Arquivo do mês: junho 2012

ADEUS CARLOS REICHENBACH! VIVA A SUA ALMA CORSÁRIA!

Carlos Reichenbach (14 de junho de 1945 + 14 de junho de 2012)

Carlos Reichenbach partiu, ironicamente, no mesmo dia em que chegou ao mundo. Mas com ele as coisas não poderiam ser simples, precisavam conter este elemento desestabilizador,  nem que fosse um pequeno detalhe como a coincidência do nascimento e da morte, algo digno de um artifício cinematográfico. O cinema brasileiro perde o cineasta ímpar Carlos Reichenbach,  mas quem teve o prazer de conhecer a figura humana além da persona pública, perde o Carlão.

Carlão Reichenbach era uma figura generosa, rara, e despido de pudores e preconceitos foi um batalhador incansável de um cinema brasileiro que teima em se cansar facilmente, um incentivador corajoso de novos talentos e novos olhares. Era um cinéfilo perspicaz que poderia ficar horas debatendo sobre cinema com paixão e fúria, ouvindo e argumentando, dividindo seu vasto conhecimento para quem estivesse disposto a ouvir. Devido a essa paixão conseguiu agregar, incentivar e influenciar uma gama de jovens realizadores e críticos,  entre os quais me incluo. No começo da década passada a lista de discussão de cinema “Canibal Holocausto” (do amigo Thomaz Albornoz) era um ponto de referência para jovens com pretensões cinematográficas, e lá estava Carlão, um diretor canônico, debatendo humildemente com um bando de garotos entusiasmados.

“Em O Poderoso Chefão, Gordon Willis atingiu o preto absoluto! Gordon Willis é o único diretor de fotografia que conseguiu de forma genial o PRETO ABSOLUTO!” , gritava Carlão numa mesa de bar numa noite que entre um gole e outro eu tomava grandes lições sobre cinema.

Adeus Carlão! Obrigado por sua obra, por sua generosidade, e por ter me proporcionado numa mesa de bar uma das melhores aulas de cinema que tive em minha vida! Viva a sua alma corsária!

Carlão e eu durante a exibição de seu filme “Lilian M: Relatório Confidencial” na edição comemorativa número 100 do Projeto Raros.

FILMOGRAFIA:

2007 Falsa Loura

2004 Bens Confiscados

2003 Garotas do ABC

2002 Equilíbrio e Graça (short)

1999 Dois Córregos – Verdades Submersas no Tempo

1994 Olhar e Sensação (short)

1993 Alma Corsária

1990 City Life (documentary) (segment “Desordem em Progresso”)

1987 Anjos do Arrabalde

1986 Filme Demência

1984 Extremos do Prazer

1982 Amor, Palavra Prostituta

1982 As Safadas (segment “Rainha do Fliperama”)

1981 O Império do Desejo

1979 Sede de Amar

1979 AIlha dos Prazeres Proibidos

1975 Lilian M.: Relatório Confidencial

1972 Corrida em Busca do Amor

1971 O Paraíso Proibido

1970 Audácia (segments “Prólogo” and “Badaladíssima dos Trópicos X Os Picaretas do Sexo, A”)

1968 As Libertinas (segment “Alice”)

1968 Esta Rua Tão Augusta (documentary short)

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THE RAID- REDEMPTION

Exibido no Festival do Rio em 2011 com o título “Batida Policial”, o filme indonésio “The Raid- Redemption” (Serbuan Maut, 2011), vem sendo recebido com entusiasmo pelos fãs do cinema de ação. Tal empolgação se justifica plenamente durante os 100 minutos em que o diretor Gareth Evans desenvolve uma trama onde a violência desenfreada é orquestrada com uma inventividade cruel, em que poucos instantes são dados para os personagens e o público recuperarem o fôlego.

No começo da década de 1990, oriundo de Hong Kong, o diretor John Woo, antes de ser cooptado por Hollywood, redefiniu o gênero com o balé de balas visto em obras como “The Killer”, “Fervura Máxima” e “Bala na Cabeça”, em 2003, o filme “Ong-Bak – Guerreiro Sagrado”, de Prachya Pinkaew, colocou em evidência o muay thai e o efusivo cinema de ação da Tailândia, encabeçado pelo artista marcial Tony Jaa, e agora chegou a vez da Indonésia com “The Raid- Redemption”, dar mais uma amostra de que o cinema americano, preso as formalidades burocráticas da indústria, a muito tempo perdeu a supremacia do gênero para as produções asiáticas.

