Arquivo do mês: julho 2010

HOUSE OF THE WOLF MAN

Apesar de não ser um fenômeno recente, produzir obras emulando esteticamente determinados gêneros cinematográficos tornou-se algo freqüente na última década, ainda mais após Robert Rodriguez e Quentin Tarantino terem auxiliado a popularizar ainda mais essa ferramenta de linguagem após investirem no universo exploitation dos cinemas Grindhouse. Mel Brooks e Carl Reiner, por exemplo, já haviam explorado com perfeição este recurso em filmes como O Jovem Frankenstein (1974) e Cliente Morto Não Paga (1982), sátiras que se apropriavam de elementos, tanto do horror como do cinema noir, para gerar obras divertidas e originais. Hoje é comum jovens diretores utilizarem este processo para realizar verdadeiros tributos aos seus filmes e gêneros prediletos (e em alguns casos, soam mais como uma fotocópia defeituosa do que uma homenagem), seja Rob Zombie exercitando sua obsessão com a sordidez do cinema dos anos 70 em A Casa dos Mil Corpos (2003) e Rejeitados Pelo Diabo (2005), ou mais recentemente Ti West revisitando o horror oitentista em A Casa do Demônio (2009). Porém, um dos melhores exemplares produzidos nesta década continua sendo The Lost Skeleton of Cadavra (2001), uma impagável homenagem a ficção cientifica dos anos 50 dirigida por Larry Blamire.  A mais nova produção a canibalizar esteticamente um gênero é House of the Wolf Man, de Eben McGarr. O diretor chamou alguma atenção com a produção independente Sick Girl (2007), e agora volta seu olhar para o ciclo dos clássicos filmes de horror da Universal. Se o resultado final será uma piada de gosto duvidoso, ou um tributo divertido e sincero aos filmes da Universal, ainda tenho minhas dúvidas, mas uma coisa é certa, o trailer captou de forma sensacional a atmosfera tétrica e ingênua do horror daquele período. Assistam o trailer e julguem vocês mesmos se vale a pena apostar algumas fichas em Eben McGarr.

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CAMPANHA ADOTE UM MACACO BRASILEIRO

“Gravar no Brasil foi bom, porque nós pudemos matar pessoas, explodir tudo e eles diziam ‘obrigado’. Eles diziam ‘obrigado, e tome aqui um macaco para levar para casa” (Sylvester Stallone)

Aderindo a campanha lançada por Leopoldo Tauffenbach em seu blog Cine Demência. Adote você também um pobre símio brasileiro!

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VI FANTASPOA- O FIM DE MAIS UMA JORNADA FANTÁSTICA

Vida e Morte de Uma Gangue Pornô Melhor Filme VI FANTASPOA

Os quase cinco mil espectadores que assombraram as sessões do VI FANTASPOA, não apenas consagraram a popularidade do festival como auxiliaram a contrariar a alardeada falta de interesse do público brasileiro pelo cinema de gênero.  A presença de um título representativo como o clássico 4 Moscas Sobre Veludo Cinza de Dario Argento, e de produções contemporâneas consistentes como Vida e Morte de Uma Gangue Pornô, Amargo, A Porta, O Legado Valdemar e O Cavaleiro, além da participação de realizadores como o veterano e folclórico diretor italiano Luigi Cozzi, e de novos talentos como Eli Craig, confirmaram a importância e a maturidade do festival.

Luigi Cozzi está longe de ser um dos meus diretores prediletos, mas alguns de seus filmes fizeram parte de minha infância e sobreviveram em minha memória afetiva, como Hércules, com Lou Ferrigno, que assisti no saudoso Cine Marabá nos anos 1980.  Além disso, Cozzi escreveu em parceria com Antonio Tentori o livro Guida Al Cinema Horror Made In Italy, uma obra indispensável para os fãs do gênero; e agora tenho o orgulho de possuir um exemplar devidamente autografado. As sessões comentadas de Starcrash e Paganini Horror, independente da qualidade destas obras, foram pontos altos do festival, onde o simpático Cozzi revelou particularidades sobre como se produzia cinema de gênero na Itália nos anos 70 e 80, e brindou os

Luigi Cozzi e Eu

cinéfilos presentes com divertidas histórias de bastidores, as mais curiosas envolvendo o mítico ator Klaus Kinski, com quem trabalhou em Nosferatu em Veneza. Outras figuras que esbanjaram simpatia foram o produtor Paul Barrett, representante do competente e divertido Armazenagem a Frio, e que por minha culpa foi embora com uma violenta ressaca de cachaça (sorry Paul), e o demente Eli Craig, que conquistou o público com seu Tucker & Dale Contra o Mal. Craig também foi minha vitima, pois além lhe apresentar os sabores e dissabores da boa e velha cachaça brasileira, ainda teve de me aturar lhe sacaneando pelo fato dele ter atuado no intragável A Maldição de Carrie. Segundo ele, foi por causa deste filme que ele repensou sua carreira de ator e resolveu investir na direção. Fiquei tentado a fazer graça com o fato de ele ser filho da Sally “Noviça Voadora” Field, mas o bom senso venceu minha alcoólica verve sarcástica.

