Arquivo do mês: junho 2012

CINEMA EX MACHINA SELECIONADO PARA A 7° EDIÇÃO DO CINE MUBE!

 “Na solidão da cabine do projecionista a máquina processa a ilusão”. 

O meu curta-metragem Cinema Ex Machina, um projeto experimental (realizado com uma cybershot Sony W-570), foi selecionado para a mostra competitiva da sétima edição do Cine Mube Vitrine Independente de SP.  O curta é uma declaração de amor ao cinema, e uma reflexão muito pessoal a respeito deste obscuro objeto do desejo. Em breve estarei disponibilizando este experimento para apreciação on line, mas os amigos paulistas que quiserem conferir em primeira mão, é só darem um pulo no MUBE (Museu Brasileiro da Escultura. Av Europa 218) no dia 30 de junho.  Vale lembrar que está edição do evento é dedicado à memória do cineasta Carlos Reichenbach.

Mais informações: http://www.facebook.com/cinemubevitrine

 

2 Comentários

Arquivado em Cinema brasileiro, Cinema Nacional Porra!, Curta, Divulgação, Festivais

TRINTA ANOS DE BLADE RUNNER!

Rutger Hauer como o andróide em crise existencial em Blade Runner

Em 25 de junho de 1982 Ridley Scott levava para as telas Blade Runner- O Caçador de Andróides, a sua adaptação de Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas?, de Phillip K. Dick. Fracasso comercial na época de seu lançamento, faturando pouco mais de 30 milhões nas bilheterias,  o tempo fez justiça ao filme, elevando-o ao status de objeto de culto.  Recentemente o artista plástico Anders Ramsell realizou uma impressionante homenagem ao reproduzir trechos do filme quadro a quadro em 3285 aquarelas.  Fica aqui a homenagem do Cinema Ex Machina!

1 comentário

Arquivado em Homenagem, Sci-fi

HOMENAGEM A CARLOS REICHENBACH NO PROJETO RAROS!

Ênio Gonçalves e Reichenbach durante a realização de Filme Demência (1986)

Na próxima sexta-feira (29 de junho), as 20h30, na Sala de Cinema P.F. Gastal (3° andar da Usina do Gasômetro), em homenagem ao grande diretor Carlos Reichenbach, o Projeto Raros exibirá “Filme Demência” (1986). Considerado pelo próprio Reichenbach como o seu trabalho predileto, a trama, escrita em conjunto com o crítico de cinema Inácio Araújo, acompanha a trajetória de Fausto, um indústrial a beira da falência que num momento de crise rompe seus  laços familiares e munido de uma arma mergulha na noite de São Paulo em busca de um paraíso imaginário. A sessão será comentada pelo jornalista Carlos Thomaz Albornoz e pelo professor de cinema Milton do Prado. Entrada Franca.

Deixe um comentário

Arquivado em Cinema brasileiro, Cinema Nacional Porra!, Diretores, Divulgação

HORROR E ESTÉTICA TRASH: UMA AULA SOBRE TRANSGRESSÕES CINEMATOGRÁFICAS

“Horror e Estética Trash no Cinema Independente: Um Panorama de Transgressões”. Divine numa das cenas mais emblemáticas e polêmicas de Pink Flamingos (1972), de John Waters

No último dia 20, aceitando o generoso convite da sensacional Gabriela Almeida, tive o prazer de novamente ministrar uma aula para os alunos do curso de audiovisual da ULBRA. A minha aula,”Horror e Estética Trash no Cinema Independente: Um Panorama de Transgressões”, (intitulei com esse nome acadêmico bonito para parecer que sou uma pessoa séria), também poderia se chamar “O Cinema Como Arma Para Deturpar a Mente de Seus Alunos”. Foi uma manhã divertida onde pude trocar idéias sobre cinema independente, esclarecer algumas diferenças entre gênero e estética no horror, e exercitar um pouco a provocação cinematográfica exibindo trechos de filmes como “Pink Flamingos”, “Multiple Maniacs”, “Robot Monster”, “Blood Freak”, “Plan 9 From Outer Space”, “I Drink Your Blood”, entre outras pérolas do bom cinema ruim. A reação dos alunos diante de alguns dos filmes foram do riso ao total desconforto (principalmente por parte das pessoas que desconheciam o trabalho de John Waters), mas esse estranhamento de uma parte da classe era justamente a motivação de minha aula, pois creio que o cinema que importa se produz fora da zona de conforto. Agradeço mais uma vez a professora Gabriela pelo convite, apenas espero não ter estragado definitivamente a cabeça de seus alunos, acho que veremos a curto prazo os efeitos colaterais desta aula. E como diriam os The Cramps…stay sick!

