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VIII FANTASPOA

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C’ERA UNA VOLTA IN ITALIA-BREVES RELATOS PARTE 2

Meu Vaticano fica aqui!

Existe um ditado popular para definir uma oportunidade desperdiçada, “ir a Roma e não conhecer o papa”. Obviamente não conheci o dito cujo, e garanto que tenho muitas questões atravessadas na garganta para despejar sobre o Sr. Joseph Ratzinger, porém, movido pela curiosidade histórica realizei uma breve incursão pela Santa Sé, e apenas posso dizer que fiquei mais indignado do que impressionado com a riqueza e a ostentação do Vaticano. E algumas demonstrações de fé, como as crises de choro histéricas e a bizarra figura de uma senhora de ar rancoroso, ostentando uma cruz tatuada na testa, só reforçaram alguns dos meus sentimentos anti-religiosos. O fato é que se existe um Vaticano digno de romaria para os fãs de horror, ele se chama “Profondo Rosso”, e fica na Via Dei Gracchi 260, apenas algumas quadras distante da Santa Sé.

A “Profondo Rosso” é uma loja de artigos de horror gerenciada pelo cineasta Luigi Cozzi, e de propriedade do mítico Dario Argento. Tive o prazer de conhecer o simpático Cozzi durante a sexta edição do FANTASPOA. Ele não se encontrava presente em minha visita à loja, mas fui muito bem recepcionado por sua esposa Leticia e pelo atendente Fabio. A “Profondo Rosso” é uma parada obrigatória para os cinéfilos perdidos em Roma, seja pelo fator fetichista,

os prestativos Fabio e Leticia

afinal Dario Argento tornou-se uma marca registrada do gênero horror, ou para adquirir material sobre cinema fantástico. A loja possui um bom acervo de livros, filmes, pôsteres, action figures, e outras bugigangas relacionadas a horror e fantasia que alegrarão qualquer colecionador, mas preparem os bolsos, pois os artigos não costumam ser nada baratos. O porão da loja ainda possuí um pequeno museu dedicado à obra de Argento, onde os aficionados podem ver de perto animatronics e objetos de cena utilizados em diversos de seus filmes, como “Phenomena”, “Dois Olhos Satânicos”, “Demons” e outros. Além de voltar com alguns livros sobre o horror italiano na bagagem, investi alguns salgados euros na fantástica edição em blu ray de “Pavor na Cidade dos Zumbis” (Paura Nella Città Dei Morti Viventi / 1980), de Lucio Fulci, lançada pela inglesa Arrow Films. E também não resisti a um souvenir que dificilmente encontraria por aqui, uma caneca do Lucio Fulci com imagens do diretor e de criaturas de “Zumbi 2” e “Pavor na Cidade dos Zumbis”.

Fãs de Argento e cinema fantástico em geral podem obter mais informaçõe sobre a Profondo Rosso acessando o site http://www.profondorossostore.com/

Demoni!

“Eles farão de suas catedrais, cemitérios, e de suas cidades, tumbas.”

Carne fresca nas catacumbas da Profondo Rosso! Um boneco utilizado em "Dois Olhos Satânicos".

A meiga criança psicopata de "Phenomena".

Algum fã de Argento esquecido no porão

 

Esse animatronic me causou pesadelos na infância.

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STUART GORDON E DAVID SCHMOELLER SERÃO OS HOMENAGEADOS DO VIII FANTASPOA

David Schmoeller, e o lendário Stuart Gordon serão os diretores homenageados do VIII FANTASPOA. Schmoeller é mais lembrado pelo seu primeiro  filme, “Armadilha Para Turistas” (Tourist Trap, 1979) e por ter dado origem a série “Puppetmaster” em 1989. Stuart Gordon no entanto, dispensa apresentações, sendo um dos diretores mais queridos pelos fãs de horror desde que em 1985 adaptou para as telas “Re-Animator”, de H.P. Lovecraft. Entre os dias 8 e 12 de maio, serão exibidos 25 filmes dos dois diretores, sendo que cinco sessões serão comentadas, três com David Schmoeller e duas com Stuart Gordon.

