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DESCONECTE-SE E ABRA UM LIVRO: SOB AS ASAS DO CORVO- INFLUÊNCIAS DE EDGAR ALLAN POE NA OBRA DE MACHADO DE ASSIS.

A literatura, esta arte por vezes obscura, composta de caminhos intempestivos e tortuosos, não raramente aproxima, através de uma estranha rede intertextual, escritores tão talentosos quanto dispares em suas intenções literárias, assim como o americano Edgar Allan Poe e o brasileiro Joaquim Maria Machado de Assis.

Em comum a vida reservou para ambos uma infância pobre, além do talento literário e de uma singular percepção da humanidade. A pobreza refletiu de forma complexa e oposta em suas obras. Poe era tão obsessivo quanto

Edgar A. Poe (1809-1849)

emblemático ao compor a dissolução do espirito e do corpo, tendendo copiosamente para o macabro. O homem tragado por um emaranhado de sensações, diluído pelo convívio da sociedade humana. Machado envereda pela sutileza, e da mesma forma desvenda as particularidades da natureza humana, no entanto, sem as patologias, tão latentes em Poe.

Edgar Allan Poe nasceu em 19 de janeiro de 1809 na cidade de Boston, E. U. A . Filho de um casal de atores fracassados, ficou orfão de mãe aos três anos de idade, quando foi juntamente com a irmã dado para adoção. Seu relacionamento conturbado com os pais adotivos, acabou gerando o seu primeiro livro, “Tamerlão e Outros Poemas”, datado de 1827.

Em 1839 , Poe publica alguns de seus mais representativos contos, como “A Queda da Casa de Usher” e a compilação  “Contos do Grotesco e do Arabesco”. Em 21 de junho do mesmo ano, nascia sob o calor dos trópicos, em pleno Morro do Livramento, no Rio de Janeiro, Machado de Assis. Filho de uma lavadeira e de um pintor de paredes, de origem humilde e espírito indômito assim como o atormentado escritor americano.

Enquanto Machado dava seus primeiros passos e aprendia com dificuldade as primeiras palavras, Poe já se tornava um dos mais conturbados e famigerados escritores americanos, mesmo que o reconhecimento só tenha se efetivado realmente após a sua morte. Em 1849, ano de seu falecimento, Charles Baudelaire apaixona-se pela sua obra, e publica com sucesso na França, “Contos do Grotesco e do Arabesco” com o título de “Histórias Extraordinárias”. O reconhecimento, mesmo que tardio, projeta a obra de Poe, fomentando uma nova leitura de seu trabalho, tornando-o rapidamente em um dos cânones da literatura americana. De escritor maldito, rejeitado pelos críticos elitistas, ele passa a ser uma figura de transição entre o romantismo e o realismo, um gênio mórbido no limite da modernidade.

Machado de Assis, aos 16 anos já freqüentava a tipografia da revista Marmota Fluminense, em cujo número de 21 de janeiro de 1855 sai o poema “Ela”. Assim

Machado de Assis (1839-1908)

estreava Machado no mundo das letras. Moreno e de origem humilde, tratou de utilizar o seu intelecto para galgar os preconceituosos degraus da sociedade carioca da época. Aos cinqüenta anos, já era considerado o maior escritor vivo do país, sendo figura respeitada e admirada nos círculos acadêmicos.

Leitor voraz, Machado nunca escondeu suas influências e seus desafetos literários. O fascínio pela obra de Edgar Allan Poe o levou a verter para a língua portuguesa o célebre poema “O Corvo”.

As singularidades mórbidas do escritor americano podem ser pontuadas, mesmo que por leves nuanças, em vários trabalhos de Machado. Obras como “O Enfermeiro”, “A Causa Secreta” e “O Alienista” reservam em si elementos comuns a Poe, como a dualidade do ser, o sadismo mórbido e a loucura.