Ministrando a aula “Horror e Estética Trash no Cinema Independente: Um Panorama de Transgressões”, para os alunos do Curso de Audiovisual da ULBRA

Com a professora de cinema da ULBRA Gabriela Almeida

Deixe um comentário

Arquivado em Divulgação, Teoria, Teoria de botequim

KENJI MIZOGUCHI E LANÇAMENTO DA REVISTA DE CINEMA AURORA NA SALA P.F. GASTAL!

Senhorita Oyu (Oyû-sama, 1951), de Kenji Mizoguchi

“No próximo sábado, dia 23 de junho, às 17h, a Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro (3º andar) realiza o lançamento da revista eletrônica Aurora, resultado de uma pesquisa iniciada em 2011 pelo Grupo de Estudos em Cinema (www.grupodecinema.com). Nesta sua primeira edição, a revista traz entrevistas e uma série de artigos sobre a mise en scène cinematográfica, estabelecendo o diálogo fundamental com a pintura, o teatro, a literatura e a televisão. Do cinema clássico às possibilidades contemporâneas, os textos exploram a questão da mise en scène propondo abordagens de fôlego, dedicadas a  lançar novos olhares sobre o tema.

O lançamento da Aurora também marca o início da parceria do grupo que a edita com a Sala P. F. Gastal, através da realização de sessões mensais a partir do segundo semestre de 2012, com a intenção de incentivar a reflexão de temas significativos da história do cinema na cidade de Porto Alegre. Na sessão de lançamento será exibido Senhorita Oyu (Oyû-sama, Japão, 1951), uma das obras-primas de Kenji Mizoguchi, mestre do cinema japonês, sobre o qual há um texto nesta primeira edição da revista.

Nos anos 1950, a crítica ocidental descobre Mizoguchi e encontra em sua obra a referência para poder pensar amise en scène no cinema. Ao lado de Otto Preminger, o realizador japonês foi das poucas unanimidades entre gregos e troianos da cinefilia francesa que viam namise en scène o sentido primeiro da arte cinematográfica. Provavelmente a mais bela história de amor já filmada, Senhorita Oyu representa o momento em que o cineasta encontra a maturidade definitiva, que permaneceria nos anos seguintes em obras célebres como Contos da Lua Vaga (1953) e O Intendente Sansho(1954). O filme será exibido em DVD, com legendas em português. A entrada é franca. Após a exibição de Senhorita Oyu, haverá um debate com os editores da revista Aurora, Leonardo Bomfim e Pedro Henrique Gomes.”

Quem levar seu pendrive, sai com o PDF da nova publicação de cinema.

Informações detalhadas:

Quando: sábado, dia 23 de junho, às 17h

Onde: Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro (Av. Pres. João Goulart, 551 /3º andar)

Contato: www.grupodecinema.com / contato@grupodecinema.com

Deixe um comentário

Arquivado em Divulgação

CINEMA EX MACHINA DE ARTE NOVA!

A nova concepção de arte do Cinema Ex Machina é fruto da imaginação doentia do meu grande amigo Vasco Py Siegmann. Além de ser o amigo psicopata de plantão e crítico costumaz da espécie humana, Vasco tem em seu currículo a direção de arte e gráfica do FANTASPOA, sendo criador, entre outras imagens delirantes, do famigerado logotipo da múmia de película. Devo-lhe muita mais do que a prometida dose de bourboun. Valeu Vasco!

1 comentário

Arquivado em Divulgação

O CINEMA UNDERGROUND BRASILEIRO PERDE JORGE TIMM!

Jorge Timm em Lua Perversa

Ainda em processo de recuperação da ressaca de tristeza provocada pela despedida de Carlos Reichenbach,  agora os cinéfilos são pegos de surpresa com a morte do grande Jorge Timm. É inevitável a  sensação de desconforto quando um blogue destinado a divulgar o cinema alternativo se transforma num obituário de pessoas queridas. O cinema underground brasileiro ficará mais sisudo sem a presença de Jorge Timm! Figura habitual nos filmes da Canibal Produções, Timm marcou presença em pequenas pérolas do cinema de baixo orçamento com seus personagens bizarros e bonachões. Suas performances hilárias em produções como “O Monstro Legume do Espaço”, “Eles Comem Sua Carne”, “Zombio”, “O Doce Avanço da Faca”, e no famigerado e polêmico curta “Boi Bom”, o transformaram num ícone da cultura “trash” brasileira. Ironicamente tive o prazer de trabalhar alguns dias com Jorge Timm num filme  intitulado “Ninguém Deve Morrer”, e desta experiência fica o registro da diversão, regada com a  boa conversa e muitas gargalhadas. Adeus Timm!

