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C’ERA UNA VOLTA IN ITALIA- BREVES RELATOS PARTE 1

O Diabo belsica meus calcanhares- Provocações no Vaticano

O Diabo belsica meus calcanhares- Provocações no Vaticano

Com mais de 2.000 anos de existência, Roma certamente merece o título de a “Cidade Eterna”. É impossível andar por suas ruas sem ser acometido pelo deslumbramento, seja pela beleza da cidade ou pela sensação de estar pisando num pedaço tão importante da própria história da humanidade.  No Coliseu pude vislumbrar a rutilância das espadas dos gladiadores, e ouvir o eco secular dos gritos desesperados dos antigos cristãos sendo devorados pelos leões. Para que um império formidável fosse erguido muito sangue escorreu através das famosas sete colinas até misturar-se ao rio Tibre, e muito mais sangue foi derramado ao redor do mundo através dos séculos após os imperadores Constantino e Teodósio absorverem o cristianismo como religião oficial do Império Romano. “A violência é uma arte italiana”, declarou certa vez um sarcástico Lucio Fulci.

Mas o meu verdadeiro interesse em Roma estava centrado mais em seu valor cinematográfico do que arqueológico.  Enquanto a maioria das pessoas faz sua romaria em direção ao Vaticano, primeiro eu caminhei religiosamente em direção a Cinecittà e até a Profondo Rosso, a famigerada loja de artigos de horror de Dario Argento e Luigi Cozzi. Os estúdios da Cinecittà, também chamada “fabbrica dei sogni”, localizam-se na Via Tuscolana 1055, na periferia de Roma (pega-se a linha A do metrô, direção Anagnina, e desembarca-se na penúltima estação, saindo diretamente na entrada dos estúdios).  Fundada em 1937 pelo ditador Benito Mussolini, com o intuito de produzir filmes que enaltecessem os valores fascistas, a Cinecittà começou a transformar-se num dos mais renomados estúdios de cinema do mundo após o fim da 2° guerra e do jugo fascista.  Sua ascensão como um dos pilares da sétima arte ocorreu a partir dos anos 50, quando se tornou o berço de realizadores notáveis como Fellini, De Sica, Visconti, Leone, Monicelli e tantos outros gênios do cinema italiano. A Cinecittà possui atualmente 22 estúdios e uma área que abrange 40 hectares, e apesar de não conter mais o mesmo brilho do passado continua em plena atividade, sendo um dos mais procurados centros de filmagem da Europa. Pelo valor de 20 euros é possível fazer uma tour guiada pelos estúdios, e visitar os sets de filmes como “Gangues de Nova Iorque”, de Martin Scorsese e da série “Roma”. O museu, que contém um belo acervo de artigos de cena de obras como “Cleópatra”, “O Último Porteiro da Noite” e tantos outros filmes rodados em seus estúdios ao longo das décadas, é de fazer verter lágrimas em qualquer cinéfilo.

http://www.cinecittastudios.it/

 

Tentando conter a emoção no pórtico de entrada

Wrestling com monstros

Uma estátua de "Satyricon" de Fellini

O notório Estúdio N°5 onde Fellini realizou a maioria de seus filmes.

Uma voltinha na Roma antiga

 

Passeando pela antiguidade- Set da série Roma

A Nova Iorque cenográfica de Scorsese

Figurinos do filme Cleópatra (1963), com Elisabeth Taylor e Richard Burton

Algum diretor esquecido nas catacumbas da Cinecittà

Emocionante Museu da Imagem da Cinecittà

 

 

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COM A PALAVRA…SAMUEL FULLER!

Samuel Fuller (1912-1997)

“O cinema é um campo de batalha!”

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OS MONSTROS INVADEM A SALA P.F. GASTAL!

Frankenstein (1931). Direção: James Whale

A Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro (3° andar) exibe a partir de terça-feira, 24 de maio, uma pequena mostra em homenagem a três clássicos monstros do cinema, que em 2011 completam 80 anos de existência: o vampiro da Transilvânia imortalizado por Bela Lugosi em Drácula, a criatura imaginada pela escritora Mary Shelley e vivida pela primeira vez no cinema por Boris Karloff em Frankenstein, e o assassino de crianças saído da mente do cineasta alemão Fritz Lang em M, o Vampiro de Düsseldorf. Três obras-primas do cinema, todas lançadas em 1931, e que desde a sua estreia se transformaram em autênticos ícones da cultura cinematográfica.

PROGRAMAÇÃO

 Drácula, de Tod Browning (EUA, 1931, 75 minutos)

Apesar de existirem numerosas adaptações cinematográficas do célebre romance de Bram Stoker, nenhuma se mantém mais duradoura do que esta versão original de 1931. Erguendo-se ameaçadoramente entre as sombras dos Montes Cárpatos, na Transilvânia, o castelo do Conde Drácula apavora os habitantes da vila. Certo dia, ao receber em seu castelo a visita de um jovem advogado, Drácula irá se apaixonar ao ver um retrato de sua noiva, saindo de seus domínios em busca da desafortunada jovem. O ator húngaro Bela Lugosi, estrelando como Conde Drácula, se tornou o mais popular vampiro das telas. Especialista em terror, o diretor Tod Browning dirigiu outras obras marcantes do gênero, como Freaks (1932). Exibição em DVD.

