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VIII FANTASPOA

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STUART GORDON E DAVID SCHMOELLER SERÃO OS HOMENAGEADOS DO VIII FANTASPOA

David Schmoeller, e o lendário Stuart Gordon serão os diretores homenageados do VIII FANTASPOA. Schmoeller é mais lembrado pelo seu primeiro  filme, “Armadilha Para Turistas” (Tourist Trap, 1979) e por ter dado origem a série “Puppetmaster” em 1989. Stuart Gordon no entanto, dispensa apresentações, sendo um dos diretores mais queridos pelos fãs de horror desde que em 1985 adaptou para as telas “Re-Animator”, de H.P. Lovecraft. Entre os dias 8 e 12 de maio, serão exibidos 25 filmes dos dois diretores, sendo que cinco sessões serão comentadas, três com David Schmoeller e duas com Stuart Gordon.

Stuart Gordon

Stuart Gordon

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OSCAR 2012- VENCE O OLHAR SOBRE A TRADIÇÂO

Melhor filme O Artista, de Michel Hazanavicius

Filme
“O artista”
Diretor

Michel Hazanavicius – “O artista”

Ator
Jean Dujardin – “O artista”
Atriz
Meryl Streep – “A dama de ferro”

 

Ator coadjuvante
Christopher Plummer – “Toda forma de amor”

Atriz coadjuvante
Octavia Spencer – “Histórias cruzadas”

Melhor filme em língua estrangeira
“A separação” – Irã

 

Melhor animação
“Rango”

Documentário (longa-metragem)
“Undefeated”

Roteiro adaptado
“Os descendentes”
Roteiro original
“Meia-noite em Paris” (Woody Allen)

Fotografia
“A invenção de Hugo Cabret” (Robert Richardson)

Direção de arte
“A invenção de Hugo Cabret”


Figurino
“O artista”
Maquiagem
“A dama de ferro”

Edição
“Os homens que não amavam as mulheres”

Edição de som
“A invenção de Hugo Cabret”


Mixagem de som
“A invenção de Hugo Cabret”


Efeitos visuais
“A invenção de Hugo Cabret”


Trilha sonora original
“O artista” – Ludovic Bource


Canção original
“Man or Muppet”, de “Os Muppets”, música e letra de Bret McKenzie


Curta-metragem
“The Shore”


Documentário (curta-metragem)

“Saving Face”


Curta-metragem de animação
“The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore”


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CINEFANTASY EXPERIENCE

ENCONTRO COM RUGGERO DEODATO NO 6° CINEFANTASY

A sexta edição do Cinefantasy, ocorrida em São Paulo entre 22 de novembro e 04 de dezembro, mais do que uma celebração do cinema fantástico, onde fãs e realizadores puderam trocar impressões sobre o gênero, entrando em contato com obras vindas de diversas partes do mundo, num interessante mosaico das recentes produções fantásticas ao redor do globo, foi para mim uma experiência pessoal intensa, onde pude rever velhos amigos, iniciar novas amizades, trocar idéias exaltadas sobre concepções de cinema, assim como presenciar a reação do público diante do meu trabalho como ator em A Noite do Chupacabras. Mas o grande mérito do festival foi ter me propiciado a oportunidade de, na companhia de Felipe Guerra e Joel Caetano, entrevistar Ruggero Deodato, um diretor que influenciou diretamente o meu gosto cinematográfico quando em meados dos anos 80 saí atônito de um cinema após uma sessão de Holocausto Canibal (a entrevista será publicada por aqui em breve, aguardem). E ao compor parte do júri oficial da competitiva de curtas-metragens, junto com Silvio Alexandre e Osvaldo Neto, pude conferir uma leva de jovens realizadores com talento para delirar, assustar, provocar risos nervosos, gargalhadas espontâneas, e fazer jorrar sangue novo no cinema brasileiro.

