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SERGIO LEONE… SOBRE REVOLUÇÕES

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Quando Explode A Vingança (1971)

“Revolução? Como assim, revolução? Não tente me falar de revolução. Sei tudo sobre revoluções e como elas começam! Gente que lê livros vai atrás de quem não lê, gente pobre, e diz que chegou a hora de haver mudanças! Sei o que estou dizendo quando falo da revolução. Gente que lê livros procura os que não sabem ler, gente pobre, e diz: “Tem que haver mudanças.” E a gente pobre faz as mudanças, hein? Aí, os que lêem livros se sentam em grandes mesas lustrosas e falam, falam, comem e comem, hein? Mas o que acontece com os pobres? Eles estão mortos! Essa é a sua revolução! Por isso, por favor, não me fale de revoluções.”

O bandoleiro Juan Miranda (Rod Steiger) explicando ao mercenário John Mallory (James Coburn) seu conceito de revolução em “Quando Explode a Vingança” (Giù La Testa / Duck You Sucker / A Fistful of Dynamite) de Sergio Leone.

 

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CICLO DE FAROESTES POLÍTICOS NA SALA P. F. GASTAL

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Quando Explode a Vingança, de Sergio Leone

Em sintonia com as recentes manifestações que tomaram as ruas da cidade nas últimas semanas, a Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro (3º andar) exibe entre os dias 2 e 14 de julho a mostra Westerns Políticos, reunindo faroestes que trazem à tona questões políticas a partir de diferentes olhares.
São muitos os conflitos e as revoluções retratados nas incursões abertamente políticas do gênero, em narrativas que questionam as figuras heróicas do imaginário norte-americano e rompem com o maniqueísmo clássico presente nas obras mais tradicionais. De grandes nomes de Hollywood, serão exibidos, entre outros, Vera Cruz, de Robert Aldrich, um dos pais do faroeste moderno, Viva Zapata!, de Elia Kazan, com Marlon Brando vivendo o emblemático líder revolucionário mexicano, e o último western de John Ford – o principal mestre do gênero –, Crepúsculo de uma Raça, espécie de acerto de contas pessoal com os índios, personagens frequentemente retratados como desordeiros violentos em obras clássicas daquele universo – incluindo muitas do próprio Ford.
Por mais que boa parte dos westerns discorra sobre fatos históricos norte-americanos – ou de suas fronteiras mexicanas –, tais narrativas muitas vezes refletem turbulências políticas contemporâneas às suas realizações. É o caso do cultuado Quando Explode a Vingança, de Sergio Leone, outro destaque do ciclo, que aborda as conseqüências das rebeliões europeias de 1968 mesmo tendo como tema a revolução mexicana do início do século XX.
O zapata western, vertente extremamente politizada do western spaghetti com suas jornadas violentas sobre guerrilheiros e separatistas, também ganha destaque no ciclo. Além da obra-prima de Leone, serão exibidos Uma Bala para o General, um dos primeiros filmes do renomado cineasta Damiano Damiani, e o clássico Vamos Matar, Companheiros!, de Sergio Corbucci, mestre do cinema de gênero italiano recentemente homenageado por Quentin Tarantino em Django Livre.
O ciclo também exibe alguns dos faroestes que promoveram revoluções importantes dentro dos paradigmas do gênero, como Meu Ódio Será Sua Herança, de Sam Peckinpah, que elevou o nível de sordidez e violência a um patamar poucas vezes visto, El Topo, incursão surrealista do chileno Alejandro Jodorowsky aos desertos do oeste, e Jogos e Trapaças – Quando os Homens São Homens, de Robert Altman, que, apoiado pela música de Leonard Cohen, insere uma poderosa carga metafísica aos dramas de seus personagens.

A mostra Westerns Políticos tem o apoio da distribuidora MPLC, e pode ser conferida em três sessões diárias.

PROGRAMAÇÃO

Céu Amarelo (Yellow Sky), de William A. Wellman (EUA, 1948, 97 minutos)
Um dos mais sombrios e instigantes faroestes tem como tema as cidades-fantasmas. Em 1867, bandoleiros assaltam um banco em Rameyville e são perseguidos pela cavalaria do exército, o que os obriga a fugir para o deserto. Quase mortos pelo calor e falta d’água, eles chegam a uma localidade isolada, mas perdem as esperanças quando percebem tratar-se de uma cidade abandonada. Exibição em Blu-ray.