O personagem Fortunato, do conto “A Causa Secreta”, remete diretamente a obra “O Barril de Amontilado”, contido na compilação “Histórias Extraordinárias”. O Fortunato de Machado revela-se um sádico escondido sob uma máscara de bondade. Tal sadismo é um complemento forjado no molde clássico criado por Poe.

“O Alienista” discute a insanidade de forma irônica, utilizando a lógica para determinar o “certo” e o “errado”. A loucura e a normalidade encontram parâmetros nos atormentados personagens criados por Poe e suas divagações sobre a sanidade e os efeitos de ser uma anormal perante a sociedade.

Em “O Enfermeiro” encontramos reflexos dos intrigantes contos de Poe, “O Gato Preto” e “O Coração Delator”. Neste caso a própria narrativa já se estabelece como uma ponte referencial entre os dois autores. O recurso narrativo utilizado é o da “confissão em primeira pessoa”. Existe um diálogo direto com o leitor.

A confissão de um crime hediondo tem como intuito, não apenas o desabafo do personagem, mas a busca de um cúmplice no leitor. A narrativa tenta impor a compreensão e gerar uma certa cumplicidade no ato criminoso cometido. O diálogo com o leitor é um recurso recorrente na obra machadiana; uma estratégia simples que determina e acerta o ritmo do texto. Poe utilizou-se do mesmo recurso, porém, sem a intensidade de Machado.

O personagem Procópio, assim como o narrador atormentado de “O Gato Preto”, apresenta-se inicialmente como um cidadão de boa índole, gradualmente impelido a cometer um assassinato por uma convergência de fatores incontroláveis.

A famigerada transformação de caráter do personagem não ocorre devido a fraqueza etílica, como o de Poe, mas o crime de morte cometido por ambos procede da obscura cólera que paira sob a natureza humana. A isto Poe chamou de “o espírito da perversidade”.

O gato preto que atormenta e modifica a vida da patética figura que narra o conto de Poe, é substituído por Machado pela figura decrépita e avara do “Coronel”, que transforma o cotidiano do enfermeiro Procópio em um inferno. Assim Machado nos apresenta o personagem:

“Achei-o na varanda da casa estirado numa cadeira bufando muito. Não me recebeu mal. Começou por não dizer nada; pôs em mim dous olhos de gato que observa, depois, uma espécie de riso maligno alumiou-lhes as feições, que eram duras”.

A utilização do termo “gatuno”, de forma pejorativa, é recorrente no texto.  O termo é uma citação sutil, porém, importante em seu aspecto de intertextualidade:

“Afinal, disse-me que nenhum dos enfermeiros que tivera prestava para nada, dormiam muito, eram respondões e andavam ao faro das escravas; dous eram até gatunos!

– Você é gatuno?

– Não senhor.

Ao leitor mais atento é impossível não notar a insistente referência ao felino de Poe. Em relação ao motivo que eclode no crime de morte, são evidentes as semelhanças.  Assim Poe narra a agressão ao felino:

“…me feriu a mão levemente com os dentes. Uma fúria demoníaca apoderou-se instantaneamente de mim. Já não sabia mais o que estava fazendo”.

O gato preto que intitula o conto de Poe acaba sendo enforcado pelo próprio dono, curiosamente, assim narra Machado o assassinato do coronel:

“Não tive tempo de desviar-me; a moringa bateu-me na face esquerda, e tal foi a dor que não vi mais nada; atirei-me ao doente, pus-lhe as mãos ao pescoço, lutamos, e esganei-o”.

A motivação portanto é a mesma, apesar das diferenças circunstanciais. Algumas semelhanças com o conto “O Coração Delator” podem ser encontradas diante da consciência acusadora que persegue o assassino; assim confessa o personagem Procópio:

“Não creia que esteja fazendo imagens nem estilo; digo-lhe que eu ouvia distintamente umas vozes que me bradavam: assassino! Assassino!”.

