Arquivo do mês: abril 2012

PROJETO RAROS APRESENTA “A MOÇA COM A PISTOLA”!

Monica Vitti em A Moça com a Pistola

Nesta sexta-feira, às 20h na Sala P.F. Gastal da Usina do Gasômetro, o Projeto Raros retorna homenageando um dos grandes ícones da comédia italiana, Mario Monicelli, com a exibição de “A Moça com a Pistola” (La Ragazza Con La Pistola / 1968).

Durante os anos sessenta, Assunta (Monica Vitti) é uma típica habitante de um vilarejo siciliano onde imperam rígidas e arcaicas tradições familiares. Após ser raptada, seduzida e abandonada por Vincenzo (Carlo Giuffrè), Assunta é obrigada pela família a lavar sua honra com sangue. Munida com uma velha pistola ela empreenderá uma incansável perseguição ao amante fugitivo; sua busca a levará até a Inglaterra, em plena efervescência da Swinging London. Os conflitos culturais entre a modernidade de uma metrópole inglesa e um vilarejo da Sicília colocam Assunta em situações cômicas e inusitadas, que afetarão sua visão de mundo, assim como sua relação com os homens que cruzam seu caminho. Monica Vitti brilha intensamente no papel da histérica, atrapalhada e obstinada moça em busca de vingança. Como bem observou o crítico francês Luc Moullet, “a musa de Antonioni, nunca esteve mais à vontade que sob a direção de Monicelli”.

Após anos de luta contra um câncer, Mario Monicelli cometeu suicídio em novembro de 2010, aos 95 anos de idade, saltando da janela de um hospital em Roma. Deixou como legado obras que marcaram época e definiram um estilo peculiar que influenciou as comédias italianas, um humor cruel, estridente e repleto de melancolia, que pode ser visto em filmes como Os Eternos Desconhecidos (1958), O Incrível Exército de Brancaleone (1966), e Meus Caros Amigos (1975). 

A Moça com a Pistola (La Ragazza Com La Pistola/ Itália / 1968), de Mário Monicelli. Com: Monica Vitti, Carlo Giuffrè, Stanley Baker. PROJETO RAROS, SALA P.F.GASTAL,  SEXTA DIA 27, 20H, ENTRADA FRANCA.

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VIII FANTASPOA

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RIP- O CINEMA POPULAR BRASILEIRO PERDE O IRREVERENTE ADRIANO STUART!

Adriano Stuart (1944-2012)

Kung Fu Contra As Bonecas (1975)

Bacalhau (1975)

Os Trapalhões na Guerra dos Planetas (1978)

As Aventuras de Mário Fofoca (1982)

 

Ao lado de Antônio Abujanra em "Festa" (1989), de Hugo Giorgetti

 

Última aparição nas telas como o violento policial de "A Encarnação do Demônio" (2008), de José Mojica Marins.

 

 

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RIP- MORRE PAULO CÉSAR SARACENI, UM DOS PRECURSORES DO CINEMA NOVO!

Paulo César Saraceni (1933-2012)

 

Porto das Caixas (1962)

 

A Casa Assassinada (1974)

Ao Sul do Meu Corpo (1984)

 

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A SERBIAN FILM, A FALTA DE MEMÓRIA E O MONSTRO DA CENSURA!

O POLÊMICO "A SERBIAN FILM" CONTINUA CENSURADO NO PAÍS!