O encontro com Ruggero Deodato aconteceu na Cinemateca Brasileira, durante a pequena mostra em sua homenagem organizada pelo cineasta Fernando Rick (Black Vomit Filmes), que reuniu O Último Mundo Dos Canibais (Ultimo Mondo Canibale), House On The Edge Of The Park (La Casa SperdutaNel Parco) e o controverso Holocausto Canibal (Cannibal Holocaust). Enquanto a maioria se dirigia para as sessões, Felipe Guerra, Joel Caetano e eu, estávamos mais interessados em tentar desvendar um pouco do homem por trás daquelas produções emblemáticas.  Aos 72 anos, Deodato ainda demonstrava a energia de um garoto encrenqueiro, e de forma acessível e simpática falou com entusiasmo sobre seus filmes. Possuidor de um senso de humor ferino, e muito paciente com os malucos que lhe despejavam uma enxurrada de perguntas sobre sua obra, o velho diretor italiano revelou peculiaridades sobre suas produções numa entrevista babilônica, onde narrou casos engraçados de bastidores, e refletiu sobre vários temas, como a ascensão e derrocada do cinema de gênero italiano e seus problemas pessoais com a censura, e ainda demonstrou surpresa em encontrar no Brasil fãs de um dos seus filmes mais menosprezados, o clássico do SBT, Os Caçadores de Atlântida (I Predatori Di Atlantide). Foi uma situação emocionante e inusitada estar frente a frente com o diretor responsável por me causar diversos pesadelos com índios canibais em minha infância. Após a sessão de Holocausto Canibal, Deodato encontrou o público num excelente debate mediado pelo crítico do Estadão, Luiz Carlos Merten. A presença de Merten como mediador gerou críticas de muitos fãs de horror, devido a sua notória implicância com o gênero, mas a escolha se revelou acertada pela frutífera condução do debate, que ainda contou com a participação do jornalista italiano Paolo Zelati, especialista em cinema fantástico, autor do livro Itália Rosso Sangue.

A mostra competitiva de curtas-metragens foi repleta de gratas surpresas, principalmente entre as produções nacionais, onde foi possível reparar que muitos estudantes de cinema enfim estão se libertando de certos dogmas institucionalizados, e parecem mais interessados em incorporar o cinema de gênero do que reproduzir pastiches de nouvelle vague. O curta Eu & A Loira, de Lucas Calmon, transforma o que parecia ser mais uma produção sobre o mito da Loira do Banheiro em uma inesperada, original e hilária comédia romântica. Duas Vidas Para Antônio Espinosa, de Caio D’Andrea e Rodrigo Fonseca, narra uma trama de vingança com toques sobrenaturais emulando um western spaghetti em pleno Brasil rural, e ainda tem como mérito o resgate da figura de Índio Lopez, um dos mais folclóricos atores da Boca do Lixo. O sangrento e delirante Estranha, confirma o talento de Joel Caetano, um dos grandes batalhadores da atual cena brasileira de horror independente. Morte e Morte de Johnny Zombie, revela através de planos criativos o potencial de cineasta do crítico de cinema Gabriel Carneiro. O impactante Lavagem, primeiro trabalho para o cinema do artista plástico Shiko, nos brinda com uma perturbadora visão do quão maléfica pode ser a religião. Ela Só, de Pâmela Hauber e Stefania Curti, realizado no curso de cinema da PUCRS, revela jovens realizadoras buscando consistência autoral na tensão e no medo. No entanto, devido a uma tradição mais enraizada, a desenvoltura com o gênero é mais evidente nos curtas internacionais, principalmente europeus. O alemão Wilt, de Daniel Vogelman, foi o grande vencedor do festival, levando os prêmios de melhor curta, direção e roteiro, com uma intrigante trama de fantasia, solidão, desejo e morte. Protoparticles, de Chema Garcia Ibarra, é uma instigante ficção científica onde a ambigüidade da situação nos deixa em dúvida quanto a veracidade dos fatos narrados pela patética e trágica figura, que por circunstâncias bizarras não pode nunca despir sua roupa de astronauta. Decapoda Shock, de Javier Chillon, é com louvor uma das mais divertidas e criativas produções exibidas no Cinefantasy, onde acompanhamos a engraçadíssima vingança de um astronauta contra a organização que o submeteu a uma experiência que o transformou num terrível Homem-Lagosta. Bobby Yeah é o mais recente delírio do cineasta inglês Robert Morgan, um dos mais instigantes artistas de stop motion da atualidade. Employee of  The Month, de Olivier Beguin, além dos excelentes efeitos especiais e do roteiro criativo, onde monstros lendários, como vampiros, múmias e bruxas, tentam se adaptar a sociedade procurando uma agência de empregos, conta com a participação Catriona MacColl, atriz cultuada pelos fãs de horror por sua parceria com Lucio Fulci em filmes como Pavor na Cidade dos Zumbis (Paura Nella Città Dei Morti Viventi), Terror nas Trevas (..E tu vivrai nel terrore! L’aldilà) e A Casa dos Mortos Vivos (Quella villa accanto al cimitero).