Viva Zapata! (Viva Zapata!), de Elia Kazan (EUA, 1952, 113 minutos)
Em 1909, no México, um grupo de lavradores vai até o presidente, afirmando que suas terras foram roubadas, mas um deles (Marlon Brando) deixa claro que o governo não pretende fazer nada por eles. Este lavrador acaba se tornando o lendário guerrilheiro Emiliano Zapata, que por vários anos teve importância política na vida do país. Exibição em DVD.

Vera Cruz (Vera Cruz), de Robert Aldrich (EUA, 1954, 94 minutos)
Por volta de 1860, ao escoltarem uma condessa até Vera Cruz, dois aventureiros americanos, interpretados pelos astros Gary Cooper e Burt Lancaster, involuntariamente se envolvem com a derrubada do imperador mexicano Maximiliano. Cultuado por nomes do Sergio Leone e Sam Peckinpah, o filme de Aldrich acena a paternidade do faroeste moderno ao romper de vez com os maniqueísmos do gênero. Exibição em Blu-ray.

Crepúsculo de uma Raça (Cheyenne Autumn), de John Ford (EUA, 1964, 156 minutos)
Em 1878, o governo deixa de entregar os suprimentos necessários à tribo indígena Cheyenne, como prevê um tratado assinado pelos governantes. Famintos e descontentes, mais de 300 índios decidem sair da reserva em Oklahoma numa jornada ao Wyoming, o local original onde sempre viveram. Thomas Archer, Capitão da Cavalaria Americana, é designado para a missão de conter os índios e evitar a viagem. Mas durante o percurso o oficial passa a respeitar a coragem dos índios e decide ajudá-los. É a despedida de John Ford ao lendário Monument Valley. Exibição em DVD.

Uma Bala para o General (El Chuncho, Quien Sabe?), de Damiano Damiani (Itália, 1966, 135 minutos)
Durante a Revolução Mexicana, um jovem americano misterioso se une a um grupo de saqueadores liderados por El Chucho. A partir daí, iniciam uma série de ataques selvagens para roubar armas para um general rebelde. Mas quando o Gringo resolve colocar em prática seus ideais juntamente com o grupo de bandidos, El Chucho descobre que as verdadeiras armas de guerra não pertencem a nenhum exército. Numa terra devastada pela pobreza e violência, será possível comprar a liberdade com uma única bala? Exibição em DVD.

Os Profissionais (The Professionals), de Richard Brooks (EUA, 1966, 117 minutos)
Em 1917 um rico rancheiro, J.W. Grant (Ralph Bellamy), contrata três mercenários, Henry “Rico” Farden (Lee Marvin), Hans Ehrengard (Robert Ryan) e Jacob Sharp (Woody Strode), para resgatar sua esposa Maria (Claudia Cardinale), que foi ao México e acabou sendo raptada por Jesus Raza (Jack Palance) e seu bando. Exibição em Blu-ray

Meu Ódio Será Sua Herança (The Wild Bunch), de Sam Peckinpah (EUA, 1969, 145 minutos)
A história se passa em 1913, no auge da Revolução Mexicana. Os Wild Bunch são os foras-da-lei mais perigosos que o Oeste já viu. Mas a cada novo golpe, as chances de algo dar errado vêm aumentando, o que faz com que eles decidam encerrar as atuações. Só que um trem carregado de armas é uma remessa valiosa demais para passar despercebida pelos ladrões aposentados. Exibição em DVD.

El Topo (El Topo), de Alejandro Jodorowsky (México, 1970, 125 minutos)
Envolto numa roupagem alegórica e repleto de simbolismos cifrados, o filme narra as andanças de um pistoleiro místico (El Topo), interpretado pelo próprio Alejandro Jodorowsky, através do deserto do distante Oeste, numa epopéia surrealista na qual ele se supera em duelos para conseguir atribuir-se o êxito de ser a pistola mais rápida do Oeste. Um encontro cósmico profundamente influenciado pelas obras pânicas, este filme foi o tiro de saída do circuito alternativo das Sessões Malditas em Nova Iorque, propulsado pelo distribuidor Bem Barenholtz, que descobriu o filme graças a John Lennon e Yoko Ono.

