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GÁS! DE ROGER CORMAN NO PROJETO RAROS!

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Uma nova arma química é testada pelo exército provocando um efeito inesperado, o gás letal se espalha pela atmosfera do planeta matando qualquer ser humano com a idade acima de 25 anos. Assim o mundo inesperadamente fica sob total controle dos jovens. Repleta de psicodelia, humor nonsense e rock’n’roll, esta comédia apocalíptica dirigida pelo lendário Rei dos Filmes B,  Roger Corman, é o próximo filme que o Projeto Raros apresenta na Sala P. F. Gastal, sexta-feira, 04 de outubro, às 20 horas.

Realizado durante a efervescência do movimento flower power, Gás! da continuidade a uma série de filmes anárquicos envolvendo a contracultura americana que começaram a ser produzidos após o sucesso de Sem Destino (Easy Rider, 1969), de Dennis Hopper. Descontente com os cortes impostos pelos produtores e pela péssima recepção nas gas_01bilheterias, Gás! foi a última parceria de Roger Corman com a produtora AIP, com quem havia realizado dezenas de filmes. Corman dirigiria apenas mais um filme nos anos setenta, O Barão Vermelho (Von Richthoffen and Brown, 1971), voltando à direção apenas em 1990 com Frankenstein – O Monstro das Trevas (Frankenstein Unbound). Nesse período longe da direção Corman seguiu com a carreira de produtor que o tornara lendário, realizando entre 1954 até agora mais de 300 filmes.

Uma curiosidade de Gás! é a presença da então desconhecida atriz Tally Coppola, que a partir de O Poderoso Chefão (1972), dirigido pelo seu irmão Francis Ford Coppola, passaria a ser conhecida como Talia Shire.

A sessão será comentada por mim e pelo crítico Cesar Almeida, organizador do livro Cemitério Perdido dos Filmes B – Exploitation.

Gás! (Gas! -Or- It Became Necessary to Destroy the World in Order to Save It / EUA /1970), de Roger Corman. Entrada Franca.

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A JUVENTUDE EM FÚRIA INVADE A SALA P.F.GASTAL!

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De 1º a 9 de outubro a Sala P.F. Gastal da Usina do Gasômetro reúne na mostra Juventude em Fúria filmes que exploram diversas facetas da rebeldia e da inquietação juvenil. Platão dizia que “de todos os animais selvagens, o homem jovem é o mais difícil de domar”, e o cinema foi pródigo em retratar este período da vida marcado pelo inconformismo, pela experimentação, e por arroubos de paixão e violência, onde imperam a transgressão e o desafio as autoridades.

A mostra faz um breve panorama cinematográfico do furor juvenil reunindo obras de diversas épocas, como

Juventude Transviada

Juventude Transviada

Juventude Transviada (1955), de Nicholas Ray e Sementes da Violência (1955), de Richard Brooks, retratos seminais sobre a delinquência e a rebeldia dos jovens nos anos 1950, e obras de culto, como os violentos Laranja

Mecânica (1971), de Stanley Kubrick, Warriors – Os Selvagens da Noite (1979), de Walter Hill, e Quadrophenia (1979), de Franc Roddam, baseado no álbum homônimo da banda de rock inglesa The Who. A irreverência, tendo o rock como força motriz, está presente nos escrachados Cry-Baby (1990), de John Waters, Rock’n’Roll High School (1979), de Allan Arkush e Joe Dante, e na insana comédia apocalíptica Gas! (1970), de Roger Corman. A crueldade e a inocência se chocam em obras como O Senhor das Moscas (1990), de Harry Hook, Terra de Ninguém (1973), de Terrence Malick e na bizarra visão da juventude americana vista em Gummo – Vida Sem Destino (1997), de Harmony Korine. Já o diretor Nagisa Oshima, falecido no início deste ano, apresenta um feroz retrato da juventude japonesa pós-guerra em O Túmulo do Sol (1960).

A mostra Juventude em Fúria tem o apoio da distribuidora MPLC e da locadora E o Vídeo Levou.

