RIP KAREN BLACK (1939-2013)

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COM A PALAVRA…JACQUES RIVETTE!

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Jacques Rivette (1928 + …)

“Nós chegamos ao único cinema do tempo, no qual não existe nada além da pura duração de sucessivos atos sem densidade ou realidade: é o nascimento da perigosa, e inteiramente gratuita, noção de ritmo e velocidade, que tenta nos pôr para fora dos trilhos substituindo a existência e a presença pela acumulação, com a esperança de enredar uma presa a partir  da frenética multiplicação de sombras fugidias. Um cinema de discurso retórico, no qual tudo tem que entrar em conformidade com as fórmulas, ordinárias, polivalentes e estereotipadas para todos os tipos de uso: o universo é capturado e destruído pela armadilha das convenções formais.”

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08/08/2013 · 17:08

Sessão Aurora apresenta “Eles Vivem”!

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“A Sessão Aurora apresenta neste sábado, 3 de agosto, às 18h, na Sala P. F. Gastal (3º andar da Usina do Gasômetro), Eles Vivem, uma das principais obras-primas de John Carpenter. Após a sessão, haverá um debate com os editores da revista Aurora e do Zinematógrafo.
O filme parte da chegada de John Nada (Roddy Piper) a uma Los Angeles de conflitos estéticos, onde miséria e riqueza contrastam nas esquinas, nas lojas e nos supermercados. A concentração do poder, através da mídia, do capital econômico e cultural, se faz presente no cotidiano de todos os habitantes, mesmo que de forma invisível. John, trabalhador autônomo, andarilho das cidades em busca de empregos para seguir se alimentando, é o retrato da mão de obra braçal das metrópoles em meio ao desenvolvimento vertical. Enquanto trabalha na construção civil, o protagonista logo percebe a movimentação de um pequeno grupo que age no submundo da cidade para tentar revelar a grande farsa pela qual a classe dominante exerce seu poder. Utilizando óculos especiais, ele consegue ver o que realmente está por trás de cada imagem que compõe o cenário da cidade.
Fruto de uma década consagradora para o cinema de Carpenter, momento em que o cineasta lança filmes como A Bruma Assassina, Christine, o Carro Assassino, Enigma do Outro Mundo, Fuga de Nova York, Eles Vivem é um de seus trabalhos mais abertamente políticos, dono de uma ironia crítica fulminante que transcende as questões mais pontuais de sua época. Do ponto de vista estético, para além de seu conteúdo ideológico, o filme também é sintomático na obra do americano, com destaque para a célebre e longa sequência na qual dois personagens trocam socos e pontapés em um beco de Los Angeles.
Eles Vivem (They Live), EUA, 1988, cor, 93 minutos. Direção: John Carpenter. Com Roddy Piper, Keith David, Meg Foster, George ‘Buck’ Flower, Peter Jason, Raymond St. Jacques. O filme será exibido em DVD com legendas em português.”

(Pedro Henrique Gomes)

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Arquivado em Ação, humor negro, Sci-fi, Thriller

SERGIO LEONE… SOBRE REVOLUÇÕES

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Quando Explode A Vingança (1971)

“Revolução? Como assim, revolução? Não tente me falar de revolução. Sei tudo sobre revoluções e como elas começam! Gente que lê livros vai atrás de quem não lê, gente pobre, e diz que chegou a hora de haver mudanças! Sei o que estou dizendo quando falo da revolução. Gente que lê livros procura os que não sabem ler, gente pobre, e diz: “Tem que haver mudanças.” E a gente pobre faz as mudanças, hein? Aí, os que lêem livros se sentam em grandes mesas lustrosas e falam, falam, comem e comem, hein? Mas o que acontece com os pobres? Eles estão mortos! Essa é a sua revolução! Por isso, por favor, não me fale de revoluções.”

O bandoleiro Juan Miranda (Rod Steiger) explicando ao mercenário John Mallory (James Coburn) seu conceito de revolução em “Quando Explode a Vingança” (Giù La Testa / Duck You Sucker / A Fistful of Dynamite) de Sergio Leone.