Vamos Matar, Companheiros! (Vamos a Matar, Compañeros), de Sergio Corbucci (Itália, 1970, 118 minutos)
O contrabandista de armas Yolaf Peterson (Franco Nero) planeja fazer uma venda para o guerrilheiro Mongo (Francisco Bódalo), mas o dinheiro está trancado num cofre no banco e somente o Professor Xantos (Fernando Rey), um prisioneiro dos americanos, sabe a combinação. Yolaf concorda em soltar Xantos, acompanhado pelo relutante guerrilheiro Basco, mas um antigo parceiro de negócios de Yolaf, John “Mão-de-Madeira” (Jack Palance), tem outras idéias. Este faroeste político de Corbucci é uma das obras-primas do western spaghetti. Exibição em DVD.

O Pequeno Grande Homem (Little Big Man), de Arthur Penn (EUA, 1970, 139 minutos)
Aos 121 anos, Jack Crabb (Dustin Hoffman) conta num hospital a história de sua vida entre os índios Sioux. Sua indefinição racial provoca graves problemas de identidade, já que o homem não se integra com os brancos e nem com os índios. Ele aprende a ser guerreiro com o seu avô adotivo, Chefe Velha Pele Curtida (Chief Dan George); o pecado da carne com sua mãe adotiva e mulher do Reverendo (Faye Dunaway); o valor da amizade com o pistoleiro Wild Bill Hicock (Jeff Corey) e a odiar com o General Custer (Richard Mulligan). Dos filmes mais importantes da Nova Hollywood, este faroeste de Arthur Penn retrata com ironia e inteligência o período mais cruel da história dos EUA. Exibição em Blu-ray.

Quando Explode a Vingança (Giù La Testa), de Sergio Leone (Itália, 1971, 157 minutos)
Quando um terrorista irlandês (James Coburn), obcecado por dinamite, se junta a um camponês mexicano (Rod Steiger) que virou um revolucionário, os resultados só podem ser altamente explosivos! Ambientado durante a revolução mexicana de 1913, Quando Explode a Vingança (originalmente intitulado Duck, You Sucker!) é uma agitada história sobre poder e política dirigida por Sergio Leone, o celebrado diretor de Três Homens em Conflito e de Era uma Vez na América. Exibição em DVD.

Jogos e Trapaças – Quando os Homens São Homens (McCabe & Mrs. Miller), de Robert Altman (EUA, 1971, 120 minutos)
Presbyterian Church é uma pequena cidade no extremo oeste dos Estados Unidos, o lugar perfeito para o carismático mas fracassado jogador, John Q. McCabe, começar seu próprio negócio: construir um bordel. Constance Miller é uma mulher da cidade grande que utiliza seus dons para ajudar McCabe a realizar seu sonho. Uma das grandes obras-primas de Robert Altman, o filme apresenta as estrelas Warren Beatty e Julie Christie, indicada ao Oscar de Melhor Atriz em 1971 por este trabalho. Exibição em DVD.

GRADE DE HORÁRIOS
Primeira Semana (2 a 7 de julho de 2013)
2 de julho (terça-feira)
15:00 – Vera Cruz, de Robert Aldrich
17:00 – Crepúsculo de uma Raça, de John Ford
20:00 – Exibição do curta Sincronário

3 de julho (quarta-feira)
15:00 – Céu Amarelo, de William A. Wellman
17:00 – Os Profissionais, de Richard Brooks
19:00 – El Topo, de Alejandro Jodorowsky

4 de julho (quinta-feira)
15:00 – Vamos Matar, Companheiros!, de Sergio Corbucci
17:00 – Viva Zapata!, de Elia Kazan
19:00 – Quando Explode a Vingança, de Sergio Leone

5 de julho (sexta-feira)
15:00 – Os Profissionais, de Richard Brooks
17:00 – Vera Cruz, de Robert Aldrich
19:00 – Crepúsculo de uma Raça, de John Ford

6 de julho (sábado)
15:00 – Viva Zapata!, de Elia Kazan
17:00 – Céu Amarelo, de William A. Wellman
19:00 – El Topo, de Alejandro Jodorowsky

7 de julho (domingo)
15:00 – Vamos Matar, Companheiros!, de Sergio Corbucci
17:00 – Os Profissionais, de Richard Brooks
19:00 – Quando Explode a Vingança, de Sergio Leone

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PREPAREM-SE PARA A VINGANÇA DOS FILMES B-PARTE 2!

