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SERGIO LEONE… SOBRE REVOLUÇÕES

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Quando Explode A Vingança (1971)

“Revolução? Como assim, revolução? Não tente me falar de revolução. Sei tudo sobre revoluções e como elas começam! Gente que lê livros vai atrás de quem não lê, gente pobre, e diz que chegou a hora de haver mudanças! Sei o que estou dizendo quando falo da revolução. Gente que lê livros procura os que não sabem ler, gente pobre, e diz: “Tem que haver mudanças.” E a gente pobre faz as mudanças, hein? Aí, os que lêem livros se sentam em grandes mesas lustrosas e falam, falam, comem e comem, hein? Mas o que acontece com os pobres? Eles estão mortos! Essa é a sua revolução! Por isso, por favor, não me fale de revoluções.”

O bandoleiro Juan Miranda (Rod Steiger) explicando ao mercenário John Mallory (James Coburn) seu conceito de revolução em “Quando Explode a Vingança” (Giù La Testa / Duck You Sucker / A Fistful of Dynamite) de Sergio Leone.

 

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CICLO DE FAROESTES POLÍTICOS NA SALA P. F. GASTAL

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Quando Explode a Vingança, de Sergio Leone

Em sintonia com as recentes manifestações que tomaram as ruas da cidade nas últimas semanas, a Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro (3º andar) exibe entre os dias 2 e 14 de julho a mostra Westerns Políticos, reunindo faroestes que trazem à tona questões políticas a partir de diferentes olhares.
São muitos os conflitos e as revoluções retratados nas incursões abertamente políticas do gênero, em narrativas que questionam as figuras heróicas do imaginário norte-americano e rompem com o maniqueísmo clássico presente nas obras mais tradicionais. De grandes nomes de Hollywood, serão exibidos, entre outros, Vera Cruz, de Robert Aldrich, um dos pais do faroeste moderno, Viva Zapata!, de Elia Kazan, com Marlon Brando vivendo o emblemático líder revolucionário mexicano, e o último western de John Ford – o principal mestre do gênero –, Crepúsculo de uma Raça, espécie de acerto de contas pessoal com os índios, personagens frequentemente retratados como desordeiros violentos em obras clássicas daquele universo – incluindo muitas do próprio Ford.
Por mais que boa parte dos westerns discorra sobre fatos históricos norte-americanos – ou de suas fronteiras mexicanas –, tais narrativas muitas vezes refletem turbulências políticas contemporâneas às suas realizações. É o caso do cultuado Quando Explode a Vingança, de Sergio Leone, outro destaque do ciclo, que aborda as conseqüências das rebeliões europeias de 1968 mesmo tendo como tema a revolução mexicana do início do século XX.
O zapata western, vertente extremamente politizada do western spaghetti com suas jornadas violentas sobre guerrilheiros e separatistas, também ganha destaque no ciclo. Além da obra-prima de Leone, serão exibidos Uma Bala para o General, um dos primeiros filmes do renomado cineasta Damiano Damiani, e o clássico Vamos Matar, Companheiros!, de Sergio Corbucci, mestre do cinema de gênero italiano recentemente homenageado por Quentin Tarantino em Django Livre.
O ciclo também exibe alguns dos faroestes que promoveram revoluções importantes dentro dos paradigmas do gênero, como Meu Ódio Será Sua Herança, de Sam Peckinpah, que elevou o nível de sordidez e violência a um patamar poucas vezes visto, El Topo, incursão surrealista do chileno Alejandro Jodorowsky aos desertos do oeste, e Jogos e Trapaças – Quando os Homens São Homens, de Robert Altman, que, apoiado pela música de Leonard Cohen, insere uma poderosa carga metafísica aos dramas de seus personagens.

A mostra Westerns Políticos tem o apoio da distribuidora MPLC, e pode ser conferida em três sessões diárias.

PROGRAMAÇÃO

Céu Amarelo (Yellow Sky), de William A. Wellman (EUA, 1948, 97 minutos)
Um dos mais sombrios e instigantes faroestes tem como tema as cidades-fantasmas. Em 1867, bandoleiros assaltam um banco em Rameyville e são perseguidos pela cavalaria do exército, o que os obriga a fugir para o deserto. Quase mortos pelo calor e falta d’água, eles chegam a uma localidade isolada, mas perdem as esperanças quando percebem tratar-se de uma cidade abandonada. Exibição em Blu-ray.

Viva Zapata! (Viva Zapata!), de Elia Kazan (EUA, 1952, 113 minutos)
Em 1909, no México, um grupo de lavradores vai até o presidente, afirmando que suas terras foram roubadas, mas um deles (Marlon Brando) deixa claro que o governo não pretende fazer nada por eles. Este lavrador acaba se tornando o lendário guerrilheiro Emiliano Zapata, que por vários anos teve importância política na vida do país. Exibição em DVD.