As insanas produções de artes marciais asiáticas, desde os anos 1970 esbanjavam criatividade, apesar de lutarem também com a precariedade técnica, porém nas últimas décadas atingiram um alto nível de excelência em suas produções, tornando o seu cinema competitivo em qualidade com as produções norte americanas. A diferença é que enquanto um se preocupa em agradar a platéia adolescente (com produções diluídas para obter o selo PG 13), o outro faz filmes para um público de ação consciente de que além da estética cinematográfica, facas cortam, ossos quebram e a carne sangra.

A trama de “The Raid- Redemption” é tão simples quanto eficiente. Um batalhão de elite de Jacarta precisa invadir um prédio, situado num bairro barra pesada, para prender um chefe do narcotráfico. O problema é que o edifício é habitado por toda espécie de sociopata do submundo do crime, e a cada andar que avançam os policiais enfrentam um sangrento embate, mas não tarda para perceberem  que estão encerrados numa armadilha mortal de 30 andares. Encurralados, os policiais combatem a horda de assassinos num desesperador jogo de sobrevivência, onde quando a munição termina, golpes de faca, machado, e até cadeiras, são utilizados para dizimar os adversários. O jovem oficial Rama (Iko Uwais), tem motivações pessoais para ter aceito a missão, e suas habilidades nas artes marciais serão necessárias para empilhar corpos no meio do caminho até chegar ao seu objetivo. A missão de captura, além de desastrosa aos poucos vai se revelando não tão nobre quanto pensavam, mas quando o sangue começa a jorrar, é tarde demais para recuar.

Iko Uwais é um exímio atleta também na vida real, sendo campeão nacional de Silat, tradicional arte marcial da Indonésia. Foi Uwais quem coreografou as impressionantes seqüências de luta, uma verdadeira dança da violência, em que é impossível não imaginar quantos dublês saíram do set de filmagem direto para o hospital. E o anúncio de uma clínica de traumatologia nos créditos finais só reforça essa idéia. As seqüências envolvendo armas brancas são coreografadas de forma impressionante, e mesmo com a edição ágil envolvendo os golpes rápidos, o espectador não é poupado dos detalhes mais sangrentos. As sequências onde Rama luta com diversos oponentes munidos com facões em um corredor apertado, ou a tensa tentativa de fuga onde um caminho entre os andares é desbravado à machadadas, são dolorosamente prazerosas de se assistir.

Gareth Evans é um diretor com apenas outro longa em seu currículo, “Merantau” (2009), também com o lutador Iko Uwais no elenco, porém o seu exercício de direção demonstra que apesar da evidente euforia de um jovem diretor, ele possuí um impressionante domínio na concepção dos planos, uma decupagem digna de um veterano de olhar apurado.

Histórias com homens encurralados, pressionados a se transformarem em bestas para sobreviver a qualquer custo não são novidade, mas devido a sua natureza complexa sempre podem render excelentes frutos, e não faltam bons exemplos, Sob o Domínio do Medo, Duro de Matar, Território Inimigo, Assalto a 13° DP. Assim “The Raid” se une a uma bela estirpe de filmes sob o signo da crueldade.

O fato é que está modesta produção da Indonésia chamou a atenção do mercado americano, tendo seus direitos de exibição adquiridos pela Sony/Columbia. O filme estreou nos E.U.A ocupando 700 salas de cinema , lucrando mais de dois milhões em 10 dias, algo notável para um filme de ação B asiático.  Uma porrada certeira na cara dos grandes estúdios.

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MAR NEGRO GANHA SEU PRIMEIRO MAKING OF!

O diretor capixaba Rodrigo Aragão, um dos grandes batalhadores do cinema de gênero no Brasil, divulga o primeiro making of de seu próximo longa, “Mar Negro”. O desfecho da trilogia, iniciada com o hoje cult “Mangue Negro” , e seguida de “A Noite do Chupacabras” (lançado recentemente em DVD),  promete incluir criaturas ainda mais bizarras na história da filmografia brasileira de horror.

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