Porém, outro diretor convidado, o belga Marc Goldstein, não se revelou uma companhia tão aprazível. Visivelmente descontente com o resultado final de seu Glenn, O Robô Voador, o diretor vagou pelo festival com ar deprimido, fazendo pouco esforço para gerar alguma simpatia, e o debate após seu desastroso filme apenas espelhou seu estado de espírito. Revelando insegurança, Marc respondeu algumas perguntas sem o menor entusiasmo ou humor, tornando o debate tão tedioso quanto o seu filme.

Apesar de A Centopéia Humana ter sido a grande sensação do festival, com ingressos disputadíssimos em sessões lotadas (com pessoas sentadas no corredor da sala de exibição), o prêmio de melhor longa-metragem pelo voto do público, contrariando as expectativas, foi para o hilário Eu Vendo os Mortos. Assim, no gosto popular o humor negro escrachado venceu qualquer investida séria na morbidez e na bizarria. Na correria do festival, onde alguns filmes monopolizaram o interesse da platéia, infelizmente algumas obras não tiveram o devido reconhecimento por parte do público, como foi o caso da inventiva e hilária space-opera-western-comédia musical de baixo orçamento Stingray Sam. Uma verdadeira pérola de originalidade, escrita, dirigida e produzida pelo americano Cory McAbee. No entanto, outros filmes foram surpresas mais do que desagradáveis, como os patéticos A Morte de Alice Blue e A Aposta, mas nada supera a mediocridade do filme surpresa Bikini Girl on Ice, dirigido pelo canadense Geoff Klein. Raramente eu me retiro de uma sessão de cinema antes do final, por mais desprezível que a obra seja, mas esta realmente testou os meus limites. E não se deixem enganar pelo título sugestivo, qualquer produção exibida no Cine Prive gera mais diversão do que este tedioso e pudico slasher canadense.

Outra obra que merece um olhar mais atento é 8th Wonderland, um curioso thriller que mescla ficção, política e humor negro para discutir as possibilidades e as conseqüências do uso da tecnologia como arma ideológica e de conscientização política. The Uh-Oh Show, o mais novo atentado cinematográfico de Herschell Gordon Lewis dividiu a platéia. Muitos se divertiram com o gore fake e pra lá de absurdo, outros o consideraram o filme mais retardado que já assistiram, e que “um gorila teria dirigido melhor”, e eu que nunca fui um grande fã do velho Herschell, sinceramente, não esperava nenhuma obra prima, porém, a presença de Lloyd Kaufman como um gigolô garantiu algumas risadas.

No fim das contas o saldo foi mais do que positivo, mas um dos fatores mais benéficos do festival ocorreu fora das telas, a reunião de pessoas absolutamente fascinadas pelo cinema fantástico, que após as sessões proporcionaram debates instigantes e acalorados, regadas com muita cerveja e cachaça nos botecos da Cidade Baixa. Foi um prazer imenso rever velhos amigos e conviver por alguns dias com pessoas como Carlos Primati, Beatriz Saldanha, Laura Cánepa, Leandro Caraça, Marcelo Carrard, Felipe Guerra, e os comparsas de sempre, Thomaz Albornoz, Severo, Villaverde, Blob, Ghiorzi, Vasco, entre outros apaixonados pelo gênero. Agora é só aguardar pela próxima jornada…

Eli Craig, Ghiorzi e eu

Premiação VI FANTASPOA

Júri Popular:

Melhor Curta-metragem Nacional Live-Action: Animal Menor, de Pedro Harres e Marcos Contreras

Melhor Curta-metragem Nacional Animação: Anjos no Meio da Praça, de Alê Camargo & Camila Carrossine

Melhor Curta-metragem Internacional Live-Action: Cabuleros, de Damian Slipoi

Melhor Curta-metragem Internacional Animação: Le Petit Dragon, de Bruno Collet

Melhor longa-metragem: Eu Vendo os Mortos, de Glenn McQuaid

Júri Oficial

Curtas-metragens:

Melhor Curta-metragem Nacional Live-Action: Mapa-Múndi, de Pedro Zimmermann

Melhor Curta-metragem Nacional Animação: O Jumento Santo, de Léo D. & William Paiva

Melhor Curta-metragem Internacional Live-Action: El Nunca lo Haría, de Anartz Zuazua

Melhor Curta-metragem Internacional Animação: Alma, de Rodrigo Blaas

Longas-metragens

Fantástico Mundo Animado:

Uma Noite na Cidade, de Jan Balej

Competição Internacional

Menções Honrosas:

Produção de baixo-orçamento: Recortadas, de Sebastian de Caro

Banho de Sangue: Massacre Esta Noite, de Ramiro & Adrián García Bogliano

Scream Queen: Julie Estelle (Macabro)

Contribuição Artísticas: Bruno Catet & Helene Forzani (Amargo)

Prêmios Oficiais:

Roteiro: Konstantin Lopushansky, Vyacheslav Rybakov (Os Cisnes Feios)

Efeitos Especiais: Reyes Abades (O Legado Valdemar)

Atriz: Olga Fedori (Mamãe e Papai)

Ator: Peter Marshall (O Cavaleiro)

Diretor: Eli Craig (Tucker & Dale Enfrentam o Mal)

Melhor Filme: Vida e Morte de uma Gangue Pornô, de Mladen Djordjevic

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PRIMEIRO TEASER DE A NOITE DO CHUPA CABRAS

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