MOSTRA JUVENTUDE EM FÚRIA

Juventude Transviada (Rebel Without a Cause / 1955 / 111 minutos), de Nicholas Ray / Recém chegado em uma nova cidade, Jim Stark (James Dean), rapaz rebelde com um passado conturbado, enfrenta problemas de adaptação e entra em conflito com as autoridades e com outros jovens da comunidade. Emblemático filme sobre rebeldia juvenil que influenciou toda uma geração.

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 Sementes da Violência (Blackboard Jungle / 1955 / 101 minutos), de Richard Brooks / Richard Dadier (Glenn Ford), um veterano de guerra, inicia a sua carreira como professor em um bairro pobre de Nova York. No entanto, ele logo descobre que a escola é dominada por delinqüentes que oprimem com violência os professores. Porém Dadier está determinado a trazer a ordem de volta para sua sala de aula. Clássico sobre delinqüência juvenil, e um dos primeiros filmes a incluir o rock’n’roll em sua trilha sonora com “Rock Around the Clock”, de Bill Haley & His Comets.

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 Laranja Mecânica (A Clockwork Orange / 1971 / 136 minutos), de Stanley Kubrick / Num futuro indeterminado o delinquente Alex (Malcolm McDowell) é preso após cometer uma série de crimes, e para amenizar sua pena torna-se voluntário em uma terapia experimental de aversão a violência, desenvolvida pelo governo numa tentativa de extirpar a criminalidade da sociedade. Um dos mais controversos e cultuados filmes dos anos 1970, baseado em um romance de Anthony Burgess. (exibição em blu ray)

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 Terra de Ninguém (Badlands / 1973 / 94 minutos), de Terrence Malick / Nos anos 1950, o solitário e rebelde Kit (Martin Sheen) conhece a sonhadora Holly (Sissy Spacek). A ingênua paixão juvenil toma rumos trágicos quando, para consumar seu amor, Kit decide assassinar o pai de Holly e empreender com ela uma alucinada fuga. Perseguidos pela lei, o casal deixa pelo caminho uma trilha de corpos. Inspirado em um fato real “Terra de Ninguém” é o filme de estreia do aclamado diretor Terrence Malick.

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 Warriors – Os Selvagens da Noite (The Warriors / 1979 / 92 minutos), de Walter Hill / Acusados injustamente de assassinar o líder de uma gangue, os Warriors precisam atravessar uma Nova Iorque distópica e violenta para chegar até o seu território enquanto são caçados por todas as gangues da cidade. Obra prima do diretor Walter Hill, se transformou num filme de culto durante os anos 1980. (Sessão comentada com os críticos de cinema Cristian Verardi e César Almeida).

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 Sessão Maldita Matinê – Os Donos do Amanhã (Class of 1984 / 1982 / 98 minutos), de Mark L. Lester / Professor recém chegado em uma escola dominada por gangues é envolto numa rede de brutalidade e selvageria juvenil. Violenta releitura oitentista de “Sementes da Violência” (1955).

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Projeto Raros – Gás! (Gas! -Or- It Became Necessary to Destroy the World in Order to Save It/ 1970 / 79 minutos), de Roger Corman / Uma arma química criada por militares acidentalmente mata todos os adultos, deixando o planeta sob o domínio dos jovens. Humor, psicodelia, irreverência e rock’n’roll, neste delírio fílmico dirigido pelo Rei dos Filmes B Roger Corman. (Sessão comentada com os críticos de cinema Cristian Verardi e César Almeida).

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Gummo – Vida Sem Destino (Gummo / 1997 / 89 minutos), de Harmony Korine  Numa cidade do interior de Ohio, adolescentes passam o dia usando drogas, vagando sem rumo e cometendo atos de crueldade. Retrato caótico e cruel de um grupo de jovens entregues ao abandono e a alienação.

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O Senhor das Moscas (Lord of The Flies / 1990 / 90 minutos), de Harry Hook / Isolados em uma ilha após um acidente aéreo, uma turma de crianças funda uma sociedade livre dos adultos, após alguns conflitos o grupo se divide revelando aos poucos o que de pior pode reservar a natureza humana. Baseado no romance do escritor inglês William Golding.