 

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CICLO DE FAROESTES POLÍTICOS NA SALA P. F. GASTAL

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Quando Explode a Vingança, de Sergio Leone

Em sintonia com as recentes manifestações que tomaram as ruas da cidade nas últimas semanas, a Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro (3º andar) exibe entre os dias 2 e 14 de julho a mostra Westerns Políticos, reunindo faroestes que trazem à tona questões políticas a partir de diferentes olhares.
São muitos os conflitos e as revoluções retratados nas incursões abertamente políticas do gênero, em narrativas que questionam as figuras heróicas do imaginário norte-americano e rompem com o maniqueísmo clássico presente nas obras mais tradicionais. De grandes nomes de Hollywood, serão exibidos, entre outros, Vera Cruz, de Robert Aldrich, um dos pais do faroeste moderno, Viva Zapata!, de Elia Kazan, com Marlon Brando vivendo o emblemático líder revolucionário mexicano, e o último western de John Ford – o principal mestre do gênero –, Crepúsculo de uma Raça, espécie de acerto de contas pessoal com os índios, personagens frequentemente retratados como desordeiros violentos em obras clássicas daquele universo – incluindo muitas do próprio Ford.
Por mais que boa parte dos westerns discorra sobre fatos históricos norte-americanos – ou de suas fronteiras mexicanas –, tais narrativas muitas vezes refletem turbulências políticas contemporâneas às suas realizações. É o caso do cultuado Quando Explode a Vingança, de Sergio Leone, outro destaque do ciclo, que aborda as conseqüências das rebeliões europeias de 1968 mesmo tendo como tema a revolução mexicana do início do século XX.
O zapata western, vertente extremamente politizada do western spaghetti com suas jornadas violentas sobre guerrilheiros e separatistas, também ganha destaque no ciclo. Além da obra-prima de Leone, serão exibidos Uma Bala para o General, um dos primeiros filmes do renomado cineasta Damiano Damiani, e o clássico Vamos Matar, Companheiros!, de Sergio Corbucci, mestre do cinema de gênero italiano recentemente homenageado por Quentin Tarantino em Django Livre.
O ciclo também exibe alguns dos faroestes que promoveram revoluções importantes dentro dos paradigmas do gênero, como Meu Ódio Será Sua Herança, de Sam Peckinpah, que elevou o nível de sordidez e violência a um patamar poucas vezes visto, El Topo, incursão surrealista do chileno Alejandro Jodorowsky aos desertos do oeste, e Jogos e Trapaças – Quando os Homens São Homens, de Robert Altman, que, apoiado pela música de Leonard Cohen, insere uma poderosa carga metafísica aos dramas de seus personagens.

A mostra Westerns Políticos tem o apoio da distribuidora MPLC, e pode ser conferida em três sessões diárias.

PROGRAMAÇÃO

Céu Amarelo (Yellow Sky), de William A. Wellman (EUA, 1948, 97 minutos)
Um dos mais sombrios e instigantes faroestes tem como tema as cidades-fantasmas. Em 1867, bandoleiros assaltam um banco em Rameyville e são perseguidos pela cavalaria do exército, o que os obriga a fugir para o deserto. Quase mortos pelo calor e falta d’água, eles chegam a uma localidade isolada, mas perdem as esperanças quando percebem tratar-se de uma cidade abandonada. Exibição em Blu-ray.

Viva Zapata! (Viva Zapata!), de Elia Kazan (EUA, 1952, 113 minutos)
Em 1909, no México, um grupo de lavradores vai até o presidente, afirmando que suas terras foram roubadas, mas um deles (Marlon Brando) deixa claro que o governo não pretende fazer nada por eles. Este lavrador acaba se tornando o lendário guerrilheiro Emiliano Zapata, que por vários anos teve importância política na vida do país. Exibição em DVD.

Vera Cruz (Vera Cruz), de Robert Aldrich (EUA, 1954, 94 minutos)
Por volta de 1860, ao escoltarem uma condessa até Vera Cruz, dois aventureiros americanos, interpretados pelos astros Gary Cooper e Burt Lancaster, involuntariamente se envolvem com a derrubada do imperador mexicano Maximiliano. Cultuado por nomes do Sergio Leone e Sam Peckinpah, o filme de Aldrich acena a paternidade do faroeste moderno ao romper de vez com os maniqueísmos do gênero. Exibição em Blu-ray.