A culpa manifestando-se quase como uma matéria sólida, impelindo o personagem a tomar uma atitude é comum a obra de Poe. A morbidez nunca foi um tema costumas a Machado, aparecendo somente sob circunstâncias especificas, mas nunca gratuitamente, ou como diz Ana Maria Lisboa de Mello em seu artigo “Processos Narrativos Nos Contos de Machado de Assis”:

“As estruturas da ficção machadiana ensejam rupturas com o passado literário, estabelecendo regras que obedecem às próprias lógicas. Ao dialogar com a tradição literária, Machado retoma e, simultaneamente, tranforma aquilo que pode vir a serviço da significação que tenciona construir”.

O diálogo entre autores tão distintos é essencial para se compreender as complexas engrenagens da intertextualidade, e a importância das leituras subjacentes que tornam o leitor uma peça essencial na compreensão de uma obra.

Machado, em determinado momento criou sob a influência e as asas do corvo de Poe, assim como Poe estabeleceu-se em algum momento sob a sombra de escritores ancestrais para gerar as suas histórias extraordinárias.

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VASTAS EMOÇÕES E PENSAMENTOS IMPERFEITOS: Fragmentos de Cinema e Intertextualidade No Romance de Rubem Fonseca.

I. ABYSSUS ABYSSUM INVOCAT

O parágrafo inicial do romance, “Vastas Emoções E Pensamentos Imperfeitos”, define em poucas palavras, não apenas a instabilidade física e emocional da personagem principal, como resume perfeitamente toda a obra de Rubem Fonseca. Ao narrar com sua peculiar crueza, (Fonseca.1988, p.7)  “Acordei tentando me segurar desesperadamente, tudo girava em torno de mim enquanto eu caía sem controle num abismo sem fundo” , o autor nos faz lembrar que toda a sua obra consiste em deparar o homem com os seus abismos.

Mineiro de Juiz de fora, José Rubem Fonseca especializou-se em confrontar os abismos da natureza humana. Formado em direito, ainda nos anos cinqüenta ele iniciou carreira policial, onde atuou como comissário por oito anos. No serviço policial ele especializou-se em psicologia criminal, e

Rubem Fonseca

deparou-se com situações degradantes, onde a pior faceta do ser humano revelava-se despida de qualquer pudor. Essa experiência marcou profundamente a sua carreira literária, e espelha-se em dezenas de seus personagens. Fonseca criou uma verdadeira galeria de anti-heróis, repleta de homens brutos, mulheres etéreas, seres anônimos. Homens e mulheres são substantivos comuns que passeiam por contos, romances e roteiros cinematográficos, sem qualquer julgamento moral, atraídos por atividades ilícitas, envoltos em crises existências e prisioneiros de um latente niilismo. Seus personagens são retratados através de uma narrativa crua, de tom brutal e aspectos policialescos. Eles agem conforme sua natureza, numa linguagem sintética, onde o autor extrapola e inova sintática e estilisticamente, criando signos e se organizando através de uma semiologia própria. Em seu primeiro livro, “Os Prisioneiros”, já era visível uma inconformidade em relação ao estilo, com contos que passavam rapidamente do aspecto formal ao puro experimentalismo, fato que progrediria nos trabalhos seguintes, “A Coleira do Cão” e “Lucia MacCartney”, mas que ficaria mais contido em seus romances, como por exemplo, “O Caso Morel” e “Bufo & Spallanzani”.

Em seus romances, a verve experimental é contida em relação ao estilo, mas ainda incômoda quanto aos temas abordados, onde a crueldade humana continua sendo o mote principal. Durante os anos setenta, no auge da ditadura militar, alguns de seus livros sofreram duramente com a censura. Livros como “O Cobrador” e “Feliz Ano Novo” abordavam temas tabus em tempos de “silêncio”, pois a violência retratada, tanto física como psicológica, podia ser interpretada como reflexo de uma sociedade doente em suas raízes políticas, sociais e religiosas. Fato inadmissível para um governo ditatorial que jogava uma cortina de fumaça sobre  uma sociedade corrompida e amoral.