Entre os longas exibidos, o mais impactante foi Alucardos- Retrato de Um Vampiro, de Ulises Guzmán, que disseca a carreira do genial, e completamente maluco, diretor mexicano Juan López Moctezuma (Alucarda, La Mansionde La Locura), e a vida de Lalo e Manolo, dois fãs obcecados por sua obra. A paixão da dupla pelo trabalho de Moctezuma os levou a seqüestrarem o diretor do hospício onde este estava internado. Uma história tão surreal e absurda que só poderia acabar numa tela de cinema. Malditos Sean!, de Fabián Forte e Demián Rugna, investe na estrutura do cinema de horror em episódios, e exemplifica com pouco dinheiro e muita criatividade como os argentinos estão produzindo excelentes obras de terror e ficção, enquanto no Brasil ainda sofremos com um absurdo preconceito contra o gênero. A sala de cinema lotada, e o público aplaudindo e gargalhando insanamente, foi a melhor resposta que o amigo Felipe Guerra poderia dar aos que não acreditavam no potencial do seu hilariante Entrei em Pânico ao Saber o Que Vocês Fizeram Na Última Sexta-Feira 13 do Verão Passado Parte 2. Devido ao meu envolvimento com a produção, a sessão de A Noite do Chupacabras, de Rodrigo Aragão, onde interpreto uma entidade canibal maléfica, foi uma experiência emocionalmente indissociável do apego pessoal. Presenciar a excelente recepção do público, que riu, vibrou e se horrorizou com o nosso humilde e sangrento filme, fez valer a pena todos os anos de batalha para concretizar o sonho de conceber filmes de horror genuinamente nacionais. É um grande orgulho estar contribuindo para a sedimentação de um caminho viável para o gênero fantástico no Brasil. E só tenho que agradecer ao Rodrigo Aragão por ter sido maluco o suficiente para depositar sua confiança num ator tão inexperiente. Assistir ao filme pronto na impressionante tela do Cine SESC foi a confirmação de que valeram a pena todas as noites sem dormir, todos os hematomas e as horas de maquiagem. Que venha a próxima insanidade!

Agradeço imensamente ao casal Cinefantasy, Eduardo Santana e Vivi Amaral, ao Fernando Rick e ao Danilo Baia, aos colegas de júri Silvio Alexandre e Osvaldo Neto, e a todos os amigos que me recepcionaram tão bem em minha estadia em São Paulo, especialmente Joel Caetano, Mariana Zani, Felipe Guerra, Rodrigo Aragão, Mayra Alarcon, Valderrama,  Fonzo “Tony” Squizzo, Danielle e Giselle Bezerra, Patty Fang, Laura Cánepa e Leandro Caraça. Certamente onde houver escuridão, sangue e uma tela de cinema, nos encontraremos novamente.

Felipe Guerra, Ruggero Deodato, eu, Joel Caetano

A Noite do Chupacabras na tela do CiNESESC

Abocanhando Patty Fang

Vivi Amaral, Paolo Zelati, Fernando Rick e Eduardo Santana

Paolo Zelati, Deodato, Luiz Carlos Merten

Cinefantasy Experience

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OS PREMIADOS DO 6°CINEFANTASY!