Street Trash (1987), de Jim Muro

“A vingança é uma espécie de justiça selvagem”. (Francis Bacon)

De 23 a 25 de novembro a Sala P.F.Gastal (3° andar da Usina do Gasômetro) recebe a segunda edição da mostra “A Vingança dos Filmes B”!

O termo “Filme B” surge durante os anos 1920 para classificar produções baratas de pequenos estúdios (westerns, suspenses, seriados de aventura), que serviam de complemento em sessões duplas para os filmes Classe A, ou seja, aqueles realizados pelos grandes estúdios com orçamentos milionários e grandes estrelas. Os “Filmes B” eram feitos a toque de corda, em poucos dias, com astros de terceira e orçamento irrisório. Existia uma área em Hollywood conhecida como Powerty Row (cinturão da pobreza), por reunir diversas produtoras independentes que forneciam filmes de baixo orçamento que eram comprados e distribuídos pelos grandes estúdios. Esse sistema funcionou até o final dos anos 1950, quando acaba a chamada “Era de Ouro de Hollywood”. Apesar da deturpação de seu contexto original, e das modificações na simbiose entre os grandes estúdios e os produtores independentes, o termo Filme B sobreviveu adquirindo conotações diferentes, mas ainda é uma boa definição para filmes de gênero realizados fora do sistema dos estúdios, com orçamento limitado, atores desconhecidos e temática fora dos padrões. Porém, hoje a tela dos cinemas é uma realidade distante para a maioria destas produções que lutam por um espaço público de exibição.

A mostra A Vingança dos Filmes B foi concebida para servir de vitrine para produções independentes que flertem com o cinema de gênero, funcionando como um espaço democrático onde coexistam os mais variados tipos de

A vingança é plena em “Amarga Hospedagem”, de Cláudio Guidugli.

expressão cinematográfica, do horror à comédia, passando pelos filmes sci-fi e pelo cinema de ação, sem se importar com o orçamento investido (sejam produções rebuscadas ou de orçamento zero), ou com o suporte de realização. Produções em película, digital e VHS ocupando pacificamente o mesmo espaço. Um evento destinado ao resgate e a divulgação de filmes independentes, bizarros, engraçados ou assustadores, incentivando o público a dialogar com obras que dificilmente encontram espaço nas telas dos cinemas.

Chegou a hora dos independentes retomarem o seu espaço nas telas, mas não como meros coadjuvantes, e sim como atração principal! Está na hora da Vingança dos Filmes B-Parte 2!

PROGRAMAÇÃO

A VINGANÇA DOS FILMES B – PARTE 2

(ENTRADA FRANCA / CLASSIFICAÇÃO: 16 ANOS)

 Sexta-Feira, 23 de Novembro.

19h30- Horror.Doc (72’), de Renata Heinz

(OBS: Após a sessão debate com Renata Heinz)

Sábado, 24 de novembro

15h- 20 Anos de Canibal Produções: Baiestorf: Filmes de Sangreira e Mulher Pelada (20’),Christian Caselli + Boi Bom (12’)  + Blerghhh (50’) (Após a sessão debate com Petter Baiestorf)

17h30- Sessão Trash’O’Rama: Cachorro do Mato (15’), de Maurício Ribeiro + Amarga Hospedagem (60’), de Claúdio Guidugli

(OBS: Após a sessão debate com o realizador Cláudio Guidugli)

19h30- Sessão de Curtas I: O Solitário Ataque de Vorgon (6’), de Caio D’Andrea + Rango (6’), de Rodrigo Portela + Morte e Morte de Johnny Zombie (14’), de Gabriel Carneiro + Sangue e Goma (11’), de Renata Heinz + Vontade (10’), de Fabiana Servilha + Nove e Meia (20’), de Filipe Ferreira + Rigor Mortis (20’), de Fernando Mantelli e Marcello Lima.