No dia 1° de abril, militares e neo-fascistas simpatizantes , paradoxalmente abusaram do direito democrático que tanto combateram durante o período da ditadura, e comemoraram o nefasto golpe militar, o qual teimam em chamar eufemisticamente de “revolução”.  Os anos de chumbo da ditadura hoje parecem distantes e efêmeros na lembrança da nação, principalmente dos mais jovens, mas a mentalidade fascista permanece latente feito uma raiz podre, e emerge do chão quando menos esperamos. A censura foi um dos sintomas mais pungentes do período militar, numa época em que uma corja de censores decidiam sobre quais informações os brasileiros poderiam ou não ter acesso.  Sofremos 20 anos com a imposição de uma cegueira cultural, onde não nos era permitido exercer o direito do livre pensar. Certamente uma vergonhosa página virada na história de nosso país. Opa! Página virada? Será mesmo? Pois em pleno 2012 o polêmico “A Serbian Film- Terror Sem Limites”, uma obra de ficção, continua proibido em nosso país. Apesar de ter sua censura classificada em 18 anos, o filme foi enquadrado pelo Ministério Público no artigo 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente, classificado absurdamente como sendo apológico ao crime de pedofília. O fato gerou controvérsia durante o RIOFAN em 2011, criou celeuma entre a classe cultural e dividiu opiniões,  e até mesmo uma das relatoras do Estatuto da Criança e do Adolescente se posicionou contra a proibição do filme, alegando que a lei estava enquadrando a obra de forma equivocada, mas parece que o fato caiu no esquecimento. O que está em jogo não é a qualidade cinematográfica de A Serbian Film (desprezado por muitos e adorado por outros tantos), mas o seu direito como cidadão de ver e formular sua própia opinião a respeito da obra. Muitos alegam que a imoralidade do filme é motivo o suficiente para sua proibição. Mas toda moral é relativa, e na minha opinião, imoral é comemorar uma data que afundou o país na escuridão por décadas, perpetrando um sistema ditatorial que fomentou atos de coação, tortura e assassinato,  imoral é ligar a televisão e se deparar com comentários de Miriam Rios e Jair Bolsonaro propagando o ódio e a intolerância sexual e racial, imoral é permitir que pastores televisivos explorem a boa fé do povo e se beneficiem da isenção total de impostos.  E no entanto a censura recaí sobre um filme de horror medíocre por conta do estupro de um animatronic, afinal, censura e bom censo nunca andaram de mãos dadas. E enquanto isso nossa falta de memória coletiva nos fornece a falsa ilusão de que não existe mais entre nós o monstro da censura.

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C’ERA UNA VOLTA IN ITALIA-BREVES RELATOS PARTE 2

Meu Vaticano fica aqui!

Existe um ditado popular para definir uma oportunidade desperdiçada, “ir a Roma e não conhecer o papa”. Obviamente não conheci o dito cujo, e garanto que tenho muitas questões atravessadas na garganta para despejar sobre o Sr. Joseph Ratzinger, porém, movido pela curiosidade histórica realizei uma breve incursão pela Santa Sé, e apenas posso dizer que fiquei mais indignado do que impressionado com a riqueza e a ostentação do Vaticano. E algumas demonstrações de fé, como as crises de choro histéricas e a bizarra figura de uma senhora de ar rancoroso, ostentando uma cruz tatuada na testa, só reforçaram alguns dos meus sentimentos anti-religiosos. O fato é que se existe um Vaticano digno de romaria para os fãs de horror, ele se chama “Profondo Rosso”, e fica na Via Dei Gracchi 260, apenas algumas quadras distante da Santa Sé.

A “Profondo Rosso” é uma loja de artigos de horror gerenciada pelo cineasta Luigi Cozzi, e de propriedade do mítico Dario Argento. Tive o prazer de conhecer o simpático Cozzi durante a sexta edição do FANTASPOA. Ele não se encontrava presente em minha visita à loja, mas fui muito bem recepcionado por sua esposa Leticia e pelo atendente Fabio. A “Profondo Rosso” é uma parada obrigatória para os cinéfilos perdidos em Roma, seja pelo fator fetichista,

os prestativos Fabio e Leticia

afinal Dario Argento tornou-se uma marca registrada do gênero horror, ou para adquirir material sobre cinema fantástico. A loja possui um bom acervo de livros, filmes, pôsteres, action figures, e outras bugigangas relacionadas a horror e fantasia que alegrarão qualquer colecionador, mas preparem os bolsos, pois os artigos não costumam ser nada baratos. O porão da loja ainda possuí um pequeno museu dedicado à obra de Argento, onde os aficionados podem ver de perto animatronics e objetos de cena utilizados em diversos de seus filmes, como “Phenomena”, “Dois Olhos Satânicos”, “Demons” e outros. Além de voltar com alguns livros sobre o horror italiano na bagagem, investi alguns salgados euros na fantástica edição em blu ray de “Pavor na Cidade dos Zumbis” (Paura Nella Città Dei Morti Viventi / 1980), de Lucio Fulci, lançada pela inglesa Arrow Films. E também não resisti a um souvenir que dificilmente encontraria por aqui, uma caneca do Lucio Fulci com imagens do diretor e de criaturas de “Zumbi 2” e “Pavor na Cidade dos Zumbis”.