Stuart Gordon

Stuart Gordon

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ADEUS MOEBIUS! JEAN GIRAUD (1938-2012)

JEAN "MOEBIUS" GIRAUD (1938-2012)

Na adolescência eu habitava uma pequena cidade do interior tão insípida que o tédio grudava na pele e corroía até os ossos. Lembro que numa tarde modorrenta de verão eu me refugiei na biblioteca municipal, desesperado em encontrar algo que me despertasse do torpor crônico que a cidade me proporcionava, quando me deparei com uma obra em quadrinhos intitulada “O Homem é Bom?”. Foi meu primeiro e fascinante contato com a obra de Jean Giraud, ou simplesmente Moebius. Além de notório ilustrador, não podemos esquecer de suas contribuições para o mundo do cinema. Moebius tinha uma relação intrínseca com a sétima arte, contribuindo na concepção artística de filmes como “Alien, O Oitavo Passageiro”, “O Segredo do Abismo”, “Tron- Uma Odisséia Eletrônica”, “O Quinto Elemento”, entre outros, além de dirigir o curta-metragem “La Planète Encore” e a série de tv “Arzak Rhapsody”. E seu envolvimento com o genial cineasta Alejandro Jodorowsky nos brindou com a delirante space opera “Incal”. Obrigado Moebius por um dia ter me salvado do marasmo da mediocridade, e por ter me apresentado sua visão tão peculiar do universo!

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CINEFANTASY EXPERIENCE

ENCONTRO COM RUGGERO DEODATO NO 6° CINEFANTASY

A sexta edição do Cinefantasy, ocorrida em São Paulo entre 22 de novembro e 04 de dezembro, mais do que uma celebração do cinema fantástico, onde fãs e realizadores puderam trocar impressões sobre o gênero, entrando em contato com obras vindas de diversas partes do mundo, num interessante mosaico das recentes produções fantásticas ao redor do globo, foi para mim uma experiência pessoal intensa, onde pude rever velhos amigos, iniciar novas amizades, trocar idéias exaltadas sobre concepções de cinema, assim como presenciar a reação do público diante do meu trabalho como ator em A Noite do Chupacabras. Mas o grande mérito do festival foi ter me propiciado a oportunidade de, na companhia de Felipe Guerra e Joel Caetano, entrevistar Ruggero Deodato, um diretor que influenciou diretamente o meu gosto cinematográfico quando em meados dos anos 80 saí atônito de um cinema após uma sessão de Holocausto Canibal (a entrevista será publicada por aqui em breve, aguardem). E ao compor parte do júri oficial da competitiva de curtas-metragens, junto com Silvio Alexandre e Osvaldo Neto, pude conferir uma leva de jovens realizadores com talento para delirar, assustar, provocar risos nervosos, gargalhadas espontâneas, e fazer jorrar sangue novo no cinema brasileiro.

O encontro com Ruggero Deodato aconteceu na Cinemateca Brasileira, durante a pequena mostra em sua homenagem organizada pelo cineasta Fernando Rick (Black Vomit Filmes), que reuniu O Último Mundo Dos Canibais (Ultimo Mondo Canibale), House On The Edge Of The Park (La Casa SperdutaNel Parco) e o controverso Holocausto Canibal (Cannibal Holocaust). Enquanto a maioria se dirigia para as sessões, Felipe Guerra, Joel Caetano e eu, estávamos mais interessados em tentar desvendar um pouco do homem por trás daquelas produções emblemáticas.  Aos 72 anos, Deodato ainda demonstrava a energia de um garoto encrenqueiro, e de forma acessível e simpática falou com entusiasmo sobre seus filmes. Possuidor de um senso de humor ferino, e muito paciente com os malucos que lhe despejavam uma enxurrada de perguntas sobre sua obra, o velho diretor italiano revelou peculiaridades sobre suas produções numa entrevista babilônica, onde narrou casos engraçados de bastidores, e refletiu sobre vários temas, como a ascensão e derrocada do cinema de gênero italiano e seus problemas pessoais com a censura, e ainda demonstrou surpresa em encontrar no Brasil fãs de um dos seus filmes mais menosprezados, o clássico do SBT, Os Caçadores de Atlântida (I Predatori Di Atlantide). Foi uma situação emocionante e inusitada estar frente a frente com o diretor responsável por me causar diversos pesadelos com índios canibais em minha infância. Após a sessão de Holocausto Canibal, Deodato encontrou o público num excelente debate mediado pelo crítico do Estadão, Luiz Carlos Merten. A presença de Merten como mediador gerou críticas de muitos fãs de horror, devido a sua notória implicância com o gênero, mas a escolha se revelou acertada pela frutífera condução do debate, que ainda contou com a participação do jornalista italiano Paolo Zelati, especialista em cinema fantástico, autor do livro Itália Rosso Sangue.

