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SESSÃO “A VINGANÇA DOS FILMES B!”

Estranha

Sobrevivendo às margens do cinema mainstream, as produções independentes de baixo orçamento, além das óbvias dificuldades financeiras de realização, sempre lutaram contra um sistema de distribuição dominado por monopólios, e por vezes com a incompreensão de um público acostumado a uma estética cinematográfica culturalmente imposta pelos grandes estúdios. Durante anos a falta de um mercado exibidor adequado ocasionou o isolamento destas produções em guetos cinéfilos, o que invés de enfraquecer, auxiliou a reforçar o seu caráter de independência, fomentando uma espécie de cinema orgânico, criativo e livre de amarras impostas pelos padrões mercadológicos, possibilitando tanto a experimentação anárquica como a reprodução antropofágica de conceitos tradicionais do cinema de gênero. Na última década a ascensão das mídias digitais possibilitou o acesso facilitado aos meios de produção e exibição, dando maior visibilidade a obras que até poucos anos atrás estariam restritas a um pequeno grupo de cinéfilos.

Esta breve mostra intenciona levar para a tela da Sala P.F. Gastal um grupo de realizadores que ainda luta bravamente por seu espaço no mercado exibidor, ou simplesmente busca encontrar o seu público. Apesar dos diferentes formatos de linguagem, proposta e produção, as obras selecionadas têm em comum, além do baixo (ou zero) orçamento, o diálogo franco e apaixonado com o cinema de gênero, seja investindo no thriller policial ou no horror, ou anarquizando com a tradição dos westerns e dos musicais, ou até mesmo captando uma simples conversa entre dois cinéfilos embriagados. A exibição na tela de um cinema é uma pequena vingança dos filmes B contra um sistema atrelado aos vícios mercadológicos e estéticos da indústria cultural, ou como diria Petter Baiestorf “um grito de guerra dos que nada tem e tudo fazem, contra os que tudo tem e nada fazem”.

(Cristian Verardi- Curadoria)

Sala P.F. Gastal (3° andar da Usina do Gasômetro), sábado, 02 de julho, 17h. Após a sessão debate com os realizadores, Petter Baiestorf, Felipe Guerra, Joel Caetano, Filipe Ferreira e Gustavo Insekto. O debate será moderado pela Profa. Dra. Laura Cánepa (UAM).  ENTRADA FRANCA.

A VINGANÇA DOS FILME B!

Exorcistas, de Luis Gustavo “Insekto” Vargas (RS, Brasil, 2011, 7 minutos). Com Doutor Insekto e Paulo “Blob” Teixeira.

Dois amigos em uma noite de tédio, bebem, fumam, e elaboram teorias sobre o filme “O Exorcista”, de William Friedkin.

Exorcistas

Extrema Unção, de Felipe Guerra (RS, Brasil, 2010, 19 minutos). Com Rodrigo M. Guerra, Oldina Cerutti do Monte, Leandro Facchini.

Um incauto rapaz se muda para uma casa supostamente assombrada pelo fantasma de uma velha fanática religiosa. (Menção Honrosa “Melhor Susto de Velhinha Fantasma”, no Cinefantasy 2010).

Extrema Unção

Estranha, de Joel Caetano (SP, Brasil, 2011, 12 minutos). Com Mariana Zani, Kika Oliveira, Roberta Rodrigues, Tiago F. Galvão, Walderrama dos Santos.

 Duas mulheres em uma estranha e sensual trama de amor, vingança, violência e psicodelia! (Novo trabalho do paulista Joel Caetano, do premiadíssimo curta-metragem “Gato”)

Estranha

Ninguém Deve Morrer, de Petter Baiestorf (SC, Brasil, 2009, 30 minutos). Com Gurcius Gewdner, Lane ABC, Daniel Villa Verde, Jorge Timm, Ljana Carrion, Coffin Souza, Insekto.

Um western musical. Eles cantam, dançam e as vezes matam também! O pistoleiro Ninguém decide largar tudo o que sempre considerou importante: a mulher amada, o grupo de amigos cineastas-assassinos-de- aluguel, e o boi de estimação. No entanto, antes de se redimir precisará enfrentar a fúria de seus antigos comparsas. Mais uma insanidade cinemática de Petter Baiestorf, um dos maiores mitos do underground brasileiro. (Melhor direção no I Guaru Fantástico)

Ninguém Deve Morrer

Os Batedores, de Filipe Ferreira (RS, Brasil, 2008, 20 minutos). Com Marco Soriano Jr., João França, Jack Gerchmann, Artur José Pinto, Jefferson Rachewsky.

Raul, um habilidoso batedor de carteiras é surpreendido pelo retorno à ativa de Amadeu Deodato, um figurão que domina o submundo da cidade e com o qual o tem uma grande dívida. Em sua trajetória na busca de dinheiro para saldar a dívida, Raul se depara com outros marginais, como Odilon, seu antigo mentor, Marcião, um perigoso travesti agiota, e Tosco, um brutamonte psicótico. (Melhor direção no I Festival de Cinema de Ribeirão Pires)

Os Batedores

 

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O PROJETO RAROS APRESENTA “NÃO NOS LIVRE DO MAL”!

A Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro (3º andar) retoma nesta sexta-feira, dia 8 de abril, às 20h, as sessões do projeto Raros, exibindo o polêmico filme francês Não Nos Livre do Mal, de Joël Séria , produção de 1971 nunca lançada nos cinemas brasileiros.Constantemente incluído na extensa galeria de filmes malditos dos anos 1970, Não Nos Livre do Mal (Mais Ne Nous Délivrez Pas du Mal) causou alvoroço em seu lançamento, despertando a ira da igreja e chocando o público mais conservador, ao retratar sem pudores a amizade doentia entre duas adolescentes que desafiam normas sociais, empreendendo uma desenfreada e iconoclástica viagem rumo à autodestruição. Numa atitude de recusa às convenções, as jovens Anne (Jeanne Goupil) e Lore (Catherine Wagener) realizam missas negras, seduzem homens incautos e provocam tragédias ao praticarem perigosas brincadeiras. Inicialmente banido pela censura francesa por sua “perversão, sadismo e outras formas de destruição mental e moral”, o filme foi liberado após nove meses de proibição total para ser exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes. Apesar da boa recepção por parte da crítica, Não Nos Livre do Mal fez uma carreira errática nos cinemas, sofrendo constante pressão de entidades religiosas e de censores de plantão, até cair gradualmente no esquecimento. Seu lançamento em DVD nos Estados Unidos (em 2006) e no Japão (em 2008) e novas exibições em festivais de cinema fantástico como o Night Visions Film Festival (na Finlândia) e o L’Etrange Festival (na cidade francesa de Lyon) deram início a uma nova onda de culto em torno deste estranho filme que somente agora, exatos 40 anos após a sua estreia (sua primeira exibição aconteceu em 5 de abril de 1971, no Festival de Cannes), poderá ser finalmente conhecido pelos espectadores porto-alegrenses.         A sessão de Não Nos Livre do Mal tem entrada franca, e será comentada pelo jornalista Thomaz Albornoz. Exibição em DVD. Diálogos em francês, com legendas em espanhol.Não Nos Livre do Mal (Mais Ne Nous Délivrez Pas du Mal), de Joël Séraa (França, 1971, 102 minutos). Com Jeanne Goupil, Catherine Wagener, Bernard Dhéran e Gérard Darrieu. Colorido. Diálogos em francês, com legendas em espanhol. Exibição em DVD.

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