CURTAS METRAGENS

MELHOR CURTA POR JURI POPULAR
BUNNY THE KILLER THING
 (Ficção, horror, Finlândia, 2011)
Direção: Joonas Makkonen

Bunny The Killer Thing

MELHOR CURTA HORROR
WILT 
(Ficção, horror, Alemanha, 2011)
Direção: Daniel Vogelmann

MELHOR CURTA FICÇÃO CIENTIFICA
DECAPODA SHOCK
 (Ficção, ficção científica, Espanha, 2011)
Direção: Javier Chillon

MELHOR CURTA FANTASIA
EMPLOYEE OF THE MONTH 
( Ficção, fantasia, Suíça, 2011)
Direção: Olivier Beguin

MELHOR CURTA ANIMAÇÃO
THE BACKWATER GOSPEL

(Animação, ficção científica, Dinamarca, 2011)
Direção: Bo Mathorne

MELHOR CURTA DIREÇÃO
WILT 
(Ficção, horror, Alemanha, 2011)
Direção: Daniel Vogelmann

MELHOR CURTA ROTEIRO
WILT 
(Ficção, horror, Alemanha, 2011)
Direção: Daniel Vogelmann
Roteiro: Lukas Becker, Mathias Brod, Daniel Vogelmann

MELHOR CURTA TRILHA SONORA
Y VOLVERÉ… (Ficção, horror, México, 2010)
Direção: Edgar Nito

MELHOR CURTA MAQUIAGEM
BRUTAL RELAX
 (Ficção, horror, Espanha, 2010)
Direção: Adrián Cardona, Rafa Dengrá e David Muñoz

MELHOR CURTA EFEITOS
EMPLOYEE OF THE MONTH 
( Ficção, fantasia, Suíça, 2011)
Direção: Olivier Beguin

MELHOR CURTA CRIATURA
BUNNY THE KILLER THING
 (Ficção, horror, Finlândia, 2011)
Direção: Joonas Makkonen
Matti Kiviniemi – Bunny the Killer Thing

MELHOR CURTA VÍTIMA
AMY’S IN THE ATTIC 
(Ficção, horror, Canadá, 2011)
Direção: Matthew Saliba
Kayden Rose – Amy

MELHOR CURTA VILÃO
LAVAGEM

Ficção, horror, Brasil, 2010)
Direção: Shiko
O Pastor

PRÊMIO ESTÍMULO AMADOR
VELHO MUNDO
 (Ficção, fantasia, Brasil, 2010)
Direção: Armando Fonseca

PRÊMIO ESTÍMULO ESTUDANTE
DUAS VIDAS PARA ANTONIO ESPINOSA
 (Ficção, fantasia, Brasil, 2011)
Direção: Caio D’Andrea e Rodrigo Fonseca

MENÇÃO HONROSA REVELAÇÃO
EU & A LOIRA (
Ficção, fantasia, Brasil, 2011)
Direção: Lucas Calmon

LONGAS METRAGENS

MELHOR LONGA POR JURI POPULAR
ALUCARDOS – RETRATO DE UM VAMPIRO 
(Doc, Horror, México, 2010)
Direção: Ulises Guzmán

Alucardos

MELHOR LONGA HORROR
MALDITOS SEAN! 
(Ficção, Fantasia/Horror/Ficção-Científica, Argentina, 2011)
Direção: Demian Rugna e Fabian Forte

MELHOR LONGA FICÇÃO CIENTIFICA
DIE FARBE 
(Ficção, Horror, Alemanha, 2010)
Direção: Huan Vu

MELHOR LONGA FANTASIA
KROKODYLE 
(Ficção, Fantasia, Itália, 2010)
Direção: Stefano Bessoni

MELHOR LONGA DIREÇÃO
ALUCARDOS – RETRATO DE UM VAMPIRO 
(Doc, Horror, México, 2010)
Direção: Ulises Guzmán

MELHOR LONGA ROTEIRO
HAROLD’S GOING STIFF
 (Ficção, horror, Grã-Bretanha, 2010)
Direção e Roteiro: Keith Wright