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Cry-Baby (1990 / 85 minutos), de John Waters / Wade Walker (Johnny Depp), mais conhecido como Cry-Baby, é o rebelde líder de uma gangue na Baltimore dos anos 1950. Ele se apaixona por Allison, uma jovem da alta sociedade. O romance acaba desencadeando uma guerra entre o seu grupo de delinqüentes e uma turma de playboys caretas. Comédia musical dirigida pelo anárquico John Waters em uma homenagem escrachada aos anos 1950.

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Quadrophenia (1979 / 117 minutos), de Franc Roddam / Londres, 1964. Assim como muitos adolescentes, Jimmy Cooper odeia a vida medíocre, especialmente no que se refere aos seus pais e seu emprego. Apenas quando ele está com seus amigos, Dave, Chalky e Spider, membros da gangue “Mod” – atravessando Londres em sua moto scooter e ouvindo “The Who” e “The High Numbers”, ele se sente livre e aceito. Os “Mods” estão sempre brigando com os “Rockers” para defender seus estilos de vida e identidades. Baseado no álbum homônimo lançado pelo The Who em 1973.

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Vidas Sem Rumo (The Outsiders / 1983 / 91 minutos), de Francis Ford Coppola  / Em um subúrbio da pequena cidade de Tulsa, Ponyboy Curtis (C. Thomas Howell) é o caçula de uma turma, formada ainda por Darrel Curtis (Patrick Swayze) e Sodapop Curtis (Rob Lowe). Os três órfãos tentam sobreviver onde tudo se restringe a “mexicanos pobres” e “ricaços”. A trinca descende de mexicanos, amarga empregos em postos de gasolina e sofre com a perseguição da polícia. Também fazem parte da gangue Dallas Winston (Matt Dillon) e Johnny Cade (Ralph Macchio), ainda um projeto de marginal. Eles tentam vencer e amadurecer enfrentando os ricos, mas nem tudo acontece como eles planejam.

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 Rock’n’ Roll High School (1979 / 93 minutos), de Allan Arkush e Joe Dante / Para combater a opressora direção de uma escola, um grupo de alunos rebeldes pede a inusitada ajuda da banda de punk rock Ramones. Insana e irreverente comédia musical produzida por Roger Corman.

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O Túmulo do Sol (Taiyô no hakaba 1960 / 87 minutos), de Nagisa Ôshima   Num bairro pobre de Tóquio, entre os destroços de uma sociedade, um grupo de jovens delinqüentes precisam lidar com um cotidiano de miséria, marginalidade e desesperança.

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 GRADE DE HORÁRIOS

Semana de 1° a 9 de outubro

  1° de outubro (terça-feira)

15:00 – Juventude Transviada (111 minutos)

17:00 – Vidas Sem Rumo (91 minutos)

19:00 – Sementes da Violência (101 minutos)

 02 de outubro (quarta-feira)

15:00 – O Senhor das Moscas (90 minutos)

17:00 – Gummo- Vida Sem Destino (89 minutos)

19:00 – Laranja Mecânica (136 minutos)

 03 de outubro (quinta-feira)

15:00 – Cry-Baby (85 minutos)

17:00 – Quadrophenia (117 minutos)

19:00 – O Túmulo do Sol (87 minutos)

04 de outubro (sexta-feira)

15:00 – Sementes da Violência (101 minutos)

17:00 – Terra de Ninguém (94 minutos)

20:00 – Projeto Raros- Gas! (79 minutos) – Sessão comentada.

  05 de outubro (sábado)

15:00 – Rock’n’ Roll High School (93 minutos)

17:00 – Maldita Matinê – Os Donos do Amanhã (98 minutos)

19:00 – Warriors – Os Selvagens da Noite (92 minutos) – Sessão comentada.

 06 de outubro (domingo)

15:00 – Vidas Sem Rumo (91 minutos)

17:00 – Gummo – Vida Sem Destino (89 minutos)

19:00 – Quadrophenia (117 minutos)

 08 de outubro (terça-feira)

15:00 – Warriors – Os Selvagens da Noite (92 minutos)

17:00 – O Senhor das Moscas (90 minutos)

19:00 – Terra de Ninguém (94 minutos)

  09 de outubro (quarta-feira)

15:00 – Cry Baby (85 minutos)

17:00 – Juventude Transviada (111 minutos)

19:00 – Laranja Mecânica (136 minutos)

 

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A VINGANÇA TEM GROOVE- COFFY!