Gurcius Gewdner e Jorge Timm nos bastidores de “Ninguém Deve Morrer”.

Deixe um comentário

Arquivado em Ator, R.I.P

ADEUS CARLOS REICHENBACH! VIVA A SUA ALMA CORSÁRIA!

Carlos Reichenbach (14 de junho de 1945 + 14 de junho de 2012)

Carlos Reichenbach partiu, ironicamente, no mesmo dia em que chegou ao mundo. Mas com ele as coisas não poderiam ser simples, precisavam conter este elemento desestabilizador,  nem que fosse um pequeno detalhe como a coincidência do nascimento e da morte, algo digno de um artifício cinematográfico. O cinema brasileiro perde o cineasta ímpar Carlos Reichenbach,  mas quem teve o prazer de conhecer a figura humana além da persona pública, perde o Carlão.

Carlão Reichenbach era uma figura generosa, rara, e despido de pudores e preconceitos foi um batalhador incansável de um cinema brasileiro que teima em se cansar facilmente, um incentivador corajoso de novos talentos e novos olhares. Era um cinéfilo perspicaz que poderia ficar horas debatendo sobre cinema com paixão e fúria, ouvindo e argumentando, dividindo seu vasto conhecimento para quem estivesse disposto a ouvir. Devido a essa paixão conseguiu agregar, incentivar e influenciar uma gama de jovens realizadores e críticos,  entre os quais me incluo. No começo da década passada a lista de discussão de cinema “Canibal Holocausto” (do amigo Thomaz Albornoz) era um ponto de referência para jovens com pretensões cinematográficas, e lá estava Carlão, um diretor canônico, debatendo humildemente com um bando de garotos entusiasmados.

“Em O Poderoso Chefão, Gordon Willis atingiu o preto absoluto! Gordon Willis é o único diretor de fotografia que conseguiu de forma genial o PRETO ABSOLUTO!” , gritava Carlão numa mesa de bar numa noite que entre um gole e outro eu tomava grandes lições sobre cinema.

Adeus Carlão! Obrigado por sua obra, por sua generosidade, e por ter me proporcionado numa mesa de bar uma das melhores aulas de cinema que tive em minha vida! Viva a sua alma corsária!

Carlão e eu durante a exibição de seu filme “Lilian M: Relatório Confidencial” na edição comemorativa número 100 do Projeto Raros.

FILMOGRAFIA:

2007 Falsa Loura

2004 Bens Confiscados

2003 Garotas do ABC

2002 Equilíbrio e Graça (short)

1999 Dois Córregos – Verdades Submersas no Tempo

1994 Olhar e Sensação (short)

1993 Alma Corsária

1990 City Life (documentary) (segment “Desordem em Progresso”)

1987 Anjos do Arrabalde

1986 Filme Demência

1984 Extremos do Prazer

1982 Amor, Palavra Prostituta

1982 As Safadas (segment “Rainha do Fliperama”)

1981 O Império do Desejo

1979 Sede de Amar

1979 AIlha dos Prazeres Proibidos

1975 Lilian M.: Relatório Confidencial

1972 Corrida em Busca do Amor

1971 O Paraíso Proibido

1970 Audácia (segments “Prólogo” and “Badaladíssima dos Trópicos X Os Picaretas do Sexo, A”)

1968 As Libertinas (segment “Alice”)

1968 Esta Rua Tão Augusta (documentary short)

Deixe um comentário

Arquivado em boca do lixo, Cinema brasileiro, Cinema Nacional Porra!, Diretores, R.I.P

THE RAID- REDEMPTION

Exibido no Festival do Rio em 2011 com o título “Batida Policial”, o filme indonésio “The Raid- Redemption” (Serbuan Maut, 2011), vem sendo recebido com entusiasmo pelos fãs do cinema de ação. Tal empolgação se justifica plenamente durante os 100 minutos em que o diretor Gareth Evans desenvolve uma trama onde a violência desenfreada é orquestrada com uma inventividade cruel, em que poucos instantes são dados para os personagens e o público recuperarem o fôlego.

No começo da década de 1990, oriundo de Hong Kong, o diretor John Woo, antes de ser cooptado por Hollywood, redefiniu o gênero com o balé de balas visto em obras como “The Killer”, “Fervura Máxima” e “Bala na Cabeça”, em 2003, o filme “Ong-Bak – Guerreiro Sagrado”, de Prachya Pinkaew, colocou em evidência o muay thai e o efusivo cinema de ação da Tailândia, encabeçado pelo artista marcial Tony Jaa, e agora chegou a vez da Indonésia com “The Raid- Redemption”, dar mais uma amostra de que o cinema americano, preso as formalidades burocráticas da indústria, a muito tempo perdeu a supremacia do gênero para as produções asiáticas.

