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A VINGANÇA DOS FILMES B- PARTE 3

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Foto do Cartaz: Priscila Poletti e Diego Bertoldi
Arte final: Marcelo Lim

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02/12/2013 · 1:30

A VINGANÇA DOS FILMES B-PARTE 3

A VINGANÇA DOS FILMES B- PARTE 3

“A vingança nunca é plena…mas pode ser divertida”

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 De 13 a 15 de dezembro a Sala P.F.Gastal (3° andar da Usina do Gasômetro) sedia a terceira edição da mostra A Vingança dos Filmes B. Concebida em 2011 para servir de vitrine para produções que flertam com o cinema de gênero, a mostra chega ao seu terceiro ano consecutivo se consolidando como um território destinado a divulgação e ao resgate de filmes independentes, produções de baixo orçamento e outros delírios fílmicos, buscando incentivar o público a dialogar com obras que dificilmente encontram espaço nas telas dos cinemas comerciais. Filmes repletos de horror, ação, anarquia, humor e demência, ocupando um mesmo espaço sem restrições quanto ao seu orçamento ou suporte de realização.

O filme de abertura desta edição será o documentário Desagradável, produção que retrata a conturbada trajetória da mítica banda carioca Gangrena Gasosa e sua explosiva mistura de macumba, irreverência e heavy metal. A banda criou o conceito de saravá metal lançando  álbuns agressivos e iconoclastas como Welcome to Terreiro (1993) e Smells Like Tenda Spirita (2000). O diretor paulista Fernando Rick estará presente na mostra para realizar um debate após a sessão.

Fernando Rick tem se destacado entre os realizadores independentes paulistas, sendo também responsável pelo documentário “Guidable: A Verdadeira História do Ratos de Porão”, pelo premiado curta “Ivan”, e pelo violento e polêmico “Coleção de Humanos Mortos”.

Três longa-metragens presentes na mostra ajudam a fortalecer e ampliar as possibilidade de se realizar cinema de horror no Brasil, “Mar Negro”, de Rodrigo Aragão, “Nervo Craniano Zero”, de Paulo Biscaia e “Zombio 2- Chimarrão Zombies”, de Petter Baiestorf.

A Sessão Shot or Die apresenta três produções realizadas com pouco, ou nenhum dinheiro, tendo como incentivo apenas a paixão pelo cinema. Obras com orçamento limitado e criatividade de sobra.

A sessão Malditos Curtas reúne obras de diversos estados brasileiros, constituindo um mosaico representativo da atual produção de cinema de gênero no país. Jovens realizadores investindo em filmes de ação, horror, suspense e ficção científica, injetando sangue novo nas veias do cinema brasileiro.

E por fim, a Sessão Sala Especial é dedicada ao grupo de anárquicos comediantes capixabas da TV QUASE. Unidos por Gabriel Labanca (falecido prococemente aos 30 anos, em 2012) a trupe formada pelos dementes Daniel Furlan, Juliano Enrico, Raul Chequer e Klaus Berg, iniciou a mais de 10 anos o projeto de humor multimidia QUASE. O projeto que começou como uma revista em quadrinhos migrou para o youtube, e agora começa a semear seu humor nonsense e sua insolência também na tv aberta. A sessão exibirá além do curta Loja de Inconveniências: A Maldição do Caipora, diversos sketches e a homenagem Labanca Eterno.  E para melhor compreender o que é a QUASE, uma definição do próprio grupo: “Ilogia, delírios, blasfêmia, alucinações, inadequação afetiva, piru, negligência social, devaneio permanente, incoerência, travestismo, cocô, agressividade, mau humor e quadrinhos”.

Sejam bem vindos à Vingança dos Filmes B- Parte 3

(Cristian Verardi- organizador)

APOIO: The Raven / Dirty Old Man / Secretária Municipal de Cultura de Porto Alegre / SalaP.F.Gastal
GRADE DE PROGRAMAÇÃO

 Longas:

Desagradável (2013 / 120 minutos), de Fernando Rick / A banda Gangrena Gasosa tornou-se um mito do underground carioca com a sua inusitada mistura de heavy metal com elementos de umbanda. O documentário aborda a anarquica trajetória da banda em seus 20 anos de existência. Uma história repleta de confusões, estranhas maldições e muito “saravá metal”. (Após a sessão debate com o diretor Fernando Rick)