A mostra competitiva de curtas-metragens foi repleta de gratas surpresas, principalmente entre as produções nacionais, onde foi possível reparar que muitos estudantes de cinema enfim estão se libertando de certos dogmas institucionalizados, e parecem mais interessados em incorporar o cinema de gênero do que reproduzir pastiches de nouvelle vague. O curta Eu & A Loira, de Lucas Calmon, transforma o que parecia ser mais uma produção sobre o mito da Loira do Banheiro em uma inesperada, original e hilária comédia romântica. Duas Vidas Para Antônio Espinosa, de Caio D’Andrea e Rodrigo Fonseca, narra uma trama de vingança com toques sobrenaturais emulando um western spaghetti em pleno Brasil rural, e ainda tem como mérito o resgate da figura de Índio Lopez, um dos mais folclóricos atores da Boca do Lixo. O sangrento e delirante Estranha, confirma o talento de Joel Caetano, um dos grandes batalhadores da atual cena brasileira de horror independente. Morte e Morte de Johnny Zombie, revela através de planos criativos o potencial de cineasta do crítico de cinema Gabriel Carneiro. O impactante Lavagem, primeiro trabalho para o cinema do artista plástico Shiko, nos brinda com uma perturbadora visão do quão maléfica pode ser a religião. Ela Só, de Pâmela Hauber e Stefania Curti, realizado no curso de cinema da PUCRS, revela jovens realizadoras buscando consistência autoral na tensão e no medo. No entanto, devido a uma tradição mais enraizada, a desenvoltura com o gênero é mais evidente nos curtas internacionais, principalmente europeus. O alemão Wilt, de Daniel Vogelman, foi o grande vencedor do festival, levando os prêmios de melhor curta, direção e roteiro, com uma intrigante trama de fantasia, solidão, desejo e morte. Protoparticles, de Chema Garcia Ibarra, é uma instigante ficção científica onde a ambigüidade da situação nos deixa em dúvida quanto a veracidade dos fatos narrados pela patética e trágica figura, que por circunstâncias bizarras não pode nunca despir sua roupa de astronauta. Decapoda Shock, de Javier Chillon, é com louvor uma das mais divertidas e criativas produções exibidas no Cinefantasy, onde acompanhamos a engraçadíssima vingança de um astronauta contra a organização que o submeteu a uma experiência que o transformou num terrível Homem-Lagosta. Bobby Yeah é o mais recente delírio do cineasta inglês Robert Morgan, um dos mais instigantes artistas de stop motion da atualidade. Employee of  The Month, de Olivier Beguin, além dos excelentes efeitos especiais e do roteiro criativo, onde monstros lendários, como vampiros, múmias e bruxas, tentam se adaptar a sociedade procurando uma agência de empregos, conta com a participação Catriona MacColl, atriz cultuada pelos fãs de horror por sua parceria com Lucio Fulci em filmes como Pavor na Cidade dos Zumbis (Paura Nella Città Dei Morti Viventi), Terror nas Trevas (..E tu vivrai nel terrore! L’aldilà) e A Casa dos Mortos Vivos (Quella villa accanto al cimitero).