As insanas produções de artes marciais asiáticas, desde os anos 1970 esbanjavam criatividade, apesar de lutarem também com a precariedade técnica, porém nas últimas décadas atingiram um alto nível de excelência em suas produções, tornando o seu cinema competitivo em qualidade com as produções norte americanas. A diferença é que enquanto um se preocupa em agradar a platéia adolescente (com produções diluídas para obter o selo PG 13), o outro faz filmes para um público de ação consciente de que além da estética cinematográfica, facas cortam, ossos quebram e a carne sangra.

A trama de “The Raid- Redemption” é tão simples quanto eficiente. Um batalhão de elite de Jacarta precisa invadir um prédio, situado num bairro barra pesada, para prender um chefe do narcotráfico. O problema é que o edifício é habitado por toda espécie de sociopata do submundo do crime, e a cada andar que avançam os policiais enfrentam um sangrento embate, mas não tarda para perceberem  que estão encerrados numa armadilha mortal de 30 andares. Encurralados, os policiais combatem a horda de assassinos num desesperador jogo de sobrevivência, onde quando a munição termina, golpes de faca, machado, e até cadeiras, são utilizados para dizimar os adversários. O jovem oficial Rama (Iko Uwais), tem motivações pessoais para ter aceito a missão, e suas habilidades nas artes marciais serão necessárias para empilhar corpos no meio do caminho até chegar ao seu objetivo. A missão de captura, além de desastrosa aos poucos vai se revelando não tão nobre quanto pensavam, mas quando o sangue começa a jorrar, é tarde demais para recuar.

Iko Uwais é um exímio atleta também na vida real, sendo campeão nacional de Silat, tradicional arte marcial da Indonésia. Foi Uwais quem coreografou as impressionantes seqüências de luta, uma verdadeira dança da violência, em que é impossível não imaginar quantos dublês saíram do set de filmagem direto para o hospital. E o anúncio de uma clínica de traumatologia nos créditos finais só reforça essa idéia. As seqüências envolvendo armas brancas são coreografadas de forma impressionante, e mesmo com a edição ágil envolvendo os golpes rápidos, o espectador não é poupado dos detalhes mais sangrentos. As sequências onde Rama luta com diversos oponentes munidos com facões em um corredor apertado, ou a tensa tentativa de fuga onde um caminho entre os andares é desbravado à machadadas, são dolorosamente prazerosas de se assistir.

Gareth Evans é um diretor com apenas outro longa em seu currículo, “Merantau” (2009), também com o lutador Iko Uwais no elenco, porém o seu exercício de direção demonstra que apesar da evidente euforia de um jovem diretor, ele possuí um impressionante domínio na concepção dos planos, uma decupagem digna de um veterano de olhar apurado.

Histórias com homens encurralados, pressionados a se transformarem em bestas para sobreviver a qualquer custo não são novidade, mas devido a sua natureza complexa sempre podem render excelentes frutos, e não faltam bons exemplos, Sob o Domínio do Medo, Duro de Matar, Território Inimigo, Assalto a 13° DP. Assim “The Raid” se une a uma bela estirpe de filmes sob o signo da crueldade.

O fato é que está modesta produção da Indonésia chamou a atenção do mercado americano, tendo seus direitos de exibição adquiridos pela Sony/Columbia. O filme estreou nos E.U.A ocupando 700 salas de cinema , lucrando mais de dois milhões em 10 dias, algo notável para um filme de ação B asiático.  Uma porrada certeira na cara dos grandes estúdios.

3 Comentários

Arquivado em Ação, martial arts, Policial

MAR NEGRO GANHA SEU PRIMEIRO MAKING OF!

O diretor capixaba Rodrigo Aragão, um dos grandes batalhadores do cinema de gênero no Brasil, divulga o primeiro making of de seu próximo longa, “Mar Negro”. O desfecho da trilogia, iniciada com o hoje cult “Mangue Negro” , e seguida de “A Noite do Chupacabras” (lançado recentemente em DVD),  promete incluir criaturas ainda mais bizarras na história da filmografia brasileira de horror.

1 comentário

Arquivado em Cinema brasileiro, Cinema Nacional Porra!, Divulgação, Fantasia, Fantástico, Horror, humor negro, splatter, Suspense