Arquivo do mês: junho 2010

A NOITE DO CHUPA CABRAS

Tough Guys- A brutal família Silva em A Noite do Chupa Cabras

Nesta quinta-feira viajo para o Espírito Santo, onde me juntarei aos dementes Peter Baiestorf e Joel Caetano para integrar a equipe de produção de A Noite do Chupa Cabras, a mais nova incursão do sensacional Rodrigo Aragão nas trevas do horror tupiniquim. Desta vez saem de cena os zumbis para a entrada do mitico, e não menos sanguinolento, Chupa Cabras. Após o banho de sangue e tripas, retorno dia 06 de julho para encarar a intensa maratona do FANTASPOA. That’s all folks!

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Arquivado em Horror

MALDITOS VAMPIROS A LASER!!!

Prestes a lançar o aguardado segundo álbum, Three- Gun Mojo, os dementes  Ron Selistre, Francis K e Michel Munhoz estão comemorando os 5 anos de existência da Damn Laser Vampires na sangrenta, tortuosa e empoeirada estrada do rock’n’roll. Fica aqui a homenagem aos meus vampiros a laser prediletos.

http://www.myspace.com/damnlaservampires

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Arquivado em Musical

VI FANTASPOA

O Fantaspoa chega a sua emblemática sexta edição lutando bravamente com o descaso do establishment cultural e contra a burocracia acéfala dos editais, amparado por um público fiel de apaixonados pelo gênero, e pelo esforço de uma equipe repleta de pessoas insanas o suficiente para deixarem suas vidas cotidianas de lado, fazendo das tripas coração para que o evento, que tantas vezes teve sua morte anunciada,  retorne anualmente feito um zumbi teimoso. Colaboro com o festival desde de sua primeira edição, sendo este o terceiro ano como curador da mostra de curtas (ao lado do Vasco PY Siegmann),e é com orgulho que vejo este monstrinho crescer, se fortalecendo a cada ano feito um pequeno Godzilla. Esperamos vocês de 02 a 18 de julho. That’s all folks! Ou como diria Lux Interior… stay sick!

http://www.fantaspoa.com/2009/fantaspoa/equipe.php

Em tempo, a arte do cartaz deste ano é do Michel Munhoz (dando vazão as concepções gráficas doentias do Vasco Py Siegmann), que além de excelente ilustrador é baterista casca grossa da Damn Laser Vampires. Para os que ainda não conhecem esse power trio de malditos vampiros com laser, é simplesmente a banda  mais “fodástica”  surgida em Porto Alegre nos últimos anos. Hey vampires, let’s get drunk together in Fantaspoa!

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Arquivado em Festivais, Horror

VI FANTASPOA- O CAVALEIRO

Na melhor tradição de filmes sórdidos e brutais, como A Outra Face da Violência (Rolling Thunder/ 1977), Hardcore- No Submundo do Sexo (Hardcore/ 1979), e Oldboy (2003), o diretor Steven Kastrissios explora de forma assustadora o amargo sabor da vingança. O Cavaleiro será exibido na Sala P.F. Gastal nos dias 13 e 18 de julho.

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Arquivado em Drama, Festivais, Thriller

MOSTRA JOÃO PEDRO RODRIGUES E O NOVO CINEMA PORTUGUÊS

O cinema ousado e abusado do cineasta português João Pedro Rodrigues, e outros filmes representantes da nova cinematografia lusitana, como The Love Birds, de  Bruno de Almeida e  Casa de Lava e Ossos, de Pedro Costa,  estarão presentes na Sala P.F. Gastal da Usina do Gasômetro (Av. Pres. João Goulart, 551- 3° andar) a partir deste dia 08 até 20 de junho. Um dos títulos mais curiosos da mostra é Coisa Ruim, de Tiago Guedes e Frederico Serra, um raro e eficiente representante do gênero fantástico realizado em Portugal.