Crepúsculo de uma Raça (Cheyenne Autumn), de John Ford (EUA, 1964, 156 minutos)
Em 1878, o governo deixa de entregar os suprimentos necessários à tribo indígena Cheyenne, como prevê um tratado assinado pelos governantes. Famintos e descontentes, mais de 300 índios decidem sair da reserva em Oklahoma numa jornada ao Wyoming, o local original onde sempre viveram. Thomas Archer, Capitão da Cavalaria Americana, é designado para a missão de conter os índios e evitar a viagem. Mas durante o percurso o oficial passa a respeitar a coragem dos índios e decide ajudá-los. É a despedida de John Ford ao lendário Monument Valley. Exibição em DVD.

Uma Bala para o General (El Chuncho, Quien Sabe?), de Damiano Damiani (Itália, 1966, 135 minutos)
Durante a Revolução Mexicana, um jovem americano misterioso se une a um grupo de saqueadores liderados por El Chucho. A partir daí, iniciam uma série de ataques selvagens para roubar armas para um general rebelde. Mas quando o Gringo resolve colocar em prática seus ideais juntamente com o grupo de bandidos, El Chucho descobre que as verdadeiras armas de guerra não pertencem a nenhum exército. Numa terra devastada pela pobreza e violência, será possível comprar a liberdade com uma única bala? Exibição em DVD.

Os Profissionais (The Professionals), de Richard Brooks (EUA, 1966, 117 minutos)
Em 1917 um rico rancheiro, J.W. Grant (Ralph Bellamy), contrata três mercenários, Henry “Rico” Farden (Lee Marvin), Hans Ehrengard (Robert Ryan) e Jacob Sharp (Woody Strode), para resgatar sua esposa Maria (Claudia Cardinale), que foi ao México e acabou sendo raptada por Jesus Raza (Jack Palance) e seu bando. Exibição em Blu-ray

Meu Ódio Será Sua Herança (The Wild Bunch), de Sam Peckinpah (EUA, 1969, 145 minutos)
A história se passa em 1913, no auge da Revolução Mexicana. Os Wild Bunch são os foras-da-lei mais perigosos que o Oeste já viu. Mas a cada novo golpe, as chances de algo dar errado vêm aumentando, o que faz com que eles decidam encerrar as atuações. Só que um trem carregado de armas é uma remessa valiosa demais para passar despercebida pelos ladrões aposentados. Exibição em DVD.

El Topo (El Topo), de Alejandro Jodorowsky (México, 1970, 125 minutos)
Envolto numa roupagem alegórica e repleto de simbolismos cifrados, o filme narra as andanças de um pistoleiro místico (El Topo), interpretado pelo próprio Alejandro Jodorowsky, através do deserto do distante Oeste, numa epopéia surrealista na qual ele se supera em duelos para conseguir atribuir-se o êxito de ser a pistola mais rápida do Oeste. Um encontro cósmico profundamente influenciado pelas obras pânicas, este filme foi o tiro de saída do circuito alternativo das Sessões Malditas em Nova Iorque, propulsado pelo distribuidor Bem Barenholtz, que descobriu o filme graças a John Lennon e Yoko Ono.

Vamos Matar, Companheiros! (Vamos a Matar, Compañeros), de Sergio Corbucci (Itália, 1970, 118 minutos)
O contrabandista de armas Yolaf Peterson (Franco Nero) planeja fazer uma venda para o guerrilheiro Mongo (Francisco Bódalo), mas o dinheiro está trancado num cofre no banco e somente o Professor Xantos (Fernando Rey), um prisioneiro dos americanos, sabe a combinação. Yolaf concorda em soltar Xantos, acompanhado pelo relutante guerrilheiro Basco, mas um antigo parceiro de negócios de Yolaf, John “Mão-de-Madeira” (Jack Palance), tem outras idéias. Este faroeste político de Corbucci é uma das obras-primas do western spaghetti. Exibição em DVD.