Vera Cruz (Vera Cruz), de Robert Aldrich (EUA, 1954, 94 minutos)
Por volta de 1860, ao escoltarem uma condessa até Vera Cruz, dois aventureiros americanos, interpretados pelos astros Gary Cooper e Burt Lancaster, involuntariamente se envolvem com a derrubada do imperador mexicano Maximiliano. Cultuado por nomes do Sergio Leone e Sam Peckinpah, o filme de Aldrich acena a paternidade do faroeste moderno ao romper de vez com os maniqueísmos do gênero. Exibição em Blu-ray.

Crepúsculo de uma Raça (Cheyenne Autumn), de John Ford (EUA, 1964, 156 minutos)
Em 1878, o governo deixa de entregar os suprimentos necessários à tribo indígena Cheyenne, como prevê um tratado assinado pelos governantes. Famintos e descontentes, mais de 300 índios decidem sair da reserva em Oklahoma numa jornada ao Wyoming, o local original onde sempre viveram. Thomas Archer, Capitão da Cavalaria Americana, é designado para a missão de conter os índios e evitar a viagem. Mas durante o percurso o oficial passa a respeitar a coragem dos índios e decide ajudá-los. É a despedida de John Ford ao lendário Monument Valley. Exibição em DVD.

Uma Bala para o General (El Chuncho, Quien Sabe?), de Damiano Damiani (Itália, 1966, 135 minutos)
Durante a Revolução Mexicana, um jovem americano misterioso se une a um grupo de saqueadores liderados por El Chucho. A partir daí, iniciam uma série de ataques selvagens para roubar armas para um general rebelde. Mas quando o Gringo resolve colocar em prática seus ideais juntamente com o grupo de bandidos, El Chucho descobre que as verdadeiras armas de guerra não pertencem a nenhum exército. Numa terra devastada pela pobreza e violência, será possível comprar a liberdade com uma única bala? Exibição em DVD.

Os Profissionais (The Professionals), de Richard Brooks (EUA, 1966, 117 minutos)
Em 1917 um rico rancheiro, J.W. Grant (Ralph Bellamy), contrata três mercenários, Henry “Rico” Farden (Lee Marvin), Hans Ehrengard (Robert Ryan) e Jacob Sharp (Woody Strode), para resgatar sua esposa Maria (Claudia Cardinale), que foi ao México e acabou sendo raptada por Jesus Raza (Jack Palance) e seu bando. Exibição em Blu-ray

Meu Ódio Será Sua Herança (The Wild Bunch), de Sam Peckinpah (EUA, 1969, 145 minutos)
A história se passa em 1913, no auge da Revolução Mexicana. Os Wild Bunch são os foras-da-lei mais perigosos que o Oeste já viu. Mas a cada novo golpe, as chances de algo dar errado vêm aumentando, o que faz com que eles decidam encerrar as atuações. Só que um trem carregado de armas é uma remessa valiosa demais para passar despercebida pelos ladrões aposentados. Exibição em DVD.

El Topo (El Topo), de Alejandro Jodorowsky (México, 1970, 125 minutos)
Envolto numa roupagem alegórica e repleto de simbolismos cifrados, o filme narra as andanças de um pistoleiro místico (El Topo), interpretado pelo próprio Alejandro Jodorowsky, através do deserto do distante Oeste, numa epopéia surrealista na qual ele se supera em duelos para conseguir atribuir-se o êxito de ser a pistola mais rápida do Oeste. Um encontro cósmico profundamente influenciado pelas obras pânicas, este filme foi o tiro de saída do circuito alternativo das Sessões Malditas em Nova Iorque, propulsado pelo distribuidor Bem Barenholtz, que descobriu o filme graças a John Lennon e Yoko Ono.

Vamos Matar, Companheiros! (Vamos a Matar, Compañeros), de Sergio Corbucci (Itália, 1970, 118 minutos)
O contrabandista de armas Yolaf Peterson (Franco Nero) planeja fazer uma venda para o guerrilheiro Mongo (Francisco Bódalo), mas o dinheiro está trancado num cofre no banco e somente o Professor Xantos (Fernando Rey), um prisioneiro dos americanos, sabe a combinação. Yolaf concorda em soltar Xantos, acompanhado pelo relutante guerrilheiro Basco, mas um antigo parceiro de negócios de Yolaf, John “Mão-de-Madeira” (Jack Palance), tem outras idéias. Este faroeste político de Corbucci é uma das obras-primas do western spaghetti. Exibição em DVD.

