traçou o caminho de sua destruição quando ultrapassou os limites de sua própria natureza, e passou a também considerar-se…um urso!

Para tentar desvendar as motivações que levam um homem a renegar a civilização, para embarcar de corpo e alma em uma insana causa ecológica, além de entrevistas com amigos íntimos e especialistas ambientais, onde não faltam comentários que vão da paixão ao puro sarcasmo, Herzog utilizou trechos das mais de cem horas de gravações realizadas pelo próprio Treadwell.

As gravações, que eram utilizadas para educar principalmente as crianças sobre o perigo de extinção dos ursos pardos, revelam, não um destemido protetor da natureza, mas um homem com a mente fragmentada, incapaz de discernir entre a realidade e o mundo selvagem inocentemente idealizado por ele. As imagens retratam o amadorismo de suas ações, prevendo a inevitável tragédia, pois Treadwell lidava com ursos ferozes de quase três metros de altura como

Timothy Treadwell

se fossem ursinhos de pelúcia; e como conseqüência, em outubro de 2003, ele e sua namorada foram vorazmente devorados por um dos ursos que protegiam. Durante sua morte a câmera, apesar da lente estar encoberta, permaneceu ligada, e o áudio captou toda a sua agonia. Um dos momentos de maior impacto de O Homem Urso ocorre quando Herzog ouve o registro. O áudio real não chega aos ouvidos do público, e escutamos apenas a narração hesitante de Herzog, que em determinado momento silencia, e sua reação ao conteúdo da fita é o suficiente para traduzir todo o horror ali contido.

Por ter em mãos um material perigosamente ambíguo, que poderia render um festival de escatologia e sensacionalismo, o diretor optou por não expor graficamente o funesto resultado da empreitada, e centrou-se nos depoimentos, que rendem desde momentos de pura perplexidade até acessos involuntários de humor negro, gerados principalmente pela presença do insólito legista que cuidou do caso.

Timothy Treadwell e Amie Huguenard

A controversa figura de Timothy Treadwell, independente do julgamento de seus atos, rendeu para Herzog mais do que um documentário sobre homens e ursos, ou sobre uma tragédia anunciada; o diretor concebeu uma dramática análise sobre a natureza, humana e animal, e organizou uma excursão por uma região mais selvagem e desconhecida que o gélido Alasca…a mente de um homem que se deixou dominar por suas obsessões.

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