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Mar Negro (2013 / 100 minutos), de Rodrigo Aragão. Com: Walderrama dos Santos, Mayra Alarcon, Cristian Verardi  / Após se depararem com uma estranha criatura marítima, dois incautos pescadores levam sem saber a morte e a destruição para uma pequena vila à beira mar. Zumbis, demônios, e criaturas mutantes orquestram um dantesco banho de sangue e vísceras. Alucinante desfecho da trilogia iniciada por Rodrigo Aragão em 2008 com “Mangue Negro” (2008), e seguida por “A Noite do Chupacabras” (2011).  Selecionado para festivais como: SITGES Film Festival (Esp) / Morbido (Mex) / Montevideo Fantastico (Ury) / Festival do Rio 2013 (Bra) / Rojo Sangre (Arg)

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Zombio 2- Chimarrão Zombies (2013 / 83 minutos), de Petter Baiestorf. Com: Airton Bratz, Coffin Souza, Gisele Ferran, Gircius Gewdner / Uma pequena comunidade interiorana sofre uma estranha epidemia após consumirem a erva-mate Cronenberg. Um grupo tenta sobreviver em meio ao caos provocado pela invasão de mortos-vivos e outros seres raivosos. Irreverente mistura de horror, humor e sexploitation nesta sequência direta de Zombio (1999), do cultuado diretor independente Petter Baiestorf. (Censura 18 anos). Selecionado para festivais como: SITGES Film Festival (ESp) /  Montevideo Fantastico (Ury)

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Nervo Craniano Zero (2012 / 88 minutos), de Paulo Biscaia. Com: Guenia Lemos, Uyara Torrente, Leandro Daniel Colombo / Uma escritora ambiciosa e um neurocirurgião obcecado utilizam uma ingênua garota como cobaia em um experimento perigoso. Um chip é instalado em seu cérebro afetando o “nervo craniano zero”, o resultado da experiência foge ao controle, gerando consequências nefastas. Prêmio de melhor direção no New Orleans Horror Film Festival 2012 (EUA) / Melhores efeitos de FX no Thriller Chiller Festival 2012 (EUA)

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Curtas:

Distúrbios, Palavrões e Batidas de Carro (2013 / 38 minutos), de Cláudio Guidugli / Jovem apaixonado por prostituta planeja uma ação para assassinar o próprio pai, mas assaltantes desastrados, um psicopata estuprador e um homem com um acesso de fúria após um acidente de carro, transformam o crime perfeito num desastre sanguinolento. Ação, humor negro e drama familiar numa produção independente filmada na pequena cidade de Roca Sales (RS) com orçamento zero, utilizando apenas uma câmera cybershot e muita criatividade.
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You Bitch Die
(2009 / 3 minutos), de Lucas Sá / Traição, vingança e morte. Ela traiu o homem errado, e agora vai pagar com o próprio sangue!

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Filmes São Seus Amigos (2 minutos), de Gurcius Gewdner: Com Raissa Vitral: O diretor independente Gurcius Gewdner faz um procunciamento importante: Filmes são seus amigos!
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A História de Lia (2010 / 13 minutos), de Rubens Mello / Lia é uma adolescente que vive num lar doentio e violento. Para fugir de sua cruel realidade ela se envolve com um grupo de jovens marginais. Porém, uma tragédia é desencadeada quando ela é possuída por sua amiga invisível.

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Rise Weirdo Army (2012 / 4 minutos), de Francis K / Monstros gigantes, kung fu e rock’n’roll, no melhor estilo Damn Laser Vampires.

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Catalogárgula (2013 / 5 minutos), de Lucas Neris / Hélio é um homem peculiar que tira fotos de tudo à sua volta, dando uma conotação própria e estranha aos objetos que o cercam.

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Belphegor (2013 / 6 minutos), de Ricardo Ghiorzi / Nem mesmo a santidade está a salvo diante da presença do mal.

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Tate Parade (2012 / 10 minutos), de Marja Calafange / Sharon Tate volta do além para vingar sua morte e salvar o seu bebê. Uma vingança com sabor de melância.

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O Membro Decaído (2012 / 18 minutos), de Lucas Sá / Um homem vaga a esmo. O destino lhe reserva um caminho de sangue.

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Encosto (2013 / 7 minutos), de Joel Caetano / Um ritual de magia negra não ocorre com o esperado. Qual o preço a pagar pelos seus desejos?