“She had a body men would die for – and a lot of them did!”

Após sua irmã ficar gravemente incapacitada  devido ao vício em heroína, Coffy (Pam Grier), cansada de lidar com o descaso da justiça, decide buscar vingança infiltrando-se no submundo do crime. Coffy mergulha no universo sórdido do tráfico e da prostituição, abandonando a pacata vida de enfermeira para transformar-se numa vigilante implacável, eliminando sumariamente quem ela julga responsável pela destruição da única pessoa a quem amava. A situação se complica quando o seu plano de retaliação começa a afetar os negócios da máfia local, além de ameaçar expor o envolvimento de políticos e policiais com o tráfico de drogas.

A parceria entre o diretor Jack Hill e Pam Grier, que gerou quatro filmes entre 1971 e 1974, revelou-se uma combinação perfeita como fósforo e gasolina. Durante os anos 1970 poucos diretores souberam explorar com tanta perspicacia a versatilidade de Grier, uma atriz com mais talentos a oferecer do que apenas sua beleza e sensualidade petulante. Jack Hill tornou-se um mestre em conceber filmes baratos com rapidez e eficiência, qualidades aperfeiçoadas durante o período em que trabalhou diretamente com Roger Corman na AIP. A violenta trama de vingança de Coffy, uma produção modesta financiada pela American International Pictures no auge da onda dos filmes blaxploitation, tornou-se de imediato um sucesso popular. Numa época em que conflitos raciais ainda ecoavam pelos EUA, e os movimentos feministas clamavam por direitos, uma mulher negra e determinada fazendo justiça com as próprias mãos onde  o sistema falhara, assumia automaticamente tons políticos, por menos ideológica que fosse a verdadeira proposta do filme.

A única motivação real para Jack Hill era conseguir realizar bons filmes de ação com o dinheiro escasso que tinha em mãos, sendo hábil em burlar suas deficiências orçamentárias orquestrando cenas empolgantes com uma inventividade cruel. A seqüência de abertura, onde Pam Grier seduz um cafetão para em seguida explodir sua cabeça com um disparo de espingarda ainda causa impacto, e revela que estamos diante de uma personagem que ultrapassou todos os seus limites morais, e que levará seus atos até as últimas conseqüências. Num dos momentos mais memoráveis do filme, após ser provocada em uma festa por uma garota de programa, que lhe derruba uma bandeja de drinks sobre a cabeça, Coffy vai ao banheiro, se recompõe, recheia o seu cabelo black power com gilletes e retorna para iniciar uma briga homérica, onde esbofeteia, esmurra, chuta e nocauteia diversas adversárias, que no ato de tentarem lhe agarrar pelos cabelos acabam se ferindo severamente. Sid Haig, outro ator costumaz na obra de Hill, é o capanga estuprador Omar, mais um personagem sádico na sua extensa galeria de vilões. Através de Rob Zombie, Sid Haig voltaria a ficar em evidência para uma nova geração através do carismático psicopata Captain Spaulding de A Casa dos Mil Corpos (2003) e Rejeitados Pelo Diabo (2005).

Após o sucesso de Coffy,  Samuel Z. Arkoff, o famigerado produtor da American International Pictures, um especialista em filmes B, percebendo o potencial comercial da dupla investiu em outro projeto de Hill, e menos de um ano depois estreava nas telas Foxy Brown (1974), filme que consolidou a carreira de Grier e a transformou num ícone do cinema blaxploitation.  Em 1997  Quentin Tarantino prestou reverência ao trabalho de Jack Hill e ao cinema blaxploitation ao realizar Jackie Brown com Pam Grier no papel título.

Sobre este período Jack Hill desabafou,  “a indústria não tinha nada além de desprezo pelos filmes em que trabalhávamos. Havia muito racismo na industria, uma pequena porção estava apenas na superfície, mas havia. E os executivos dos estúdios realmente tinha desprezo pelo público para o qual estavam fazendo filmes. Foi uma grande batalha tentar fazer algo realmente bom“.

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