Rubem Fonseca parece não se importar com máxima latina, “abyssus abyssum invocat.” (o abismo chama o abismo), e a cada nova obra ele continua a exercitar suas obsessões literárias, sem medo de ser tragado pelo abismo de sua própria arte.

II. VASTAS EMOÇÕES E PENSAMENTOS IMPERFEITOS: Fragmentos de Cinema e Intertextualidade

Autor contemporâneo às teorias literárias formuladas na efervescência dos anos 1960, época em que Jauss expôs sua “Estética da Recepção”, e Derrida e os pós-estruturalistas divulgavam suas teorias desconstrutivistas, Fonseca faz parte de uma geração de autores brasileiros que se distanciaram das propostas “realistas engajadas”, que proliferaram em nossa literatura desde 1930, optando por uma visão niilista e cínica da representação do que chamamos de realidade. “Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos”, é uma declaração apaixonada de um autor dividido entre dois grandes amores, o cinema e a literatura. Seu texto, repleto de referências literárias e cinematográficas, do acadêmico ao pop, vêm influenciado por uma gama de teorias pós-estruturalistas que floresceram nas últimas décadas do século XX.

Um diretor de cinema inesperadamente se vê envolvido em uma trama complexa e intrigante, recheada de mortes, roubos de diamantes, auto conhecimento, e obsessões literárias e cinematográficas. A trama narra a busca desenfreada de um homem por um sentido pleno de existência, uma odisséia insana em que o passado precisa ser esquecido, feridas curadas e o mundo compreendido, mesmo que para isso ele precise descer ao inferno para obter respostas, que talvez nunca satisfaçam suas dúvidas . Nesta viagem turbulenta ele precisa lidar com a ambigüidade de seu caráter e as conseqüências de seus atos.

O personagem principal soma-se a vasta galeria de anônimos criados pelo autor. Sua identidade nunca é citada explicitamente, é apresentada para o leitor de forma difusa, como se fosse uma personalidade tão tarimbada que apresentá-la seria algo redundante. Ele é identificado apenas como um conhecido cineasta, elogiado pelo seu primeiro longa metragem, chamado “Guerra Santa”, supostamente baseado em “Os Sertões” de Euclides da Cunha.  O personagem parece emular Glauber Rocha e outros “cinemanovistas”, em uma busca estéril por um cinema genuinamente nacional.

A trama segue dois pontos centrais, que correm paralelamente e corrompem a suposta normalidade cotidiana do personagem. Um dos pontos é apresentado logo nas primeiras páginas, quando a personagem , ao mudar-se de apartamento para tentar esquecer uma tragédia recente, dá abrigo a uma desconhecida, chamada Angélica Maldonado. Angélica passa a noite, e vai embora pela manhã deixando um pacote suspeito, e um bilhete de que voltaria para buscá-lo. Alguns dias depois o cineasta lê nos jornais sobre a morte de Angélica e resolve abrir o pacote, que descobre portar pedras preciosas. Repentinamente ele se encontra com uma fortuna nas mãos e envolvido com contrabandistas de pedras preciosas, que passam a persegui-lo.

O segundo ponto crítico ocorre quando um produtor alemão chamado Plessner o convida para filmar na Alemanha uma adaptação do livro “A Cavalaria Vermelha” do escritor russo Isaak Bábel. O cineasta aproveita a oportunidade para sair do país e fugir dos contrabandistas, mas acaba envolvido em outra trama perigosa.

Ele se torna obcecado pela obra do escritor russo, e envolve-se em uma obscura missão. Aceita a proposta do produtor Plessner, de resgatar da Alemanha Oriental um suposto manuscrito inédito de Bábel. A sua obsessão o leva a trapacear Plessner e retornar ao Brasil com o valioso manuscrito. Sua atitude refletirá em conseqüências desastrosas que revelarão verdades sobre si mesmo.