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O Matador de Bagé (2013 / 15 minutos), de Felipe Iesbick / Assis. Matador Profissional. Quinze anos consecutivos o número um de Porto Alegre. Até a chegada de Assunção. (Prêmio de melhor curta da Mostra Gaúcha do Festival de Gramado)

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Estrela Radiante (2013 / 25 minutos), de Fabiana Servilha / Após encontrar um estranho objeto caído dos céus, um homem tem a sua vida modificada quando começa a sofrer estranhas mutações.

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 Paulo e Ana Luiza em Porto Alegre (1998 / 15 minutos ), de Rogério Brasil Ferrari / Um casal portoalegrense com um gosto peculiar pelos prazeres da carne.  Sexo, gastronomia e assassinato num clássico do cinema gore gaúcho.

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Sessão Sala Especial: TV Quase: Loja de Inconveniências: A Maldição do Caipora (2013), de Juliano Enrico /   Jairo só queria entrar em qualquer loja para comprar cigarros. Mas esta não é qualquer loja. E Seu Argemiro é qualquer coisa, menos qualquer vendedor. Aqui ele tenta convencer Jairo a fumar menos, além de alertá-lo para a perigosa criatura que espreita nas profundezas da floresta. (curta seguido de sketches da trupe de comediantes da TV Quase e homenagem póstuma ao humorista Gabriel Labanca). Total: 60 minutos.

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 GRADE DE HORÁRIOS

 13 de Dezembro

20h- Encosto (7’) + Desagradável (120’). Total: 127 minutos (Após a sessão debate com o diretor Fernando Rick)

 14 de Dezembro

15h- Sessão Maldita Matinê I- Filmes São Seus Amigos (2’) + Zombio 2- Chimarrão Zombies (88’). Total: 90 minutos

 17h- Sessão Shot or Die: You Bitch Die (3’ + História de Lia (13’) + Distúrbios, Palavrões e Batidas de Carro (38’). Total: 54 minutos

 20h- Sessão Malditos Curtas: Rise, Weirdo Army (4’) + Catalogárgula (5’) + Belphegor (6’) + Tate Parade (10’) + O Membro Decaído (18’) + O Matador de Bagé (15’) + Estrela Radiante (25’) + Paulo e Ana Luiza em Porto Alegre (15’). Total: 98 minutos. (Após a sessão debate com os realizadores)

 15 de Dezembro

15h- Sessão Sala Especial: TV Quase: Loja de Inconveniências: A Maldição do Caipora + sketches + Homenagem a Gabriel Labanca) (60’)

17h- Sessão Maldita Matinê II – Nervo Craniano Zero (88’)

 19h- Mar Negro (100’)

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A VINGANÇA TEM GROOVE- COFFY!

“She had a body men would die for – and a lot of them did!”

Após sua irmã ficar gravemente incapacitada  devido ao vício em heroína, Coffy (Pam Grier), cansada de lidar com o descaso da justiça, decide buscar vingança infiltrando-se no submundo do crime. Coffy mergulha no universo sórdido do tráfico e da prostituição, abandonando a pacata vida de enfermeira para transformar-se numa vigilante implacável, eliminando sumariamente quem ela julga responsável pela destruição da única pessoa a quem amava. A situação se complica quando o seu plano de retaliação começa a afetar os negócios da máfia local, além de ameaçar expor o envolvimento de políticos e policiais com o tráfico de drogas.

A parceria entre o diretor Jack Hill e Pam Grier, que gerou quatro filmes entre 1971 e 1974, revelou-se uma combinação perfeita como fósforo e gasolina. Durante os anos 1970 poucos diretores souberam explorar com tanta perspicacia a versatilidade de Grier, uma atriz com mais talentos a oferecer do que apenas sua beleza e sensualidade petulante. Jack Hill tornou-se um mestre em conceber filmes baratos com rapidez e eficiência, qualidades aperfeiçoadas durante o período em que trabalhou diretamente com Roger Corman na AIP. A violenta trama de vingança de Coffy, uma produção modesta financiada pela American International Pictures no auge da onda dos filmes blaxploitation, tornou-se de imediato um sucesso popular. Numa época em que conflitos raciais ainda ecoavam pelos EUA, e os movimentos feministas clamavam por direitos, uma mulher negra e determinada fazendo justiça com as próprias mãos onde  o sistema falhara, assumia automaticamente tons políticos, por menos ideológica que fosse a verdadeira proposta do filme.

