SALA P. F. GASTAL REALIZA MOSTRA COM FILMES CENSURADOS.

Terra em Transe, de Glauber Rocha

A fim de estimular o debate e marcar posição contra o recente e absurdo episódio envolvendo a proibição do filme A Serbian Film no Rio de Janeiro, a Sala P. F. Gastal (Usina do Gasômetro – 3º andar) realiza uma pequena mostra reunindo seis célebres títulos que enfrentaram problemas com a censura e tiveram dificuldades de chegar ao público. Entre as atrações programadas, clássicos como Último Tango em Paris, de Bernardo Bertolucci, Glória Feita de Sangue, de Stanley Kubrick, e Terra em Transe, de Glauber Rocha. A programação tem o apoio da MPLC Distribuidora e da Programadora Brasil. Na sessão das 17h, a Sala P. F. Gastal segue apresentando a produção uruguaia La Matinée, de Sebastián Bednarik, dentro do projeto Mirada Latina, destinado a exibir produções independentes do cinema latino-americano.

PROGRAMAÇÃO:

Último Tango em Paris (Last Tango in Paris), de Bernardo Bertolucci. França/Itália, 1972, 129 minutos. Ele (Marlon Brando) é um americano de 45 anos morando em Paris, atormentado pelo suicídio de sua esposa. Ela (Maria Schneider) é uma beldade parisiense de 20 anos, noiva de um jovem cineasta. Sem sequer saber os nomes um do outro, estas duas almas torturadas se unem para satisfazer seus desejos sexuais em um apartamento vazio. Cercado de uma aura de escândalo à época de seu lançamento, Último Tango em Paris foi proibido pela moralista censura do governo militar. Revisto hoje, suas sequências de sexo (que motivaram a sua proibição na época) chegam a ser pudicas. Exibição em DVD.

Terra em Transe, de Glauber Rocha. Brasil, 1964. Uma poética e libertária visão sobre o transe político pelo qual passavam os países da América Latina na década de 1960. Considerado o mais importante e polêmico filme de Glauber Rocha e um dos precursores do Cinema Novo e do movimento tropicalista, Terra em Transe tornou-se um clássico do cinema moderno, tendo conquistado, entre outros, o Prêmio da Crítica Internacional no Festival de Cannes de 1967. Lançado no ano do golpe militar no Brasil, o filme enfrentou inúmeros problemas com a censura e levou seu diretor ao exílio. Exibição em DVD.

Glória Feita de Sangue (Paths of Glory). EUA, 1957, 88 minutos. Primeira Guerra Mundial. Da segurança de um castelo atrás das linhas de combate, o Quartel General francês passa uma ordem direta para o Coronel Dax (Kirk Douglas): tomar uma posição inimiga a qualquer custo. Uma missão totalmente suicida, e um ataque destinado ao fracasso. Para dar cobertura a seu erro fatal, os generais ordenam a prisão de três soldados inocentes, acusando-os de covardia e motim. Inspirado em fatos reais, este clássico do cinema anti-militarista provocou a ira do governo francês, que proibiu sua difusão na França durante vários anos. Exibição em DVD.

Iracema, uma Transa Amazônica, de Jorge Bodanzky e Orlando Senna (Brasil, 1975, 90 minutos) Misto de documentário e ficção sobre uma jovem índia (Edna de Cássia) que cruza a Amazônia na companhia de um motorista de caminhão (Paulo César Pereio). Em contraste com a propaganda oficial da ditadura e o ufanismo nacionalista da época, o filme de Jorge Bondazky e Orlando Senna usa o cinema para denunciar o desmatamento, as queimadas, o trabalho escravo, a prostituição infantil e outras mazelas do Brasil que as autoridades preferiam encobrir. Proibido durante seis anos no país, o filme só começou a circular em 1981, quando foi o grande vencedor do Festival de Brasília. Exibição em DVD.