Entre os longas exibidos, o mais impactante foi Alucardos- Retrato de Um Vampiro, de Ulises Guzmán, que disseca a carreira do genial, e completamente maluco, diretor mexicano Juan López Moctezuma (Alucarda, La Mansionde La Locura), e a vida de Lalo e Manolo, dois fãs obcecados por sua obra. A paixão da dupla pelo trabalho de Moctezuma os levou a seqüestrarem o diretor do hospício onde este estava internado. Uma história tão surreal e absurda que só poderia acabar numa tela de cinema. Malditos Sean!, de Fabián Forte e Demián Rugna, investe na estrutura do cinema de horror em episódios, e exemplifica com pouco dinheiro e muita criatividade como os argentinos estão produzindo excelentes obras de terror e ficção, enquanto no Brasil ainda sofremos com um absurdo preconceito contra o gênero. A sala de cinema lotada, e o público aplaudindo e gargalhando insanamente, foi a melhor resposta que o amigo Felipe Guerra poderia dar aos que não acreditavam no potencial do seu hilariante Entrei em Pânico ao Saber o Que Vocês Fizeram Na Última Sexta-Feira 13 do Verão Passado Parte 2. Devido ao meu envolvimento com a produção, a sessão de A Noite do Chupacabras, de Rodrigo Aragão, onde interpreto uma entidade canibal maléfica, foi uma experiência emocionalmente indissociável do apego pessoal. Presenciar a excelente recepção do público, que riu, vibrou e se horrorizou com o nosso humilde e sangrento filme, fez valer a pena todos os anos de batalha para concretizar o sonho de conceber filmes de horror genuinamente nacionais. É um grande orgulho estar contribuindo para a sedimentação de um caminho viável para o gênero fantástico no Brasil. E só tenho que agradecer ao Rodrigo Aragão por ter sido maluco o suficiente para depositar sua confiança num ator tão inexperiente. Assistir ao filme pronto na impressionante tela do Cine SESC foi a confirmação de que valeram a pena todas as noites sem dormir, todos os hematomas e as horas de maquiagem. Que venha a próxima insanidade!

Agradeço imensamente ao casal Cinefantasy, Eduardo Santana e Vivi Amaral, ao Fernando Rick e ao Danilo Baia, aos colegas de júri Silvio Alexandre e Osvaldo Neto, e a todos os amigos que me recepcionaram tão bem em minha estadia em São Paulo, especialmente Joel Caetano, Mariana Zani, Felipe Guerra, Rodrigo Aragão, Mayra Alarcon, Valderrama,  Fonzo “Tony” Squizzo, Danielle e Giselle Bezerra, Patty Fang, Laura Cánepa e Leandro Caraça. Certamente onde houver escuridão, sangue e uma tela de cinema, nos encontraremos novamente.

Felipe Guerra, Ruggero Deodato, eu, Joel Caetano

A Noite do Chupacabras na tela do CiNESESC

Abocanhando Patty Fang

Vivi Amaral, Paolo Zelati, Fernando Rick e Eduardo Santana

Paolo Zelati, Deodato, Luiz Carlos Merten

Cinefantasy Experience

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FUCKING CHRISTMAS FOR ALL!

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RUMO AO 6° CINEFANTASY!

 

O CineFantasy chega à sua sexta edição confirmando sua maturidade, e consolidando sua importância na concretização de um cenário brasileiro de festivais dedicados ao cinema fantástico.  O festival, que em sua infância  deu seus primeiros e tímidos passos no litoral paulista, aterrorizando Ilha Comprida, hoje tornou-se um enorme monstro lovecraftiano, e invade diversas salas de cinemas e centros culturais de São Paulo.  O diretor homenageado desta edição sanciona o porte monstruoso adquirido pelo CineFantasy. O mítico e controverso diretor italiano Ruggero Deodato (Canibal Holocausto, House on The Edge of the Park, O Último Mundo Canibal) estará presente para uma breve retrospectiva de sua obra. Um verdadeiro presente para os fãs do cinema de horror italiano.  E outra boa notícia envolve o escriba deste humilde blog. Além de estar nas telas do festival como ator dos filmes “A Noite do Chupacabras” e “David Blyth’s Damn Laser Vampires”, fui convidado pelos organizadores Eduardo Santana e Vivi Amaral para compor o corpo de jurados da mostra competitiva de curtas-metragens.  Por duas semanas São Paulo estará sob o domínio do estranho mundo do CineFantasy. Quem sobreviver verá! Acessem o site e programem-se: http://www.cinefantasy.com.br/principal.html

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