A única motivação real para Jack Hill era conseguir realizar bons filmes de ação com o dinheiro escasso que tinha em mãos, sendo hábil em burlar suas deficiências orçamentárias orquestrando cenas empolgantes com uma inventividade cruel. A seqüência de abertura, onde Pam Grier seduz um cafetão para em seguida explodir sua cabeça com um disparo de espingarda ainda causa impacto, e revela que estamos diante de uma personagem que ultrapassou todos os seus limites morais, e que levará seus atos até as últimas conseqüências. Num dos momentos mais memoráveis do filme, após ser provocada em uma festa por uma garota de programa, que lhe derruba uma bandeja de drinks sobre a cabeça, Coffy vai ao banheiro, se recompõe, recheia o seu cabelo black power com gilletes e retorna para iniciar uma briga homérica, onde esbofeteia, esmurra, chuta e nocauteia diversas adversárias, que no ato de tentarem lhe agarrar pelos cabelos acabam se ferindo severamente. Sid Haig, outro ator costumaz na obra de Hill, é o capanga estuprador Omar, mais um personagem sádico na sua extensa galeria de vilões. Através de Rob Zombie, Sid Haig voltaria a ficar em evidência para uma nova geração através do carismático psicopata Captain Spaulding de A Casa dos Mil Corpos (2003) e Rejeitados Pelo Diabo (2005).

Após o sucesso de Coffy,  Samuel Z. Arkoff, o famigerado produtor da American International Pictures, um especialista em filmes B, percebendo o potencial comercial da dupla investiu em outro projeto de Hill, e menos de um ano depois estreava nas telas Foxy Brown (1974), filme que consolidou a carreira de Grier e a transformou num ícone do cinema blaxploitation.  Em 1997  Quentin Tarantino prestou reverência ao trabalho de Jack Hill e ao cinema blaxploitation ao realizar Jackie Brown com Pam Grier no papel título.

Sobre este período Jack Hill desabafou,  “a indústria não tinha nada além de desprezo pelos filmes em que trabalhávamos. Havia muito racismo na industria, uma pequena porção estava apenas na superfície, mas havia. E os executivos dos estúdios realmente tinha desprezo pelo público para o qual estavam fazendo filmes. Foi uma grande batalha tentar fazer algo realmente bom“.

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THE RAID- REDEMPTION

Exibido no Festival do Rio em 2011 com o título “Batida Policial”, o filme indonésio “The Raid- Redemption” (Serbuan Maut, 2011), vem sendo recebido com entusiasmo pelos fãs do cinema de ação. Tal empolgação se justifica plenamente durante os 100 minutos em que o diretor Gareth Evans desenvolve uma trama onde a violência desenfreada é orquestrada com uma inventividade cruel, em que poucos instantes são dados para os personagens e o público recuperarem o fôlego.

No começo da década de 1990, oriundo de Hong Kong, o diretor John Woo, antes de ser cooptado por Hollywood, redefiniu o gênero com o balé de balas visto em obras como “The Killer”, “Fervura Máxima” e “Bala na Cabeça”, em 2003, o filme “Ong-Bak – Guerreiro Sagrado”, de Prachya Pinkaew, colocou em evidência o muay thai e o efusivo cinema de ação da Tailândia, encabeçado pelo artista marcial Tony Jaa, e agora chegou a vez da Indonésia com “The Raid- Redemption”, dar mais uma amostra de que o cinema americano, preso as formalidades burocráticas da indústria, a muito tempo perdeu a supremacia do gênero para as produções asiáticas.

As insanas produções de artes marciais asiáticas, desde os anos 1970 esbanjavam criatividade, apesar de lutarem também com a precariedade técnica, porém nas últimas décadas atingiram um alto nível de excelência em suas produções, tornando o seu cinema competitivo em qualidade com as produções norte americanas. A diferença é que enquanto um se preocupa em agradar a platéia adolescente (com produções diluídas para obter o selo PG 13), o outro faz filmes para um público de ação consciente de que além da estética cinematográfica, facas cortam, ossos quebram e a carne sangra.