MELHOR LONGA TRILHA SONORA
O GURI
 (Ficção, Fantasia, Brasil, 2011)
Direção: Zeca Brito
Trilha Sonora: Luiz Felipe Damiani

MELHOR LONGA MAQUIAGEM / EFEITOS
A DAY OF VIOLENCE
 (Ficção, Horror, Reino Unido, 2010)
Direção: Darren Ward
Efeitos/Maquiagem: Cesar Alonso, Stuart Browne, Scott Orr, Alastair Vardy

MELHOR LONGA CRIATURA
A NOITE DO CHUPACABRAS
 (Ficção, Horror, Brasil, 2011)
Direção: Rodrigo Aragão
Walderrama dos Santos – Chupacabras

A Noite do Chupacabras

MELHOR LONGA VÍTIMA
MALDITOS SEAN! 
(Ficção, Fantasia/Horror/Ficção-Científica, Argentina, 2011)
Direção: Demian Rugna e Fabian Forte
O Delegado

MELHOR LONGA VILÃO
MALDITOS SEAN! 
(Ficção, Fantasia/Horror/Ficção-Científica, Argentina, 2011)
Direção: Demian Rugna e Fabian Forte
Os Anões

PRÊMIO ESPECIAL DESAFIO MESTRE DOS GRITOS

NEGATIVE IMAGE (Ficção, Horror, Reino Unido, 2011)
Direção: Karl Holt


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RUMO AO 6° CINEFANTASY!

 

O CineFantasy chega à sua sexta edição confirmando sua maturidade, e consolidando sua importância na concretização de um cenário brasileiro de festivais dedicados ao cinema fantástico.  O festival, que em sua infância  deu seus primeiros e tímidos passos no litoral paulista, aterrorizando Ilha Comprida, hoje tornou-se um enorme monstro lovecraftiano, e invade diversas salas de cinemas e centros culturais de São Paulo.  O diretor homenageado desta edição sanciona o porte monstruoso adquirido pelo CineFantasy. O mítico e controverso diretor italiano Ruggero Deodato (Canibal Holocausto, House on The Edge of the Park, O Último Mundo Canibal) estará presente para uma breve retrospectiva de sua obra. Um verdadeiro presente para os fãs do cinema de horror italiano.  E outra boa notícia envolve o escriba deste humilde blog. Além de estar nas telas do festival como ator dos filmes “A Noite do Chupacabras” e “David Blyth’s Damn Laser Vampires”, fui convidado pelos organizadores Eduardo Santana e Vivi Amaral para compor o corpo de jurados da mostra competitiva de curtas-metragens.  Por duas semanas São Paulo estará sob o domínio do estranho mundo do CineFantasy. Quem sobreviver verá! Acessem o site e programem-se: http://www.cinefantasy.com.br/principal.html

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O MÊS EM QUE PORTO ALEGRE RESPIROU CINEMA!

Mostra Kenneth Anger no mezanino da Usina do Gasômetro

Durante o mês de julho Porto Alegre vivenciou um raro momento de verdadeiro êxtase entre os cinéfilos locais. Os menos atentos aos eventos culturais relativos a cinema, ou simplesmente insensíveis as artes em geral, não perceberam ou deram importância a feliz conjunção de agendas que possibilitou o fato de nomes como Kenneth Anger, Claire Denis e Lamberto Bava estarem perambulando simultaneamente pelas ruas da cidade. Estes cineastas tão

Anger e Denis em encontro inusitado

díspares quanto importantes em seus respectivos nichos podiam ser vistos passeando tranquilamente pela Rua da Praia, bebendo um cafezinho no Mercado Público ou assistindo ao pôr do sol na beira do Guaíba. Presenças inusitadas que tornaram a cidade um cenário quase surreal, de ares fílmicos, pois para os amantes do cinema, estas figuras aparentemente comuns bebendo o cafezinho na mesa ao lado não passavam despercebidas, estavam envoltas na mítica de suas obras.