 Frankenstein, de James Whale (EUA, 1931, 70 minutos)

Boris Karloff estrela como o mais memorável monstro do cinema, neste que é considerado por muitos um dos maiores filmes de terror de todos os tempos. Dr. Frankenstein (Colin Clive) desafia os limites entre a vida e a morte ao criar um monstro (Boris Karloff) usando parte de corpos sem vida. A adaptação do diretor James Whale do romance homônimo de Mary Shelley e a marcante atuação de Karloff como a criatura em busca de identidade, fizeram de Frankenstein uma obra-prima do cinema. Exibição em DVD.

 

M, o Vampiro de Düsseldorf (M), de Fritz Lang (Alemanha, 1931, 111 minutos)

No final da década de 20, um assassino de crianças aterroriza uma cidade alemã. A polícia sai à procura do infanticida, deixando as ruas repletas de guardas, ameaçando as atividades criminosas do submundo do crime. A bandidagem organiza-se e captura o assustado assassino, levando-o para um julgamento onde decidirão se o entrega a justiça ou o condena à morte. Primeiro filme sonoro de Fritz Lang e para muitos a sua obra máxima. O grande cineasta alemão encontrou no ator Peter Lorre a expressão perfeita para refletir realisticamente o medo, a demência e a languidez do assassino Hans Beckert. Exibição em DVD.

 

GRADE DE HORÁRIOS

Semana de 24 a 29 de maio de 2011

 Terça-feira (24 de maio)

15:00 – Frankenstein

17:00 – Drácula

19:00 – M, o Vampiro de Düsseldorf

 Quarta-feira (25 de maio)

15:00 – Drácula

17:00 – M, o Vampiro de Düsseldorf

19:00 – Frankenstein

 Quinta-feira (26 de maio)

15:00 – M, o Vampiro de Düsseldorf

17:00 – Frankenstein

19:00 – Drácula

 Sexta-feira (27 de maio)

17:00 – M, o Vampiro de Düsseldorf

 Sábado (28 de maio)

17:00 – Frankenstein

Domingo (29 de maio)

15:00 – Drácula

17:00 – M, o Vampiro de Düsseldorf


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COM A PALAVRA… FRITZ LANG!

“Não se pode fazer um filme com preocupações sociais em que se diga que o intermediário entre a mão e o cérebro é o coração. Isso é fantasia; definitivamente”. 

Fritz Lang (1890-1976)


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COM A PALAVRA…JOHN FORD!

John Ford (1894-1973)

“Eu sei que nos bares eles estão falando mal de mim. Mas eu estou nas montanhas filmando com os índios enquanto eles estão falando”.

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SALA P.F. GASTAL ENGRENANDO 2011

A Hora Final (On the Beach / 1959)

Após a ressaca carnavalesca e a inerente preguiça de um verão infernal, além das habituais dificuldades orçamentárias , burocráticas e logísticas, enfim estaremos engrenando nossa programação em 2011.  A recente tragédia japonesa nos

A Síndrome da China (The China Syndrome / 1979)

alertou mais uma vez para um risco que parecia controlado, a ameaça nuclear. A partir de terça-feira  (dia 22) até quinta-feira (dia 24) exibiremos dois dos melhores filmes já realizados a respeito de uma catástrofe nuclear, A Síndrome da China (The China Syndrome / 1979),  de James Bridges, e A Hora Final (On the Beach / 1959), de Stanley Kramer. Na sexta-feira (dia 25), o já tradicional Festival de Verão do RS de Cinema Internacional, terá início com uma mostra dedicada aos cineastas Michael Powell e Emeric Pressburger, onde os cinéfilos de plantão poderão conferir em película obras como Narciso Negro (Black Narcissus / 1947), Os Sapatinhos Vermelhos (The Red Shoes / 1948) e O Espião de Preto (The Spy in Black / 1939). Abaixo a programação completa, e para os que ainda não sabem, a Sala P.F. Gastal fica no 3° andar da Usina do Gasômetro, Av. Pres. João Goulart, 551. Fones: 3289 8135 / 3289 8137.