A trama de “The Raid- Redemption” é tão simples quanto eficiente. Um batalhão de elite de Jacarta precisa invadir um prédio, situado num bairro barra pesada, para prender um chefe do narcotráfico. O problema é que o edifício é habitado por toda espécie de sociopata do submundo do crime, e a cada andar que avançam os policiais enfrentam um sangrento embate, mas não tarda para perceberem  que estão encerrados numa armadilha mortal de 30 andares. Encurralados, os policiais combatem a horda de assassinos num desesperador jogo de sobrevivência, onde quando a munição termina, golpes de faca, machado, e até cadeiras, são utilizados para dizimar os adversários. O jovem oficial Rama (Iko Uwais), tem motivações pessoais para ter aceito a missão, e suas habilidades nas artes marciais serão necessárias para empilhar corpos no meio do caminho até chegar ao seu objetivo. A missão de captura, além de desastrosa aos poucos vai se revelando não tão nobre quanto pensavam, mas quando o sangue começa a jorrar, é tarde demais para recuar.

Iko Uwais é um exímio atleta também na vida real, sendo campeão nacional de Silat, tradicional arte marcial da Indonésia. Foi Uwais quem coreografou as impressionantes seqüências de luta, uma verdadeira dança da violência, em que é impossível não imaginar quantos dublês saíram do set de filmagem direto para o hospital. E o anúncio de uma clínica de traumatologia nos créditos finais só reforça essa idéia. As seqüências envolvendo armas brancas são coreografadas de forma impressionante, e mesmo com a edição ágil envolvendo os golpes rápidos, o espectador não é poupado dos detalhes mais sangrentos. As sequências onde Rama luta com diversos oponentes munidos com facões em um corredor apertado, ou a tensa tentativa de fuga onde um caminho entre os andares é desbravado à machadadas, são dolorosamente prazerosas de se assistir.

Gareth Evans é um diretor com apenas outro longa em seu currículo, “Merantau” (2009), também com o lutador Iko Uwais no elenco, porém o seu exercício de direção demonstra que apesar da evidente euforia de um jovem diretor, ele possuí um impressionante domínio na concepção dos planos, uma decupagem digna de um veterano de olhar apurado.

Histórias com homens encurralados, pressionados a se transformarem em bestas para sobreviver a qualquer custo não são novidade, mas devido a sua natureza complexa sempre podem render excelentes frutos, e não faltam bons exemplos, Sob o Domínio do Medo, Duro de Matar, Território Inimigo, Assalto a 13° DP. Assim “The Raid” se une a uma bela estirpe de filmes sob o signo da crueldade.

O fato é que está modesta produção da Indonésia chamou a atenção do mercado americano, tendo seus direitos de exibição adquiridos pela Sony/Columbia. O filme estreou nos E.U.A ocupando 700 salas de cinema , lucrando mais de dois milhões em 10 dias, algo notável para um filme de ação B asiático.  Uma porrada certeira na cara dos grandes estúdios.

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A VINGANÇA DOS FILMES B: UMA SESSÃO INSANAMENTE DIVERTIDA!

Esq. p/ dir: Verardi, Gurcius, Baiestorf, Joel Caetano, Cesar Souza, Valderrama dos Santos, Insekto, Laura Cánepa, Felipe Guerra e Filipe Ferreira

Em meio a tantos eventos de cinema bacanas que estavam rolando simultaneamente em Porto Alegre na fria e chuvosa tarde de 02 de julho, fiquei surpreso com o excelente público que compareceu na Sala P.F. Gastal para prestigiar a primeira edição da mostra “A Vingança dos Filmes B”.  Agradeço ao público por ter embarcado e se divertido conosco nesta sessão insana, e aos realizadores presentes pelo diálogo franco (e por vezes hilário) sobre as possibilidades, e dificuldades surreais de se produzir cinema independente e de baixo orçamento no Brasil.  Aguardem para breve “A Vingança dos Filmes B- Volume 2”.

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A VINGANÇA DOS FILMES B!

 

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SESSÃO “A VINGANÇA DOS FILMES B!”

Estranha

Sobrevivendo às margens do cinema mainstream, as produções independentes de baixo orçamento, além das óbvias dificuldades financeiras de realização, sempre lutaram contra um sistema de distribuição dominado por monopólios, e por vezes com a incompreensão de um público acostumado a uma estética cinematográfica culturalmente imposta pelos grandes estúdios. Durante anos a falta de um mercado exibidor adequado ocasionou o isolamento destas produções em guetos cinéfilos, o que invés de enfraquecer, auxiliou a reforçar o seu caráter de independência, fomentando uma espécie de cinema orgânico, criativo e livre de amarras impostas pelos padrões mercadológicos, possibilitando tanto a experimentação anárquica como a reprodução antropofágica de conceitos tradicionais do cinema de gênero. Na última década a ascensão das mídias digitais possibilitou o acesso facilitado aos meios de produção e exibição, dando maior visibilidade a obras que até poucos anos atrás estariam restritas a um pequeno grupo de cinéfilos.