Queimada! (Burn!), de Gillo Pontecorvo (Itália/França, 1969, 112 minutos) Uma ilha do Caribe na metade do século XIX. Escravos de vastas plantações de açúcar dos portugueses estão prontos para transformar sua miséria em revolta. Para reverter a situação a seu favor, o governo britânico envia para a ilha o agente William Walker em uma missão tripla e desonesta: convencer os escravos a se rebelarem, tomar o comércio de açúcar para a Inglaterra e restabelecer o regime de escravidão. Marlon Brando estrela esta obra-prima do cinema político, que foi proibida pelo governo militar brasileiro. Exibição em DVD.

Emmanuelle, de Just Jaeckin (França, 1974, 90 minutos) Na exótica Tailândia, Emmanuelle (Sylvia Kristel), uma linda e sensual modelo, viaja para encontrar o seu marido diplomata, Jean (Daniel Sarky), bem mais velho que ela. Ambos são tolerantes com os casos extraconjugais do outro e embora Emmanuelle tenha aprendido muitas coisas sobre o amor com o marido, Jean acredita que ela deva se aventurar em novas experiências sexuais. Um clássico do cinema erótico, Emmanuelle transformou Sylvia Kristel numa estrela e enfrentou problemas com a censura em diversos países. Vistas hoje, suas seqüências de sexo, a exemplo do que aconteceu com Último Tango em Paris, são quase pueris. Exibição em DVD.

GRADE DE HORÁRIOS

Semana de 2 a 7 de agosto de 2011

  Terça-feira (2 de agosto)

15:00 – Glória Feita de Sangue

17:00 – La Matinée

19:00 – Último Tango em Paris

Quarta-feira (3 de agosto)

15:00 – Queimada!

17:00 – La Matinée

19:00 – Iracema, uma Transa Amazônica

Quinta-feira (4 de agosto)

15:00 – Terra em Transe

17:00 – La Matinée

19:00 – Emmanuelle

Sexta-feira (5 de agosto)

15:00 – Iracema, uma Transa Amazônica

17:00 – La Matinée

19:00 – Queimada!

Sábado (6 de agosto)

15:00 – Glória Feita de Sangue

17:00 – La Matinée

19:00 – Último Tango em Paris

Domingo (7 de agosto)

15:00 – Queimada!

17:00 – La Matinée

18:30 – Manhã Cinzenta, de Olney São Paulo (aguarde divulgação) – Dia do Documentário.

19:00 – Emmanuelle

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6 Comentários

Arquivado em Divulgação, Mostras

6 Respostas para “SALA P. F. GASTAL REALIZA MOSTRA COM FILMES CENSURADOS.

  1. Tudo filme que hoje em dia é inofensivo, hauahauahauaahau P.F. Gastal tá querendo auto-promoção fácil demais!
    Quero ver uma sessão com “Nekromantik”, “Saló”, “Vases de Noces”, “Caligula”, “Sweet Movie” e “Contos Imorais”.
    Baiestorf.

  2. Tudo filme que hoje em dia SÃO inofensivos, dei uma mojicada no portugueis sem me aperceber disso!
    Baiestorf.

  3. Baiestorf, a intenção é exibir alguns exemplares de filmes proibidos no Brasil no período da ditadura, e mesmo que hoje os selecionados pareçam ingênuos e inofensivos (o que eu discordo), eles reforçam a idéia de como a censura é imbecil por fazer tempestade em copo d’água. Sabemos que a lista é extensa, mas só podemos exibir obras as quais temos o direito de exibição, e dos filmes que tu citou, nos adiantamos à sua crítica e já exibimos tanto “Saló” como “Sweet Movie” em mais de uma oportunidade. “Nekromantik” e “Vase de Noces” são polêmicos mas nunca tiveram sua distribuição cogitada comercialmente no Brasil. “Calígula” já foi exibido até em rede nacional, e “Contos Imorais” nunca teve maiores problemas por aqui, pois brasileiro adora uma boa sacanagem. E que outra sala de cinema tu conhece que tem a boa cara de pau de exibir “Emmanuelle” ao lado de “Terra em Transe” e “Queimada”? Tu chama de auto-promoção, e eu de amor irrestrito ao cinema. Beijo na bunda e vá plantar alfaces, rsrsrsrs.

  4. Bela iniciativa… vou ter que comparecer.

  5. Pingback: Sala P. F. Gastal realiza mostra com filmes censurados (via Cinema Ex Machina) | Beto Bertagna a 24 quadros

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