 

GRADE DE HORÁRIOS

Semana de 22 a 27 de março de 2011

22 de março (terça-feira)

A Hora Final (On the Beach / 1959)

16:00 – A Hora Final (134 min / exibição em DVD)

19:00 – A Síndrome da China (121 min / exibição em DVD)

 

23 de março (quarta-feira)

16:00 – A Síndrome da China (121 min / exibição em DVD)

19:00 – A Hora Final (134 min / exibição em DVD)

 

24 de março (quinta-feira)

16:00 – A Hora Final (134 min / exibição em DVD)

19:00 – A Síndrome da China (121 min / exibição em DVD)

 

25 de março (sexta-feira)

Mostra The Archers – O Cinema de Michael Powell e Emeric Pressburger

15:00 – O Espião de Preto (exibição em 35mm)

17:00 – Eles Vão Dar o que Falar (exibição em 35mm)

19:00 – Os Sapatinhos Vermelhos (exibição em 35mm)

 

26 de março (sábado)

Michael Powell e Emeric Pressburger

Mostra The Archers – O Cinema de Michael Powell e Emeric Pressburger

15:00 – Eles Vão Dar o que Falar (exibição em 35mm)

17:00 – Narciso Negro (exibição em 35mm)

19:00 – O Espião de Preto (exibição em 35mm)

 

27 de março (domingo)

Mostra The Archers – O Cinema de Michael Powell e Emeric Pressburger

15:00 – Narciso Negro (exibição em 35mm)

17:00 – Os Sapatinhos Vermelhos (exibição em 35mm)

 

 

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COM A PALAVRA… LUIS BUÑUEL

Luis Buñuel (1900-1983)

 

 

“Eu havia estocado algumas pedras nos meus bolsos para atirá-las na platéia em caso de fracasso”.

(a respeito da estréia de Um Cão Andaluz em 1929).

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COM A PALAVRA… ALFRED HITCHCOCK!

Alfred Hitchcock (1899-1980)

“Ver um assassinato na televisão pode ajudar as pessoas a se livrarem gradualmente de seus conflitos. E se você não tem nenhum conflito, os comerciais te darão alguns.”

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R.I.P JANE RUSSELL (1921-2011)

O Proscrito (1943)

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DANCING LADY

Cinco anos após “O Cantor de Jazz” (1927) inaugurar a era do cinema falado, os filmes musicais já eram um nicho lucrativo para os produtores de Hollywood. Após a Grande Depressão de 1929, com a economia americana imbuída de um firme propósito de reconstrução, o gênero proliferou nas telas levando ao público o otimismo e a alegria da Broadway. É durante este período seminal para os grandes musicais que surge “Amor de Dançarina” (Dancing Lady, 1933).

Idealizado como resposta da MGM ao sucesso dos musicais coreografados por Busby Berkeley (o grande mestre da comédia musical), o filme serviu de veículo para a ascensão de Joan Crawford ao estrelato. Dirigido por Robert Z.

Clark Gable e Joan Crawford

Leonard, diretor medíocre, mas que devido a sua versatilidade soube como poucos transitar do cinema mudo para o sonoro, adaptando-se às novas tecnologias e fomentando uma prolífera carreira atrás das câmeras, “Amor de Dançarina” é celebrado mais pelo charme de seu elenco, repleto de nomes que fariam história no cinema americano, do que por sua realização. Além da presença de Crawford, Clark Gable, Franchot Tone e do trio de humoristas que no futuro seriam conhecidos como “Os 3 Patetas”, o filme é celebrado por ser a estréia cinematográfica de Fred Astaire.

A trama reproduz com humor alguns aspectos comuns em muitas produções da época, como a luta de uma dançarina em busca da fama, e a atribulada

Joan Crawford e Os 3 Patetas

vida nos bastidores. Crawford interpreta Janie Barlow, dançarina impetuosa que desperdiça seu talento em teatros vaudeville. Acusada de “atos indecentes”, após uma desastrosa apresentação, ela é colocada na prisão, da qual é salva pelo admirador Tod (Franchot Tone), um rico bon vivant que lhe promete uma chance na Broadway em troca de seu “amor”. Apresentada ao produtor teatral Patch Gallagher (Clark Gable), Janie, determinada em alcançar o sucesso, precisa provar que merece estar sob os holofotes, enquanto desenvolve uma relação de amor e ódio com seu produtor.

A cena em que Crawford realiza um show de sapateado, acompanhada pelos patetas Moe, Larry e Curly, comprova a versatilidade da atriz, e sua parceria com Fred Astaire durante a canção “Let’s Go Bavarian” é exemplar, assim como a inventiva composição de cena, repleta de transições e efeitos óticos que antecipam a experimentação e o clima de delírio que dominariam os suntuosos musicais nas décadas seguintes.

A trajetória pessoal de Crawford se confunde com a de sua personagem; o ator Franchot Tone foi um de seus diversos maridos, e Clark Gable seu mais

Joan Crawford

célebre amante. De origem humilde, a atriz não poupou esforços ou pudores para chegar até Hollywood; atuou em espetáculos vaudeville, freqüentou casas de strip-tease, e sua primeira experiência atrás das câmeras foi atuando em obscuros filmes pornográficos, e, reza a lenda, nunca recusou nenhum teste de sofá, não hesitando em utilizar seu corpo para conseguir um papel. Mesmo após sua trágica história ser revelada pela filha Chistina Crawford, na polêmica biografia “Mamãezinha Querida”, na qual era acusada de ser uma mulher obsessiva e cruel, Joan Crawford ainda hoje é lembrada como uma das grandes divas da era de ouro do cinema. Por trás do glamour e da alegria dos musicais, também ressoavam amargas histórias de luta pelo sucesso.

 

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