O Pequeno Grande Homem (Little Big Man), de Arthur Penn (EUA, 1970, 139 minutos)
Aos 121 anos, Jack Crabb (Dustin Hoffman) conta num hospital a história de sua vida entre os índios Sioux. Sua indefinição racial provoca graves problemas de identidade, já que o homem não se integra com os brancos e nem com os índios. Ele aprende a ser guerreiro com o seu avô adotivo, Chefe Velha Pele Curtida (Chief Dan George); o pecado da carne com sua mãe adotiva e mulher do Reverendo (Faye Dunaway); o valor da amizade com o pistoleiro Wild Bill Hicock (Jeff Corey) e a odiar com o General Custer (Richard Mulligan). Dos filmes mais importantes da Nova Hollywood, este faroeste de Arthur Penn retrata com ironia e inteligência o período mais cruel da história dos EUA. Exibição em Blu-ray.

Quando Explode a Vingança (Giù La Testa), de Sergio Leone (Itália, 1971, 157 minutos)
Quando um terrorista irlandês (James Coburn), obcecado por dinamite, se junta a um camponês mexicano (Rod Steiger) que virou um revolucionário, os resultados só podem ser altamente explosivos! Ambientado durante a revolução mexicana de 1913, Quando Explode a Vingança (originalmente intitulado Duck, You Sucker!) é uma agitada história sobre poder e política dirigida por Sergio Leone, o celebrado diretor de Três Homens em Conflito e de Era uma Vez na América. Exibição em DVD.

Jogos e Trapaças – Quando os Homens São Homens (McCabe & Mrs. Miller), de Robert Altman (EUA, 1971, 120 minutos)
Presbyterian Church é uma pequena cidade no extremo oeste dos Estados Unidos, o lugar perfeito para o carismático mas fracassado jogador, John Q. McCabe, começar seu próprio negócio: construir um bordel. Constance Miller é uma mulher da cidade grande que utiliza seus dons para ajudar McCabe a realizar seu sonho. Uma das grandes obras-primas de Robert Altman, o filme apresenta as estrelas Warren Beatty e Julie Christie, indicada ao Oscar de Melhor Atriz em 1971 por este trabalho. Exibição em DVD.

GRADE DE HORÁRIOS
Primeira Semana (2 a 7 de julho de 2013)
2 de julho (terça-feira)
15:00 – Vera Cruz, de Robert Aldrich
17:00 – Crepúsculo de uma Raça, de John Ford
20:00 – Exibição do curta Sincronário

3 de julho (quarta-feira)
15:00 – Céu Amarelo, de William A. Wellman
17:00 – Os Profissionais, de Richard Brooks
19:00 – El Topo, de Alejandro Jodorowsky

4 de julho (quinta-feira)
15:00 – Vamos Matar, Companheiros!, de Sergio Corbucci
17:00 – Viva Zapata!, de Elia Kazan
19:00 – Quando Explode a Vingança, de Sergio Leone

5 de julho (sexta-feira)
15:00 – Os Profissionais, de Richard Brooks
17:00 – Vera Cruz, de Robert Aldrich
19:00 – Crepúsculo de uma Raça, de John Ford

6 de julho (sábado)
15:00 – Viva Zapata!, de Elia Kazan
17:00 – Céu Amarelo, de William A. Wellman
19:00 – El Topo, de Alejandro Jodorowsky

7 de julho (domingo)
15:00 – Vamos Matar, Companheiros!, de Sergio Corbucci
17:00 – Os Profissionais, de Richard Brooks
19:00 – Quando Explode a Vingança, de Sergio Leone

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ZINEMATÓGRAFO #3

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Em meio aos gritos de insatisfação, ao caos e aos conflitos ideológicos que se chocam nas ruas de Porto Alegre, também corre solta a terceira edição do Zinematógrafo.

EDITORIAL

“A cidade está empolgante enquanto movimentos articulam focos de resistência aos positivistas-cientificistas-conservadores que buscam pautar a cidade.