“No Brasil, o cinema português costuma ser associado quase que exclusivamente à figura do decano Manoel de Oliveira, que do alto de seus 101 anos de idade segue filmando com o vigor de um adolescente (acaba de lançar, no último Festival de Cannes, O Estranho de Caso de Angélica, 29º longa-metragem de sua carreira). Mas desde meados dos anos 90 o cinema de Portugal vem se destacando no circuito internacional de festivais, tanto pela contribuição dos veteranos Oliveira e João César Monteiro (morto em 2003) quanto pelo surgimento de novos diretores como Pedro Costa, João Pedro Rodrigues e Miguel Gomes.

Para colocar o público local em contato com a vigorosa cinematografia portuguesa, a Sala P.F. Gastal da Usina do Gasômetro recebe na próxima terça-feira, dia 8 de junho, o cineasta João Pedro Rodrigues. Nascido em 1966, com três longas no currículo, O Fantasma, Odete e Morrer como um Homem (estes dois últimos inéditos no Brasil), Rodrigues vem sendo apontado pela crítica como um dos principais nomes do cinema europeu contemporâneo em atividade. O diretor vem a Porto Alegre especialmente para a abertura da mostra João Pedro Rodrigues e o Novo Cinema Português, em cartaz na Sala P. F. Gastalaté o dia 20 de junho.

Odete

A mostra, uma realização conjunta da Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre e do Santander Cultural, conta com o apoio do Instituto Camões, e reúne, além dos três longas de João Pedro Rodrigues (todos exibidos em 35mm), mais seis títulos (realizados entre 1994 e 2007) representativos do bom momento criativo vivido pelo cinema português, a serem exibidos entre os dias 15 e 20 de junho: Coisa Ruim, de Tiago Guedes e Frederico Serra, Vai e Vem, de João César Monteiro, Casa de Lava e Ossos (ambos de Pedro Costa), The Lovebirds, de Bruno de Almeida, e A Passagem da Noite, de Luís Filipe Rocha. João Pedro Rodrigues estará presente ao coquetel de abertura da mostra, marcado para as 19h30, e após a exibição do filme Morrer como um Homem participa de um debate com o público. A entrada é franca. Distribuição de senhas para a sessão a partir das 19h. (Marcus Mello)”

GRADE DE HORÁRIOS

Semana de 8 a 13 de junho de 2010

Terça-feira (8 de junho)

15:00 – A Alma do Osso

17:00 – O Fantasma

19:30 – Coquetel de abertura da mostra João Pedro Rodrigues e o Novo Cinema Português, seguido de exibição do longa-metragem Odete (às 20:00) e debate com a presença do diretor João Pedro Rodrigues

Quarta-feira (9 de junho)

15:00 – A Alma do Osso

17:00 – Odete

19:00 – O Fantasma

Quinta-feira (10 de junho)

15:00 – A Alma do Osso

Morrer Como Homem

17:00 – O Fantasma

19:00 – Morrer como um Homem

Sexta-feira (11 de junho)

15:00 – A Alma do Osso

17:00 – Odete

19:00 – Morrer como um Homem

Sábado (12 de junho)

15:00 – A Alma do Osso

17:00 – Odete

19:00 – O Fantasma

Domingo (13 de junho)

15:00 – A Alma do Osso

17:00 – Odete

19:00 – Morrer como um Homem

Semana de 15 a 20 de junho

Terça-feira (15 de junho)
19:00 – Coisa Ruim

Quarta-feira (16 de junho)
17:00 – Casa de Lava
19:00 – Ossos

Quinta-feira (17 de junho)