Esta breve mostra intenciona levar para a tela da Sala P.F. Gastal um grupo de realizadores que ainda luta bravamente por seu espaço no mercado exibidor, ou simplesmente busca encontrar o seu público. Apesar dos diferentes formatos de linguagem, proposta e produção, as obras selecionadas têm em comum, além do baixo (ou zero) orçamento, o diálogo franco e apaixonado com o cinema de gênero, seja investindo no thriller policial ou no horror, ou anarquizando com a tradição dos westerns e dos musicais, ou até mesmo captando uma simples conversa entre dois cinéfilos embriagados. A exibição na tela de um cinema é uma pequena vingança dos filmes B contra um sistema atrelado aos vícios mercadológicos e estéticos da indústria cultural, ou como diria Petter Baiestorf “um grito de guerra dos que nada tem e tudo fazem, contra os que tudo tem e nada fazem”.

(Cristian Verardi- Curadoria)

Sala P.F. Gastal (3° andar da Usina do Gasômetro), sábado, 02 de julho, 17h. Após a sessão debate com os realizadores, Petter Baiestorf, Felipe Guerra, Joel Caetano, Filipe Ferreira e Gustavo Insekto. O debate será moderado pela Profa. Dra. Laura Cánepa (UAM).  ENTRADA FRANCA.

A VINGANÇA DOS FILME B!

Exorcistas, de Luis Gustavo “Insekto” Vargas (RS, Brasil, 2011, 7 minutos). Com Doutor Insekto e Paulo “Blob” Teixeira.

Dois amigos em uma noite de tédio, bebem, fumam, e elaboram teorias sobre o filme “O Exorcista”, de William Friedkin.

Exorcistas

Extrema Unção, de Felipe Guerra (RS, Brasil, 2010, 19 minutos). Com Rodrigo M. Guerra, Oldina Cerutti do Monte, Leandro Facchini.

Um incauto rapaz se muda para uma casa supostamente assombrada pelo fantasma de uma velha fanática religiosa. (Menção Honrosa “Melhor Susto de Velhinha Fantasma”, no Cinefantasy 2010).

Extrema Unção

Estranha, de Joel Caetano (SP, Brasil, 2011, 12 minutos). Com Mariana Zani, Kika Oliveira, Roberta Rodrigues, Tiago F. Galvão, Walderrama dos Santos.

 Duas mulheres em uma estranha e sensual trama de amor, vingança, violência e psicodelia! (Novo trabalho do paulista Joel Caetano, do premiadíssimo curta-metragem “Gato”)

Estranha

Ninguém Deve Morrer, de Petter Baiestorf (SC, Brasil, 2009, 30 minutos). Com Gurcius Gewdner, Lane ABC, Daniel Villa Verde, Jorge Timm, Ljana Carrion, Coffin Souza, Insekto.

Um western musical. Eles cantam, dançam e as vezes matam também! O pistoleiro Ninguém decide largar tudo o que sempre considerou importante: a mulher amada, o grupo de amigos cineastas-assassinos-de- aluguel, e o boi de estimação. No entanto, antes de se redimir precisará enfrentar a fúria de seus antigos comparsas. Mais uma insanidade cinemática de Petter Baiestorf, um dos maiores mitos do underground brasileiro. (Melhor direção no I Guaru Fantástico)

Ninguém Deve Morrer

Os Batedores, de Filipe Ferreira (RS, Brasil, 2008, 20 minutos). Com Marco Soriano Jr., João França, Jack Gerchmann, Artur José Pinto, Jefferson Rachewsky.

Raul, um habilidoso batedor de carteiras é surpreendido pelo retorno à ativa de Amadeu Deodato, um figurão que domina o submundo da cidade e com o qual o tem uma grande dívida. Em sua trajetória na busca de dinheiro para saldar a dívida, Raul se depara com outros marginais, como Odilon, seu antigo mentor, Marcião, um perigoso travesti agiota, e Tosco, um brutamonte psicótico. (Melhor direção no I Festival de Cinema de Ribeirão Pires)

Os Batedores

 

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