A depredação estética de Porto Alegre é fruto também da ignorância dos que a “pensam” e planejam. Não é só questão de interesses financeiros, mas também de analfabetismo estético. Aí é que está. Quando os responsáveis não sabem ir além do conceito pronto do que sejam coisas belas e como elas interagem imaterialmente com os populares, eles não são capazes de pensar os movimentos, a transitoriedade, os fluxos, as relações, as revoltas, os trânsitos, os sexos, os corpos. Eles não governam: extinguem. Qualquer espontaneidade é então desestruturada, a ferro ou a fogo. É esse o encadeamento de subjetividades que faz com que a ideia de uma cidade mais branca, concentrada e em marcha se estabeleça como uma visão honesta e bem calculada do progresso. Assim, fica fácil endurecer o discurso punitivista “quando o pedestre atravessa fora da faixa”. Cadeia. Bomba de efeito moral. Cavalo e pancada.

Engraçado é que, em um filme como Depois de Maio, em que as aspirações de uma juventude pós-1968 se “encontram desencontradas e se encontrando”, coisas semelhantes acontecem – claro, com todas suas diferenças. Em Porto Alegre, esses movimentos também estão tateando uma potência não numa unidade, mas na desestruturação do pensamento e da prática dos confortáveis. É outro jogo, mas jogo de sangue que corre, que pulsa.

E vem aí um filme sobre Hannah Arendt, dirigido pela Margarethe von Trotta, que já fez um bom filme sobre Rosa Luxemburgo. Ela pensou a ação política com firmeza e disse que “o indivíduo em seu isolamento jamais é livre; só pode sê-lo quando adentra o solo da polis e age nele”. Tem tudo a ver. Esperamos que o filme venha para os cinemas de Porto Alegre, aproveitando que a cidade vive esse momento politicamente importante.

Num dos dias de maio, esse mês louco que sempre parece durar uns cem dias de tanta coisa que acontece, um senhor octogenário apareceu feliz da vida no cinema – tinha acabado de ver um faroeste – e começou a falar do Shane:

exibi uma cópia em 16mm nos anos 1950, num cineclube que criei no Colégio Jesuíta em Santa Catarina, onde dava aulas de história. Os padres não gostavam, alguns filmes eu passava escondido, mas as crianças ficavam loucas com aquilo e, você vê, um das crianças era o Rogério Sganzerla.

O senhor – o cinéfilo apaixonado chamado Décio Andriotti – deu um sorriso safado e emendou: a gente faz as coisas e nunca sabe o que vai dar.

Essa frase traduz um pouco o que está acontecendo na cidade – quando as pessoas estão nas ruas, o que incomoda é que elas fazem coisas e nunca se sabe o que vai dar. Por isso, neste momento, enquanto a direita tenta engolir a rebelião com seus olhos gordos, é fundamental assumirmos as incertezas, assumirmos a inutilidade, assumirmos sem medo que a causa realmente não custa mais do que vinte centavos. Ela custa, na verdade, bem menos: dezenove, quinze, dez, até chegar a zero. Quanto menos motivos para incendiar a cidade, mais ela vai pegar fogo. E precisa.”

Colaboradores dessa edição: Daiane Marcon, Daniel de Bem, Débora Luz, Cristian Verardi, Gabriella Gasperin, Lennon Macedo, Leonrado Bomfim, Luciano Viegas, Nathália Rech, Paulo Casa Nova, Pedro Henrique Gomes, Priscila Pasko, Ranieri Brandão

* O Zinematógrafo tem distribuição gratuíta e pode ser encontrado flutuando pelas ruas, atualmente incendiárias, de Porto Alegre / Contato: zinematografo@gmail.com

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COM A PALAVRA… VLADIMIR MAIAKOVSKI!

Vladimir Maiakovski 1896-1930

Vladimir Maiakovski 1896-1930

“Para vocês o cinema é um espetáculo.
Para mim, é quase uma concepção do mundo.
O cinema é o veículo do movimento.
O cinema é o renovador da literatura.
O cinema é o destruidor da estética.
O cinema é intrepidez.
O cinema é esportivo.
O cinema é difusor de idéias.
Mas o cinema está doente. O capitalismo atirou pó dourado em seus olhos. 
Hábeis empresários o conduzem pela mão nas ruas. 
Ganham dinheiro comovendo corações com intrigas chorosas. Isso precisa acabar.”

(Vladimir Maiakovski- Kino-Phot. Agosto de 1922)

 

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