(OBS: Após a sessão debate com os realizadores)

(total: 87 minutos)

Domingo, 25 de Novembro

15h- A Noite do Chupacabras (95’), de Rodrigo Aragão

17h- Maldita Matiné: Testículos (15’), de Christian Caselli + Street Trash, de Jim Muro (90’)

19h30- Sessão de Curtas II: Raquetadas Para a Glória (7’), de TV Quase + X-Paranóia (14’), de Cristian Cardoso e Felipe Moreira  + DR (10’),de Joel Caetano e Felipe Guerra + Confinópolis – A Terra dos Sem Chave (16’), de Raphael Araújo +  O Curinga (14’), de Irmãos Christofoli + Coleção de Humanos Mortos (20’), de Fernando Rick + Rackets in London- The Olympic Dream (7’), de TV Quase

(Total: 89 minutos)

(OBS: Após a sessão debate com os realizadores)

LONGAS:

Horror.DOC, de Renata Heinz (RS, 2012, 72 minutos). Com Rodrigo Aragão, Paulo Biscaia, Carlos Primati / Horror.DOC se propõe a decifrar o passado e o futuro do cinema de horror no Brasil, através de entrevistas com diretores, críticos e pesquisadores do gênero. Um pungente panorama do horror no cinema brasileiro com depoimentos de diretores como Rodrigo Aragão (Mangue Negro, A Noite do Chupacabras), Paulo Biscaia (Morgue Story, Nervo Craniano Zero), e especialistas no gênero, como Laura Canepa e Carlos Primati.

Horror.DOC, de Renata Heinz

A Noite do Chupacabras, de Rodrigo Aragão (ES, 2011, 95 minutos). Com Joel Caetano, Petter Baiestorf, Walderrama dos Santos / Cegas pelo ódio, duas famílias rivais entram em confronto sem perceber que um mal maior se esconde na escuridão da floresta, se alimentando de medo e sangue. Uma violenta trama de horror e vingança que fez jorrar sangue novo no cinema independente brasileiro. Ao mesclar mitos regionais e gore oitentista, o diretor capixaba Rodrigo Aragão apontou novas possibilidades para a sedimentação do cinema fantástico no Brasil.

A Noite do Chupacabras, de Rodrigo Aragão

Amarga Hospedagem, de Claúdio Guidugli (RS, 2011, 60 minutos). Com Roberto de Paula, Franciele Cacimiro  / Ao praticarem mountain bike numa região rural do interior do RS, grupo de ciclistas é capturado por um psicopata sádico. Os incautos ciclistas precisam lutar para não serem transformados em lingüiça, mas nem todos são inocentes como aparentam. Um sangrento e divertido thriller de ação e horror produzido na pequena cidade de Roca Sales, no Vale do Taquari. Amarga Hospedagem foi inteiramente gravado com uma cyber-shot, com elenco composto por atores amadores, orçamento zero e muita criatividade, transformando uma produção tecnicamente precária num divertido exercício de cinema de gênero.

Amarga Hospedagem, de Cláudio Guidugli

Street Trash, de Jim Muro (EUA, 1987, 91 minutos) / Clássico gore oitentista sobre um grupo de mendigos que começam a derreter após beberem whisky contaminado. Um festival de insanidade e escatologia, repleto de fluídos corporais e personagens bizarros. Único longa-metragem de Jim Muro, que se tornaria nos anos seguintes um dos mais requisitados especialistas em steadycam de Hollywood, trabalhando em filmes como True Lies e X-Men.

Street Trash, de Jim Muro

CURTAS:

Baiestorf: Filmes de Sangreira e Mulher Pelada, de Christian Caselli (RJ, 2004, 20 minutos) / Documentário sobre a trajetória de Petter Baiestorf, realizador catarinense precursor das produções independentes em vídeo no Brasil, que através da produtora Canibal Produções se tornou uma nas figuras mais polêmicas e emblemáticas do cinema underground brasileiro.

 Boi Bom, de Petter Baiestorf (SC, 1998, 12 minutos). Com Jorge Timm / Os preparativos para um churrasco incluem bem mais do que apenas comprar um espeto. Homem revela um método pouco ortodoxo para preparar a carne de seu churrasco. Vídeo polêmico pela intensidade visceral de suas imagens. Não recomendado para pessoas sensíveis e vegetarianos em geral. (Filmado em VHS)

Blerghhh, de Peter Baiestorf (SC, 1996, 50 minutos). Com Cesar Souza, David Camargo, Denise V, Jorge Timm / Grupo de guerrilheiros formado por dementes e pervertidos seqüestra filho junkie de um milionário. A situação se complica quando nem tudo o que deveria morrer permanece morto. Alucinada sátira sócio-política escatológica envolvendo violência e humor negro. Uma provocativa e anárquica trama típica da Canibal Produções. (Filmado em VHS)