Enquanto Lamberto Bava era o homenageado do VII FANTASPOA, tanto Claire Denis como Kenneth Anger tinham suas obras dissecadas em retrospectivas na Usina do Gasômetro. Por trabalhar na Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia da prefeitura junto com Bernardo de Souza e Marcus Mello, que com esforços hercúleos foram os responsáveis pela vinda de Anger e Denis, tive a oportunidade de participar ativamente destas mostras e dialogar com estas figuras icônicas.

Mostra Kenneth Anger no mezanino da Usina do Gasômetro

Receoso com a aura maldita envolvendo o cineasta místico que concebeu “Invocation My Demon Brother”, “Lucifer Rising” e o livro “Hollywood Babylon”, encontrei Kenneth Anger ainda no aeroporto, e tive minhas ressalvas dissipadas ao me deparar com um senhor sorridente e acessível, que em nada lembrava o artista obscuro, famoso seguidor dos preceitos de Aleister Crowley, sempre relacionado a temas polêmicos envolvendo arte, homossexualismo e missas negras. Não foi à toa que os Rolling Stones compuseram “Simpathy for the Devil” em sua homenagem. Aos 84 anos Anger parecia sereno, sempre esboçando um sorriso resplandecente, ao contrário de seu acompanhante, o sisudo artista multimídia e ocultista Brian Butler.

Na coletiva de imprensa a idade pareceu lhe pesar nos ombros, e no geral Anger foi lacônico, respondendo sem muito entusiasmo algumas questões sobre sua obra ou se esquivando de forma bem humorada de perguntas sobre sua relação com rituais ocultistas. Quando indaguei se Hollywood ainda era uma Babilônia sobre a qual valeria escrever algo a respeito, respondeu que tem um terceiro volume de “Hollywood Babylon” quase finalizado, mas tem receio de lançá-lo, pois certamente seria processado pelos adeptos da Cientologia. Sobre o satanismo, não apenas em seus filmes como em sua trajetória pessoal, contrapôs que as pessoas as vezes não compreendem o seu estranho senso de humor, e o levam mais a sério do que deveriam. Porém, se Anger apenas quis se desvencilhar do assunto, talvez por estar cansado de responder sobre o tema, ou se realmente a magia era apenas mais uma ferramenta lírica em seu trabalho, seu amigo Brian Butler parece realmente levar as forças ocultas com seriedade. Ao final da coletiva Butler foi conversar com meu amigo Antônio Augusto

Fagundes Filho (mestre em tarô e outras atividades mágicas), que foi quem

Brian, Antônio e eu, na caça das entidades.

durante a coletiva mais manifestou curiosidade nas atividades demoníacas de Anger. E o interesse de Butler era claro, “brazilian black magic”, a boa e velha macumba. Após a coletiva acompanhamos Antônio numa tour pelas “floras’ do Mercado Público, e ficamos o resto da manhã envoltos com exus, pombas giras, pretos velhos e outras entidades. Engraçado foi explicar para Brian a denominação de algumas entidades da umbanda. Como traduzir “Exu Tranca Rua”? Com meu inglês macarrônico arrisquei um “Exu Lock Street”. Durante todo mês de julho a obra de Anger pôde ser devidamente apreciada numa exposição delirante que ocupou um grande espaço no 2° andar da Usina do Gasômetro. O velho cineasta deu seu aval, e retornou para sua babilônica Hollywood, nos deixando em dúvida sobre o quanto de realmente demoníaco havia na ostentação de seu simpático sorriso.

A retrospectiva da obra de Claire Denis na Sala P.F Gastal, foi essencial para uma reavaliação (e destruição) de conceitos que eu havia sedimentado durante anos sobre o trabalho desta peculiar realizadora francesa. Nunca fui um grande entusiasta de sua visão de cinema, mas sempre admirei a força com que ela defende suas opções narrativas e estéticas, e nesta revisão, filmes como “Desejo e Obsessão” e “35 Doses de Rum” (exibidos em belas cópias em 35mm)

