DANCING LADY

Cinco anos após “O Cantor de Jazz” (1927) inaugurar a era do cinema falado, os filmes musicais já eram um nicho lucrativo para os produtores de Hollywood. Após a Grande Depressão de 1929, com a economia americana imbuída de um firme propósito de reconstrução, o gênero proliferou nas telas levando ao público o otimismo e a alegria da Broadway. É durante este período seminal para os grandes musicais que surge “Amor de Dançarina” (Dancing Lady, 1933).

Idealizado como resposta da MGM ao sucesso dos musicais coreografados por Busby Berkeley (o grande mestre da comédia musical), o filme serviu de veículo para a ascensão de Joan Crawford ao estrelato. Dirigido por Robert Z.

Clark Gable e Joan Crawford

Leonard, diretor medíocre, mas que devido a sua versatilidade soube como poucos transitar do cinema mudo para o sonoro, adaptando-se às novas tecnologias e fomentando uma prolífera carreira atrás das câmeras, “Amor de Dançarina” é celebrado mais pelo charme de seu elenco, repleto de nomes que fariam história no cinema americano, do que por sua realização. Além da presença de Crawford, Clark Gable, Franchot Tone e do trio de humoristas que no futuro seriam conhecidos como “Os 3 Patetas”, o filme é celebrado por ser a estréia cinematográfica de Fred Astaire.

A trama reproduz com humor alguns aspectos comuns em muitas produções da época, como a luta de uma dançarina em busca da fama, e a atribulada

Joan Crawford e Os 3 Patetas

vida nos bastidores. Crawford interpreta Janie Barlow, dançarina impetuosa que desperdiça seu talento em teatros vaudeville. Acusada de “atos indecentes”, após uma desastrosa apresentação, ela é colocada na prisão, da qual é salva pelo admirador Tod (Franchot Tone), um rico bon vivant que lhe promete uma chance na Broadway em troca de seu “amor”. Apresentada ao produtor teatral Patch Gallagher (Clark Gable), Janie, determinada em alcançar o sucesso, precisa provar que merece estar sob os holofotes, enquanto desenvolve uma relação de amor e ódio com seu produtor.

A cena em que Crawford realiza um show de sapateado, acompanhada pelos patetas Moe, Larry e Curly, comprova a versatilidade da atriz, e sua parceria com Fred Astaire durante a canção “Let’s Go Bavarian” é exemplar, assim como a inventiva composição de cena, repleta de transições e efeitos óticos que antecipam a experimentação e o clima de delírio que dominariam os suntuosos musicais nas décadas seguintes.

A trajetória pessoal de Crawford se confunde com a de sua personagem; o ator Franchot Tone foi um de seus diversos maridos, e Clark Gable seu mais

Joan Crawford

célebre amante. De origem humilde, a atriz não poupou esforços ou pudores para chegar até Hollywood; atuou em espetáculos vaudeville, freqüentou casas de strip-tease, e sua primeira experiência atrás das câmeras foi atuando em obscuros filmes pornográficos, e, reza a lenda, nunca recusou nenhum teste de sofá, não hesitando em utilizar seu corpo para conseguir um papel. Mesmo após sua trágica história ser revelada pela filha Chistina Crawford, na polêmica biografia “Mamãezinha Querida”, na qual era acusada de ser uma mulher obsessiva e cruel, Joan Crawford ainda hoje é lembrada como uma das grandes divas da era de ouro do cinema. Por trás do glamour e da alegria dos musicais, também ressoavam amargas histórias de luta pelo sucesso.

 

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