 Coleção de Humanos Mortos, de Fernando Rick (SP, 2005, 20 minutos). Com Ulisses Granados, Tiara Curi, Marinna Anlop / Assassino desequilibrado em conflito com suas múltiplas personalidades comete atos de extrema brutalidade enquanto coleta vítimas para sua coleção de humanos mortos. Efeitos de maquiagem de Kapel Furman, um dos grandes especialistas em FX do cinema brasileiro.

Coleção de Humanos Mortos, de Fernando Rick

Confinópolis – A Terra dos Sem Chave, de Raphael Araújo (ES, 2012, 16 minutos). Com Daniel Boone, Fonzo Squizzo, Leonrado Prata / Num mundo distópico as pessoas vivem fechadas em sua própria alienação e sob o violento controle do estado. Porém, alguém sabe que em algum lugar existe uma chave para a libertação.

Confinópolis, de Raphael Araújo

Cachorro do Mato, de Maurício Ribeiro (ES, 2002, 15 minutos) / Um grupo de jovens tem seu fim de semana no campo transformado em um pesadelo sangrento quando se deparam com um abominável e faminto… cachorro do mato! Sangue e risadas nesta hilária produção amadora realizada no Espírito Santo.

O Curinga, de Irmãos Christofoli (RS, 2009, 17 minutos). Com Rafael Tombini, Nilson Asp, Ariane Donato / Um apartamento vazio, um homem, um baralho de cartas, e algumas pragas bíblicas. Baseado no conto Eu Não Matei o Mundo.

Dr, de Joel Caetano e Felipe Guerra (SP, 2012, minutos’). Com Oldina do Monte, Mariana Zani / Confrontado pela esposa infeliz no relacionamento e pela sogra possessiva, um homem descobre que discutir a relação nem sempre é a melhor saída para o casal. DR é o insano resultado da união de Joel Caetano e Felipe Guerra, dois dos mais notórios realizadores da atual cena independente de horror brasileira.

DR, de Joel Caetano e Felipe Guerra

Morte e Morte de Johnny Zombie, de Gabriel Carneiro (SP, 2011, 14 minutos). Com Joel Caetano, Charlene Chagas, Ana Luíza Garcia / Contaminado por uma substância tóxica, Johnny, o funcionário de uma fábrica começa a sofrer uma bizarra transformação. A repentina chegada dos amigos para uma festa em sua casa desencadeia uma fome incontrolável gerando uma inusitada e sangrenta situação.

Nove e Meia, de Filipe Ferreira (RS, 2012, 20 minutos). Com Rafael Tombini, Leonardo Machado, Herlon Holtz / Após perder a filha, atropelada por um estranho, homem se torna obcecado pelo desejo de vingança. Dramático thriller baseado no conto Nove Horas e Trinta Minutos de Rubem Fonseca.

Nove e Meia, de Filipe Ferreira

Rigor Mortis, de Fernando Mantelli e Marcello Lima (RS, 2012, 20 minutos). Com Daniel Bacchieri, Renata de Lélis, Morgana Kretzman, Patrícia Soso / Eros e Tanatos, vida e putrefação. Desejo e morte se fundem quando um casal se vê envolvido numa trama bizarra onde o marido é contaminado por uma estranha infecção.

 Raquetadas Para a Glória, de TV Quase (ES, 2011, 7 minutos). Com Daniel Furlan, Juliano Enrico, Gabriel Labanca, Keka, Raul Cheque / Para vingar a morte do amigo, Ricky Larusso procura o lendário mestre bêbado para ensinar-lhe as técnicas mortais de um jogo brutal, o frescobol! Uma produção da TV Quase, um dos mais anárquicos grupos de humor do Brasil, que produz material exclusivamente para a Internet.

Rango, de Rodrigo Portela (RS, 2007, 6 minutos). Com Cláudio Benevenga, Chico De Los Santos, Dhirley Cunha, Leonardo Barison/ Quatro homens em conflito por um punhado de carreteiro numa hilariante homenagem ao western spaghetti.