A trama é um grande quebra cabeças em que Fonseca declara seu amor ao cinema e a literatura, num intrínseco exercício de intertextualidade. A obra assemelha-se aos filmes “noir” dos anos quarenta, especialmente a “Relíquia Macabra” (The Maltese Falcon / 1941) de John Huston, em que o detetive representado por Humphrey Bogart se envolve com

Fetiche Noir

contrabandistas de jóias. Essa alusão também esta presente na caracterização de um dos vilões da trama, que insiste em usar um sobretudo (acessório típico do universo dos filmes noir), mesmo no calor escaldante do Rio de Janeiro. Fonseca também faz uma ponte direta com os livros “pulp” de Raymond Chandler, repletos de “femmes fatales” e personagem ambíguos.        São também inúmeras as referências a obra do diretor inglês Alfred Hitchcock. Em determinado momento da trama, Fonseca faz uma homenagem explicita ao filme “Intriga Internacional” (North by North West / 1959). O cineasta e uma de suas namoradas armam uma confusão em um restaurante para chamar a atenção da policia e confundir os vilões, o mesmo método utilizado no filme pelo ator Cary Grant, só que invés de um restaurante, o cenário é um leilão.

A veia cinéfila de Fonseca, que foi critico de cinema nos anos 1960, pulsa a cada momento com citações e referências a grandes cineastas como Orson Welles, Max Ophuls, Stanley Kubrick, Ingmar Berman, Win Wenders, Rainer Fassbinder, entre outros. Em determinado momento numa espécie de confissão e exercício de metalinguagem, Fonseca fala através do personagem Plessner. (Fonseca.1988. pág.131). “Pouco dinheiro em cinema é sempre muito dinheiro….você não tem inveja dos escritores? Para criar um livro eles gastam apenas papel e tempo, os personagens todos trabalham de graça, fazem coisas que os atores de cinema não saberiam fazer, ou se recusariam a fazer. Produzem as cenas mais custosas gastando apenas palavras”. Fonseca tem vários roteiros cinematográficos desenvolvidos, e alguns projetos engavetados, justamente pelo aspecto financeiro

A curiosa obsessão do personagem principal pela obra de Isaac Bábel, um autor russo praticamente desconhecido dos leitores brasileiros, é o contra ponto do seu lado cinéfilo, é o apelo da paixão literária, da palavra, do desafio da escrita em oposição à imagem em movimento. Bábel buscava como escritor a concisão, o termo exato, sem rebuscamentos ou palavras desnecessárias. Não era um formalista radical, mas prezava a economia das palavras na busca de um equilíbrio entre o lírico e o irônico, assim com o personagem de Fonseca, que também busca acima de tudo, o equilíbrio para a sua vertiginosa vida.

As personagens coadjuvantes da trama vão do sublime ao grotesco, fornecendo até mesmo aspectos surrealistas a obra, como o vilão Alcobaça, que sofre de uma estranha doença que tem como único antídoto consumir pó de diamantes. Áureo de Negromonte, um carnavalesco decadente, que tem como único prazer na vida desfilar em frustrantes bailes de carnaval. Liliana, uma das inúmeras namoradas do protagonista. Ela é jovem, mas demonstra um eruditismo complexo para sua pouca idade. Boris Gurian, um personagem fantástico; judeu, sobrevivente do holocausto, alcoólatra, e uma vida dedicada aos livros. José, irmão do protagonista, um pastor televisivo, repleto de ganância e veneno. Mauricio, um amigo nada confiável. E por fim, Ruth, a esposa falecida. Ruth vai sendo revelada aos poucos, em flashbacks e rápidas inserções. O seu suicídio causa uma mudança drástica na vida do protagonista, desencadeando uma crise existencial de conseqüências catastróficas.

O grande trunfo da obra é explorar e transcender as possibilidades de um romance policial, num exercício repleto de intertextualidade, que nos joga em um mundo, em que nos deparamos, sem julgamentos, com as clássicas distorções do caráter humano (cobiça, individualismo, sadismo). Enfim, um mundo repleto de “Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos”.

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