Fãs de Argento e cinema fantástico em geral podem obter mais informaçõe sobre a Profondo Rosso acessando o site http://www.profondorossostore.com/

Demoni!

“Eles farão de suas catedrais, cemitérios, e de suas cidades, tumbas.”

Carne fresca nas catacumbas da Profondo Rosso! Um boneco utilizado em "Dois Olhos Satânicos".

A meiga criança psicopata de "Phenomena".

Algum fã de Argento esquecido no porão

 

Esse animatronic me causou pesadelos na infância.

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C’ERA UNA VOLTA IN ITALIA- BREVES RELATOS PARTE 1

O Diabo belsica meus calcanhares- Provocações no Vaticano

O Diabo belsica meus calcanhares- Provocações no Vaticano

Com mais de 2.000 anos de existência, Roma certamente merece o título de a “Cidade Eterna”. É impossível andar por suas ruas sem ser acometido pelo deslumbramento, seja pela beleza da cidade ou pela sensação de estar pisando num pedaço tão importante da própria história da humanidade.  No Coliseu pude vislumbrar a rutilância das espadas dos gladiadores, e ouvir o eco secular dos gritos desesperados dos antigos cristãos sendo devorados pelos leões. Para que um império formidável fosse erguido muito sangue escorreu através das famosas sete colinas até misturar-se ao rio Tibre, e muito mais sangue foi derramado ao redor do mundo através dos séculos após os imperadores Constantino e Teodósio absorverem o cristianismo como religião oficial do Império Romano. “A violência é uma arte italiana”, declarou certa vez um sarcástico Lucio Fulci.

Mas o meu verdadeiro interesse em Roma estava centrado mais em seu valor cinematográfico do que arqueológico.  Enquanto a maioria das pessoas faz sua romaria em direção ao Vaticano, primeiro eu caminhei religiosamente em direção a Cinecittà e até a Profondo Rosso, a famigerada loja de artigos de horror de Dario Argento e Luigi Cozzi. Os estúdios da Cinecittà, também chamada “fabbrica dei sogni”, localizam-se na Via Tuscolana 1055, na periferia de Roma (pega-se a linha A do metrô, direção Anagnina, e desembarca-se na penúltima estação, saindo diretamente na entrada dos estúdios).  Fundada em 1937 pelo ditador Benito Mussolini, com o intuito de produzir filmes que enaltecessem os valores fascistas, a Cinecittà começou a transformar-se num dos mais renomados estúdios de cinema do mundo após o fim da 2° guerra e do jugo fascista.  Sua ascensão como um dos pilares da sétima arte ocorreu a partir dos anos 50, quando se tornou o berço de realizadores notáveis como Fellini, De Sica, Visconti, Leone, Monicelli e tantos outros gênios do cinema italiano. A Cinecittà possui atualmente 22 estúdios e uma área que abrange 40 hectares, e apesar de não conter mais o mesmo brilho do passado continua em plena atividade, sendo um dos mais procurados centros de filmagem da Europa. Pelo valor de 20 euros é possível fazer uma tour guiada pelos estúdios, e visitar os sets de filmes como “Gangues de Nova Iorque”, de Martin Scorsese e da série “Roma”. O museu, que contém um belo acervo de artigos de cena de obras como “Cleópatra”, “O Último Porteiro da Noite” e tantos outros filmes rodados em seus estúdios ao longo das décadas, é de fazer verter lágrimas em qualquer cinéfilo.

http://www.cinecittastudios.it/

 

Tentando conter a emoção no pórtico de entrada

Wrestling com monstros

Uma estátua de "Satyricon" de Fellini

O notório Estúdio N°5 onde Fellini realizou a maioria de seus filmes.

Uma voltinha na Roma antiga

 

Passeando pela antiguidade- Set da série Roma

A Nova Iorque cenográfica de Scorsese

Figurinos do filme Cleópatra (1963), com Elisabeth Taylor e Richard Burton

Algum diretor esquecido nas catacumbas da Cinecittà

Emocionante Museu da Imagem da Cinecittà

 

 

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