Rackets in London- The Olympic Dream, de TV Quase (ES, 2012, 7 minutos). Com Daniel Furlan, Juliano Enrico, Gabriel Labanca, Keka, Raul Cheque / Após vingar a morte de seu melhor amigo Ricky Larusso vai para a Inglaterra lutar para que transformem o frescobol em um esporte olímpico. Porém, um novo vilão tentará atrapalhar os seus planos. A trupe da TV Quase invade Londres nesta ainda mais absurda seqüência de Raquetadas Para a Glória.

O Solitário Ataque de Vorgon, de Caio D’Andrea (SP, 2011, 6 minutos). Com Boris Ramalho, Luiz Otávio Santi / Não há nada mais perigoso do que um monstro com o coração partido.

O Solitário Ataque de Vorgon, de Caio D’Andrea

Sangue e Goma, de Renata Heinz (RS, 2011, 14 minutos). Com Rafaela Cassol, Leonardo Machado, Beto Mônaco / Ella não consegue fugir de seu destino e esbarra na afirmação constante de que as coisas podem não ser o que aparentam.

Sangue e Goma, de Renata Heinz

Testículos, de Chistian Caselli (RJ, 2001, 15 minutos). Com Clara Linhart, Lois Lancaster, Rodrigo dos Santos / Um convite para almoçar na casa de um antigo amigo toma rumos surreais quando um exótico prato é servido.  Com a participação de Lois Lancaster, vocalista da lendária e insólita banda carioca Zumbi do Mato.

X-Paranóia, de Cristian Cardoso e Felipe Moreira (RS, 2012, 14 minutos). Com César Scortegagna, Cristian Cardoso, Tiana Moon / Diversas teorias conspiratórias transformam o simples ato de comer um X numa lanchonete em uma aventura complexa, fazendo com que um homem comece a questionar sua própria sanidade.

Vontade, de Fabiana Servilha (SP, 2011, 10 minutos). Com Alexandre Rabello, Douglas Domingues, Marina Ballarin / Após um exaustivo dia de trabalho, Luís acorda no meio da madrugada. Desesperado, sai às ruas em uma busca misteriosa. Conforme o tempo passa, fica cada vez mais difícil conseguir o que procura. A vontade é cruel e inexorável, e precisa ser saciada a qualquer custo.

Vontade, de Fabiana Servilha

UMA PRODUÇÃO CINEMA EX MACHINA & TOQUE DE MUERTO

APOIO:

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A VINGANÇA DOS FILMES B-PARTE 2!

(A arte do cartaz e a vinheta da mostra foram uma grata contribuição do grande amigo Marcelo Lim)

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08/11/2012 · 1:38

C’ERA UNA VOLTA NEGLI ANNI SESSANTA

No caos sensorial e imagético de minhas lembranças de infância, alguns elementos despertam com força a minha memória afetiva. Por exemplo, a música tema de “O Dólar Furado” (Un Dollaro Bucato), composta por Gianni Ferrio, sempre é capaz de despertar em mim uma saudável melancolia, remetendo ao período em que eu era apenas um menino deslumbrado descobrindo o velho oeste… através do cinema é claro. E como qualquer criança, nesta fase de encantamento com o gênero pouco importava discernir os westerns entre tradicionais e spaguettis, entre John Ford e Sergio Leone, ou diferenciar o Death Valley de algum canto da Almeria, tudo era simplesmente bang bang, e o importante era se divertir na frente da televisão trocando tiros de espoleta com índios e vilões imaginários. O ator Giuliano Gemma é uma destas figuras indissociáveis da minha infância, junto com John Wayne, Terence Hill e tantos outros cowboys que ainda cavalgam e duelam em minha memória. O youtube tem sido uma mina de ouro para os saudosistas, e o vídeo abaixo é particularmente emocionante para qualquer fã de western spaguetti. Giuliano Gemma em 1967, lançando o filme E Por Teto Um Céu de Estrelas, de Giulio Petroni num programa da TV italiana apresentado pela cantora Rita Pavone. Gemma exibe todo o seu talento e carisma, comprovando o porquê de seu status de ídolo popular na Itália dos anos 1960.

Aqui um belo texto do Felipe Guerra sobre o filme de Giulio Petroni:

http://filmesparadoidos.blogspot.com/2009/11/e-per-tetto-un-cielo-di-stelle-1968.html

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