Aula de cinema com Claire Denis

cresceram imensamente, apagando um certo ar de formalismo presunçoso que eu achava existir em seus trabalhos. E uma das surpresas mais agradáveis foi assistir “US Go Home”, uma rara produção realizada para a TV (para a série Tours lês Graçons ET lês Filles de leur Age) sobre a juventude francesa dos anos 60, que se tornou instantaneamente o meu filme preferido da diretora. Porém, o grande mérito desta retrospectiva foi a presença da própria Denis. Após a exibição de “Beau Traveil”, filme de abertura da mostra, realizou-se um debate, mediado pelo excelente montador Milton do Prado, que se transformou em uma extasiante explanação sobre a arte de fazer filmes.  O diálogo franco com o público, onde a realizadora conversou sobre seu processo criativo, suas influências, escolhas e experiências, foi uma absurda aula de cinema como raramente tive a oportunidade de presenciar. Conversei brevemente sobre o começo de sua carreira, iniciada como assistente de direção de um dos meus cineastas prediletos, Dusan Makavejev, em “Sweet Movie”. Ela revelou que a lição mais importante apreendida como assistente foi “não ter medo”. E falou isso não em termos artísticos, mas se referindo à experiência de vida. Aprender a nadar, andar de motocicleta, e realizar outras atividade perigosas que lhe eram exigidas em um filme, foram coisas fundamentais para auxiliá-la (uma jovem considerada frágil) a encarar a vida de frente; não temer. Além de Makavejev, Claire foi assistente de nomes como Win Wenders, Jim Jarmush, Costa-Gavras e Robert Enrico. Um currículo mais do que invejável.

Simpático e bonachão, Lamberto Bava estampou sorrisos nos rostos dos mais fervorosos fãs de horror durante o VII FANTASPOA. Apesar de não constar no hall dos meus diretores prediletos (seu lugar está ocupado pela lendária figura de seu pai, Mario Bava), Lamberto tem o mérito de ser o realizador de um dos filmes que mais marcaram a minha adolescência, auxiliando a sedimentar o meu gosto pelo gênero fantástico, “Demons- Filhos das Trevas”. O gore descarado, e a sequência onde demônios são massacrados dentro de um cinema (ao som de “Fast is a Shark”, do Accept) por um jovem munido de uma katana e uma motocicleta, é o suficiente para perdoá-lo pela gama de filmes medíocres que ele viria a dirigir. Atencioso com o público, o veterano diretor italiano participou de sessões comentadas sobre a sua obra e a de seu pai, e sanou a curiosidade dos cinéfilos revelando fatos interessantes, não apenas sobre os filmes da família Bava, mas também peculiaridades sobre como funcionava a indústria do horror italiano. Na retrospectiva de Mario não faltaram títulos

Ouvindo atentamente Lamberto Bava

clássicos como “A Máscara do Demônio”, “Perigo:Diabolik” e “Whip and the Body”, porém lamentei a ausência de “Sei Donne Per L’assassino”, filme seminal do gênero giallo. Entre os muitos relatos de Lamberto, foi curioso saber que apesar de seu nome constar como assistente de direção na ficha técnica de “Canibal Holocausto”, de Ruggero Deodato, ele não teve nenhum envolvimento com o filme, tendo cedido seu nome apenas para fechar uma cota de produção. E seus comentários sobre a rivalidade entre os diretores de filmes de gênero daquele período, apesar de muitos trabalharem cooperativamente, acabaram com a ilusão de que havia uma relação afetiva entre eles; as relações pareciam ocorrer estritamente no plano comercial Segundo relatou, depois de ter produzido seu primeiro longa-metragem, Deodato teria lhe dito, “Parabéns Lamberto, mas agora que você também é diretor, não podemos ser mais amigos”. Alguns destes comentários proporcionaram uma compreensão maior sobre desavenças lendárias entre diretores como Dario Argento e Lucio Fulci. Foi uma experiência emocionante ouvir histórias pessoalmente de quem presenciou e participou ativamente de um dos períodos mais efervescentes e criativos do cinema fantástico italiano.

O mês de julho de 2011 ficará ainda um bom tempo em minha memória, feito uma velha película technicolor, que mesmo arranhada, as cores persistem em não esmaecer.

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