O Pequeno Grande Homem (Little Big Man), de Arthur Penn (EUA, 1970, 139 minutos)
Aos 121 anos, Jack Crabb (Dustin Hoffman) conta num hospital a história de sua vida entre os índios Sioux. Sua indefinição racial provoca graves problemas de identidade, já que o homem não se integra com os brancos e nem com os índios. Ele aprende a ser guerreiro com o seu avô adotivo, Chefe Velha Pele Curtida (Chief Dan George); o pecado da carne com sua mãe adotiva e mulher do Reverendo (Faye Dunaway); o valor da amizade com o pistoleiro Wild Bill Hicock (Jeff Corey) e a odiar com o General Custer (Richard Mulligan). Dos filmes mais importantes da Nova Hollywood, este faroeste de Arthur Penn retrata com ironia e inteligência o período mais cruel da história dos EUA. Exibição em Blu-ray.

Quando Explode a Vingança (Giù La Testa), de Sergio Leone (Itália, 1971, 157 minutos)
Quando um terrorista irlandês (James Coburn), obcecado por dinamite, se junta a um camponês mexicano (Rod Steiger) que virou um revolucionário, os resultados só podem ser altamente explosivos! Ambientado durante a revolução mexicana de 1913, Quando Explode a Vingança (originalmente intitulado Duck, You Sucker!) é uma agitada história sobre poder e política dirigida por Sergio Leone, o celebrado diretor de Três Homens em Conflito e de Era uma Vez na América. Exibição em DVD.

Jogos e Trapaças – Quando os Homens São Homens (McCabe & Mrs. Miller), de Robert Altman (EUA, 1971, 120 minutos)
Presbyterian Church é uma pequena cidade no extremo oeste dos Estados Unidos, o lugar perfeito para o carismático mas fracassado jogador, John Q. McCabe, começar seu próprio negócio: construir um bordel. Constance Miller é uma mulher da cidade grande que utiliza seus dons para ajudar McCabe a realizar seu sonho. Uma das grandes obras-primas de Robert Altman, o filme apresenta as estrelas Warren Beatty e Julie Christie, indicada ao Oscar de Melhor Atriz em 1971 por este trabalho. Exibição em DVD.

GRADE DE HORÁRIOS
Primeira Semana (2 a 7 de julho de 2013)
2 de julho (terça-feira)
15:00 – Vera Cruz, de Robert Aldrich
17:00 – Crepúsculo de uma Raça, de John Ford
20:00 – Exibição do curta Sincronário

3 de julho (quarta-feira)
15:00 – Céu Amarelo, de William A. Wellman
17:00 – Os Profissionais, de Richard Brooks
19:00 – El Topo, de Alejandro Jodorowsky

4 de julho (quinta-feira)
15:00 – Vamos Matar, Companheiros!, de Sergio Corbucci
17:00 – Viva Zapata!, de Elia Kazan
19:00 – Quando Explode a Vingança, de Sergio Leone

5 de julho (sexta-feira)
15:00 – Os Profissionais, de Richard Brooks
17:00 – Vera Cruz, de Robert Aldrich
19:00 – Crepúsculo de uma Raça, de John Ford

6 de julho (sábado)
15:00 – Viva Zapata!, de Elia Kazan
17:00 – Céu Amarelo, de William A. Wellman
19:00 – El Topo, de Alejandro Jodorowsky

7 de julho (domingo)
15:00 – Vamos Matar, Companheiros!, de Sergio Corbucci
17:00 – Os Profissionais, de Richard Brooks
19:00 – Quando Explode a Vingança, de Sergio Leone

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C’ERA UNA VOLTA NEGLI ANNI SESSANTA

No caos sensorial e imagético de minhas lembranças de infância, alguns elementos despertam com força a minha memória afetiva. Por exemplo, a música tema de “O Dólar Furado” (Un Dollaro Bucato), composta por Gianni Ferrio, sempre é capaz de despertar em mim uma saudável melancolia, remetendo ao período em que eu era apenas um menino deslumbrado descobrindo o velho oeste… através do cinema é claro. E como qualquer criança, nesta fase de encantamento com o gênero pouco importava discernir os westerns entre tradicionais e spaguettis, entre John Ford e Sergio Leone, ou diferenciar o Death Valley de algum canto da Almeria, tudo era simplesmente bang bang, e o importante era se divertir na frente da televisão trocando tiros de espoleta com índios e vilões imaginários. O ator Giuliano Gemma é uma destas figuras indissociáveis da minha infância, junto com John Wayne, Terence Hill e tantos outros cowboys que ainda cavalgam e duelam em minha memória. O youtube tem sido uma mina de ouro para os saudosistas, e o vídeo abaixo é particularmente emocionante para qualquer fã de western spaguetti. Giuliano Gemma em 1967, lançando o filme E Por Teto Um Céu de Estrelas, de Giulio Petroni num programa da TV italiana apresentado pela cantora Rita Pavone. Gemma exibe todo o seu talento e carisma, comprovando o porquê de seu status de ídolo popular na Itália dos anos 1960.

Aqui um belo texto do Felipe Guerra sobre o filme de Giulio Petroni:

http://filmesparadoidos.blogspot.com/2009/11/e-per-tetto-un-cielo-di-stelle-1968.html

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