Coisa Ruim

17:00 – A Passagem da Noite
19:00 – Vai e Vem

Sexta-feira (18 de junho)
17:00 – The Lovebirds
19:00 – Coisa Ruim

Sábado (19 de junho)
17:00 – A Passagem da Noite
19:00 – Vai e Vem

Domingo (20 de junho)
19:00 – Ossos

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BASTARDOS INGLÓRIOS

No capítulo IX de “A Arte Poética” existe um preceito aristotélico básico afirmando que o historiador e o ficcionista diferem entre si apenas porque um escreveu o que aconteceu, e o outro, o que poderia ter acontecido. Ao introduzir “Bastardos Inglórios” com a frase “Era uma vez numa França ocupada pelos nazistas…”, Quentin Tarantino deixa claro que seu compromisso não é com a realidade histórica, mas sim com a ficção, neste caso, com a tradição de um gênero cinematográfico específico, o dos “filmes de guerra”. Portanto, a 2° Guerra Mundial vista pelos olhos de Tarantino, não é aquela dos livros de história, mas sim outra guerra, retratada antes pelas lentes de Robert Aldrich, Samuel Fuller, Sam Peckinpah, Enzo G. Castellari, Brian G. Hutton, e tantos outros diretores que abordaram, cada um a sua maneira, as insanidades de um conflito mundial.

Nesta incursão por um gênero tão saturado (onde tudo já foi historicamente visto e revisto), o cinema antropofágico praticado por Tarantino se alimenta da própria ficção para narrar uma intrínseca trama de guerra onde ações paralelas, motivadas pelo desejo de vingança, se movem de formas distintas e se cruzam num inevitável e sangrento embate. Assim como toda a obra do diretor, o filme é construído minuciosamente sob a ótica de um cinéfilo obsessivo que se aproveita de sua cultura cinematográfica para compor uma espécie de patchwork fílmico, que entre citações e homenagens gera um elemento novo, em que a originalidade está na recomposição imagética dos fatos, onde gêneros distintos como o western, a comédia e o drama se mesclam e se complementam. A trama une, feito uma comédia de erros, dois planos para assassinar Hitler. De um lado o grupo de violentos soldados judeus conhecidos como “Os Bastardos”, que liderados pelo Tenente Aldo Rane (Brad Pitt) se infiltram na França ocupada pelos nazistas com a intenção de explodir uma sessão de cinema em que Hitler estará presente, enquanto Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent), a proprietária do cinema, arquiteta sua própria vingança contra os oficiais que massacraram sua família.

A seqüência inicial revela o tom que permeará os 153 minutos do filme, seja na elaboração da mise-en-scène, ou nos longos diálogos, é notável a emulação do estilo de Sérgio Leone, algo que Tarantino já havia esboçado em “Kill Bill”, e este fetiche pelo diretor italiano se faz presente também na escolha da trilha sonora, composta por vários temas de Ennio Morricone, o compositor predileto de Leone. É inquestionável a influência de outros diretores na construção da trama, seja Robert Aldrich e seu “Os 12 Condenados”, uma obra seminal para qualquer filme de guerra, seja na violência estilizada de Sam Peckinpah e seu “A Cruz de Ferro” ou Enzo G. Castellari, de quem Tarantino se apropriou, além do título, do humor abusado, porém, a sombra de Leone paira feito a de um gigante, principalmente sobre os duelos verbais em que os conflitos são estendidos ao máximo, num crescente de tensão em que a violência rompe de forma catártica e por vezes inesperada. Os diálogos sempre foram considerados o ponto forte na obra do diretor, no entanto Tarantino atingiu a excelência no domínio da técnica. Invés de divagar aleatoriamente sobre cultura pop, aqui os diálogos funcionam objetivamente em prol da trama. Os interrogatórios promovidos pelo oficial nazista Hans Landa, interpretado com timing perfeito pelo alemão Christoph Waltz, são um exemplo deste domínio, em que uma conversa banal sobre um copo de leite desvia-se por labirintos que ao final revelam a vilania dos seus objetivos. Ainda que o clímax seja regido pela inevitabilidade da violência, que surge sem sutilezas, com direito a cabeças destroçadas e escalpos arrancados, os grandes impasses ocorrem no plano verbal.

“Bastardos Inglórios” vai além de uma simples trama de vingança, sendo acima de tudo uma declaração de amor ao cinema, e uma afirmação do poder da ficção. E se não reinventa a roda, inegavelmente a faz girar fora do eixo de forma surpreendente. Ao reescrever a história com seu desfecho inusitado e violento, Tarantino nos lembra de outra premissa básica, esta pronunciada por Fassbinder, “cinema é mentira a 24 quadros por segundo”.

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